18 março 2007

Mariana Massarani dá nova cor as Mães do Brasil



A artista que imprime alegria e jovialidade ao Portal Kids chama-se Mariana Massarani. Formada em desenho industrial, desde criança seu hobby era ficar cercada de lápis coloridos e sobre o papel, colocar para fora toda a sua imaginação. Meninas, meninos, bichinhos... Seu desenho de traço delicado e motivos infantis sempre nortearam sua vida. "Sou muito ligada a criança. Conheci o Portal Kids através da minha amiga Valéria Magalhães que é psicóloga da instituição. Acho o trabalho muito bacana e fiz questão de ajudar", conta Mariana.

Solteira e sem filhos, ela se inspira nos sobrinhos Joaquim, de sete meses, e Daniel, de 10 anos, para compor as histórias de seus livros infantis publicados: Victor e o Jacaré; Marieta Julieta Raimunda da Selva Amazônica da Silva e Sousa; Leo, o todo poderoso capitão astronauta de Leox, a cidade espacial; e Banho. Mais outros dois, Adamastor, o Pangaré e Aula de Surfe, estão sendo impressos e daqui a pouco vão estar nas livrarias. "Adoro brincar com meus sobrinhos. Conto histórias para eles, desenho e brinco de pique esconde", revela.

Mariana é ilustradora de mais de quarenta livros de diversos autores, entre eles Ruth Rocha, Paulo Mendes Campos, Adriana Falcão e Márcio Vassalo. Já recebeu vários prêmios por seus desenhos, incluindo o Jabuti por Rimas do País das Maravilhas (poemas de Lewis Carroll traduzidos por José Paulo Paes) e, juntamente com Graça Lima, por Vizinho, Vizinha (de Roger Mello).

Agora, além de ilustradora oficial do Portal Kids, Mariana está realizando trabalhos de ilustração para o projeto Mães do Brasil, que tem o apoio do Criança Esperança, projeto da TV Globo em parceria com a Unesco. A ilustradora elabora uma cartilha com dicas de prevenção sobre desaparecimento de crianças e jovens, além de cartazes e camisetas com fotos de menores que serão divulgadas para artistas e personalidades que queiram colaborar com as Mães do Brasil. "Estou cheia de idéias!", anima-se.

Por Luciana Tecidio
luciana.tecidio@portalkids.org.br

12 março 2007

Transtorno psíquico tornou Cristiano um menino de rua



Maria do Socorro Reis, 43 anos, já perdeu as contas de quantas vezes seu único filho, Cristiano Reis Sampaio, 11, foge de casa. Há cinco anos a rotina da faxineira é sempre a mesma: Cristiano pede para ir brincar com as crianças da comunidade onde moram em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro, e, ao procurá-lo, descobre que ele fugiu. O motivo dessa fuga? É um mistério que a mãe quer descobrir.

“Antes de chegar as Mães do Brasil eu pedi ajuda em tudo que foi órgão, mas ninguém conseguiu resolver o problema do Cristiano. Muitos desconfiaram que meu filho sofria maus-tratos, cheguei a ser acusada muitas vezes, mas ninguém veio em minha casa verificar as condições que Cristiano vivia. Muitas vezes ele fugiu de dentro das instituições. Ninguém consegue segurar Cristiano. Conheci a Wal (Ferrão, presidenta do Portal Kids) quando gravei a novela Prova de Amor, do Tiago Santiago. Foi a produção da Rede Record que me apresentou a Wal, dizendo que ela podia me ajudar. Os técnicos do projeto Mães do Brasil vieram diversas vezes em minha casa, conversaram com meus vizinhos, pesquisaram nas instituições que cuidaram do caso de meu filho. Cristiano não demorou a ser localizado. Ele disse que tinha o sonho de fazer balé. Wal arrumou um curso para ele. Cristiano ficou feliz da vida, mas no dia da primeira aula, fugiu”, conta Maria, sem entender.

Antes de ganhar a assistência do projeto Mães do Brasil, que tem o apoio do Criança Esperança, Cristiano sofreu um surto psicótico e foi atendido por uma psiquiatra da Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, que levantou a possibilidade do menino sofrer de Transtorno Bipolar de Humor, novo nome da antiga Psicose Maníaco-Depressiva (perturbação afetiva que alterna estados depressivos com estados maníacos). Porém, até agora, a mãe não consegue encaminhar o menino para uma análise mais detalhada de seu problema no setor público. Em sua última ida ao Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, em Vila Isabel, zona norte do Rio, o clínico geral que o atendeu também suspeitou que Cristiano sofre de um problema renal e de sopro no coração. “Mas não consigo levar o tratamento adiante porque o Cristiano sempre foge”, lamenta Maria.

De acordo com a assistente social do projeto Mães do Brasil, Maria Julia Rodrigues, que cuida do caso de Cristiano desde agosto de 2006, o fundamental é obter uma autorização oficial para que o caso do menino seja acompanhado detalhadamente. “Já apelamos para todo tipo de instância. Agora, iremos ao Fórum de Madureira pedir audiência com a promotoria. Vamos requisitar ao Juiz que nos dê um documento autorizando que alguma entidade especializada se responsabilize pelo caso de Cristiano, que precisa ser acompanhado de perto. Nossa maior dificuldade não é localiza-lo e sim, conseguir esse atendimento quando conseguimos resgata-lo das ruas. Além da burocracia, enfrentamos o despreparo das instituições para lidar com o problema dele”, lamenta.

