23 julho 2007

Coral das Mães Cantoras se apresenta para o MST


No último dia 16 o Coral das Mães Cantoras, formado por integrantes do movimento Mães do Brasil e regido pela maestrina Alice Ramos Sena subiu ao palco do auditório da faculdade de Ciências Sociais da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) para cantar para um público com trajetória de luta pelos direitos humanos semelhante a delas: o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). A apresentação foi uma homenagem da UFRJ aos trabalhadores rurais que durante as férias realizam um curso através de um projeto de extensão na universidade. O Coral das Mães Cantoras iniciou a apresentação cantando Lanterna dos Afogados, de Hebert Vianna, que fala de sentimentos como saudade e espera. As mães foram aplaudidas de pé! Para aliviar a emoção elas convidaram os trabalhadores do movimento e professores da UFRJ a cantar com elas uma música que fala de amor: Querer bem não é pecado, do folclore popular. As Mães do Brasil encerraram a apresentação fazendo uma homenagem aos filhos desaparecidos cantando Gostava Tanto de Você, letra de Édson Trindade, que Tim Maia cantava para a filha de 15 anos, que faleceu num acidente de automóvel.

Homenagem é que não faltou nesta noite: A apresentação foi dedicada a três pessoas muito especiais: o maestro Raimundo Pereira, que faleceu no início do projeto, Ronieri Pereira de Souza, pai de Ronizinho e um dos coralistas mais dedicados de Alice e a pequena Amanda, seqüestrada e assassinada em 2002. Cristiane Nascimento, a mãe de Amanda, e Nicolas, seu irmão de 17 anos, também participam no coral. Outras duas crianças causaram sensação: Sara, nove anos, e Cristiano, 11, ambos resgatados através do Projeto Mães do Brasil, que tem o apoio do Criança Esperança, um projeto da TV Globo em parceria com a Unesco. Os pequenos cantaram entusiasmados ao lado de suas respectivas mães: Maria José e Maria do Socorro.

“A idéia de unir mães e filhos no coral partiu de um desejo das próprias crianças. Estou muito orgulhosa porque além de serem talentosas e cantarem muito bem, as crianças se aproximaram ainda mais de suas mães. Esse coral se transformou num trabalho terapêutico”, explicou Alice a platéia.

Depois da apresentação do Coral Tijucanto, formado por integrantes do Tijuca Tênis Clube, também regido por Alice Sena, os integrantes do MST pediram a volta das Mães do Brasil ao palco e as homenagearam cantando um hino do movimento. Eles presentearam as mães com a bandeira do MST e receberam um cartaz com a foto das crianças desaparecidas prometendo divulgá-lo pelo Brasil.

“Esse apoio é fundamental”, analisa Wal Ferrão, presidenta do Portal Kids. “O Coral das Mães Cantoras foi um dos momentos mais emocionantes desses nove anos que trabalho com as mães. Elas venceram a vergonha, a baixa estima e até a culpa por estarem felizes. É difícil para uma mãe que não sabe onde seu filho está se sentir feliz. No início dos ensaios elas ficaram muito mexidas. Mas o carinho do público mostrou que a culpa é inútil. E principalmente, que conseguiram sensibilizar várias pessoas para o problema do desaparecimento de crianças de uma forma delicada. O nosso maior objetivo no coral foi alcançado. Já fizemos algumas apresentações na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), local onde é desenvolvido o projeto, mas foi a primeira vez que cantamos fora de casa. Agora queremos cantar nossa busca por essas crianças para todo o tipo de público”, finaliza.

11 julho 2007

CRIANÇA DESAPARECIDA É LOCALIZADA APÓS DENÚNCIA


Cristiano Sales Reis, 11 anos, desaparecido desde 01 de maio deste ano, foi localizado após uma denúncia encaminhada ao Portal Kids. O Menino, que sofre de transtorno psíquico, estava em um casarão em Santa Cruz em companhia de moradores de rua. A testemunha que reconheceu Cristiano e tentou abordá-lo, mas foi impedida por um dos adultos que habitam o casarão abandonado no centro de Santa Cruz, disse que existem mais crianças no local. O Portal Kids, junto com a mãe de Cristiano, Maria do Socorro Sales Reis, integrante do movimento Mães do Brasil, procurou o Conselho Tutelar Central, no centro do Rio, que acionou o Conselho Tutelar de Santa Cruz. Uma busca foi realizada no local e o menino resgatado.