Maria do Socorro nasceu no Maranhão e teve Cristiano no Rio de Janeiro. O pai dele abandonou Socorro e o filho quando este ainda não tinha completado um ano de vida. Além dela, que é diabética e hipertensa, o menino não tem mais ninguém para cuidar dele. Disposta a dar uma vida digna ao filho, Socorro conseguiu com a ajuda do dinheiro da faxina, comprar um barraco para eles e todo o extra que sobra é gasto em comida, roupas e brinquedos para Cristiano, que está longe da escola desde que iniciou suas fugas.

Segundo a psicóloga das Mães do Brasil, Valéria Magalhães, o caso de Cristiano é raro. “Ele não foge de casa porque é maltratado. Realizamos um profundo estudo através de diversas visitas domiciliares e entrevistas com o menino. Podemos atestar que a mãe dá afeto e assistência material ao filho, apesar de suas precárias possibilidades. Seu caso precisa ser estudado a fundo por um especialista antes que, durante essas fugas, Cristiano acabe se envolvendo na marginalidade ou se tornando vítima dela. O caso dele nos comove profundamente. Sabemos que a recuperação é possível desde que receba o tratamento adequado. Mas estamos numa luta contra o tempo”, preocupa-se Valéria.

Boa parte do que Maria do Socorro ganha no trabalho também é gasto a procura do filho. Em Madureira, onde ele costuma ir depois de fugir de casa, a vendedora de uma barraca de flores na rua já tem até o número do celular da maranhense. “Quando ela me liga dizendo que o Cristiano está lá, seja a quer horas for, largo tudo, pego uma condução e vou resgatá-lo. Já o encontrei até em Copacabana”, revela.

No momento, Cristiano está desaparecido. No carnaval, depois de comemorar a data com a mãe pelas ruas do bairro onde moram, fugiu novamente de casa na quarta-feira de cinzas. “Ele fugiu nas vésperas de seu aniversário de 11 anos. O presente que comprei para ele está intocado. Chorei muito neste dia. Eu preciso de ajuda para salvar meu filho. Meu maior medo é encontrá-lo morto na rua e sair para buscar apenas o seu corpo”, finaliza.

Por Luciana Tecidio
luciana.tecidio@portalkids.org.br

04 março 2007

Roselaine Lopes, a policial parceira das Mães do Brasil


A inspetora da Polícia civil, Roselaine Lopes, 32 anos, estava há um ano atuando na Delegacia de Homicídios da Zona Oeste, Campo Grande, Rio de Janeiro, quando foi criado o Setor de Descoberta de Paradeiros, destinado a encontrar pessoas desaparecidas. Era o ano de 2003 e ela não teve dúvidas que ali seria o seu lugar. Roselaine, que é separada e tem quatro filhos, ficou fascinada com a possibilidade de encontrar crianças cujos pais desconheciam seu paradeiro. A policial tornou-se assim, uma das principais aliadas das Mães do Brasil.

Durante os três anos que atuou no setor, ela contabiliza um saldo positivo de seu trabalho. “Achamos poucas crianças, dez”, diz modesta. “Mas a satisfação de entregá-las para a família é indescritível. Muitas vezes precisava segurar o choro para manter a pose”, lembra Roselaine que agora, mesmo lotada na 123ª DP de Macaé, continua sendo parceira do Portal Kids orientando a equipe da Homicídios que passou a se responsabilizar pelos casos das crianças procuradas pela instituição. “Sei o que essas mães sentem com o desaparecimento de seus filhos. É uma agonia, um desespero, uma dor muito grande. E considero o desaparecimento um dos crimes mais difíceis de se solucionar. Muitos são os fatores que levam esses meninos e meninas a sumirem de casa. O trabalho exige uma apuração e sensibilidade detalhadíssima”, explica.

Ser policial sempre foi o sonho de Roselaine que antes de prestar concurso para a carreira, formou-se em Letras e durante seis anos deu aulas de português e inglês. “Não consigo definir o que me levou a entrar para a polícia. Acho que combater a injustiça é um dos motivos principais que me fizeram mudar de profissão. Por isso me identifiquei tanto com o trabalho da Wal (Ferrão, presidenta do Portal Kids). A conheci quando passei a investigar o caso da Andréia Ferreira da Mota, uma menina de 12 anos que desapareceu misteriosamente da comunidade do Quiririm, em Vila Valqueire, no Rio. O empenho da Wal em localizar essa criança me sensibilizou. A Wal também cuida de outro caso que investiguei, que é o do Jones Gomes da Silva, de sete anos, que desapareceu do pátio da escola em Jacarepaguá. O Jones é muito parecido com um dos meus filhos. A luta da mãe dele, Amparo, para reencontrá-lo, me comoveu muito”, emociona-se.

Convidada pelo Portal Kids para dar uma palestra sobre seu trabalho na UERJ, local onde é desenvolvido o projeto Mães do Brasil, com o apoio do Criança Esperança, projeto da TV Globo em parceria com a Unesco, Roselaine está feliz em conhecer as demais mães do grupo. “Não estou atuando mais na Homicídios, mas não me desliguei das Mães do Brasil. A causa delas passou a ser também a minha”, finaliza.

Por Luciana Tecidio
luciana.tecidio@portalkids.org.br