Nesta manhã Maria do Socorro, acompanhada de Júlia Quintas, assistente social do Projeto Mães do Brasil, de assistencia psicossocial e jurídica a famílias de crianças desaparecidas e que é desenvolvido com o apoio do Criança Esperança, projeto da TV Globo em parceria com a Unesco, esteve no Conselho Tutelar de Jacarepaguá onde reencontrou o filho que não via desde maio. Chocou-se com o estado do menino que está muito magro e abatido. De lá, Cristiano, acompanhado da mãe, foi levado para um centro de atendimento psiquiátrico para ser atendido e amanhã comparecerá a Santa Casa, para ser atendido por um psiquiatra infantil conseguido pelo Jornal Extra.

Enquanto Cristiano reencontrava a mãe, a presidenta do Portal Kids, Wal Ferrão, esteve pessoalmente no Lar de Frei Luiz, casa espírita de Jacarepaguá, que possui um trabalho respeitado na educação de crianças e adolescentes. O objetivo de Wal era conseguir que Cristiano permanecesse interno e estudando neste educandário, mas a instituição só recebe crianças até os sete anos de idade. Mesmo assim a assistente social da casa, que se mobilizou com o caso, prometeu ajudar o Portal Kids a procurar uma instituição que possa estar recebendo o menino.

"Nossa intenção é que Cristiano realize o tratamento psiquiatrico que necessita com segurança. Inicialmente ele fica na casa da mãe, que esta semana terá que faltar o trabalho. Vamos conversar com o patrão dela, mas essa situação não pode se prolongar por muito tempo. Socorro é sozinha e se não trabalhar, como sustentará seu filho? Pelos profundos estudos de equipe que já realizamos através do Projeto Mães do Brasil, sabemos que Cristiano não tem condições de estar em casa, pelo menos durante o início do tratamento. Nossa meta agora é conseguir esse espaço. Solicitamos o apoio de todos aqueles que vem acompanhando o nosso trabalho. Se alguém puder nos indicar uma instituição que possa receber Cristiano, que entre em contato conosco", apela Wal.

Contatos com o Portal Kids:
E-mail: atendimento@portalkids.org.br

01 julho 2007

Mães do Brasil vão a Argentina conhecer as Mães da Plaza de Mayo


Em novembro, quando for realizado na Argentina o Congresso Internacional dos Direitos Humanos, Mães do Brasil e Mães da Plaza de Mayo vão se conhecer. Quem dá início aos preparativos para a realização deste encontro é a professora Fernanda de Aragão Ponzio, 26 anos, que se dedica à tese sobre o movimento das mães argentinas. Depois de dar uma palestra para as Mães do Brasil e iniciar um trabalho voluntário com o grupo das mães brasileiras, Fernanda, através de contato telefônico com as Mães de Mayo, falou sobre sua nova atividade.

“Inés Vásquez, que é secretária acadêmica da Universidade das Madres da Hebe De Bonafini, presidente das Madres de Mayo, ficou muito interessada na atuação das Mães do Brasil e vai divulgar as ações delas na Argentina”, confirma Fernanda, que na próxima semana vai endereçar as Mães de Mayo uma carta elaborada pelas Mães do Brasil.

Na semana passada a psicóloga do Portal Kids, Valéria Magalhães, se reuniu com algumas integrantes das Mães do Brasil e pediu que elas escrevessem um texto para as madres. “A experiência foi altamente gratificante”, lembra Valéria. “Foi muito emocionante, pois elas colocaram para fora sua dor e chegaram à conclusão que o sofrimento não é um sentimento apenas delas. Que existem no mundo outras mães que também convivem com a perda de seus filhos e, mesmo assim, não se acomodam no sofrimento”.

“Nos impressionou o fato de que há 30 anos elas se reúnem na Plaza de Mayo sem faltar um único dia. Estou a quatro anos sem minha filha, a saudade dói demais, mas como elas, nós as Mães do Brasil, fizemos da nossa dor uma dor única. Juntas, nos fortalecemos. Está sendo muito bom nossa união com as Mães da Plaza de Mayo. Elas tem muito a nos ensinar”, acredita Elisabete, mãe de Thaís de Lima Barros, seqüestrada aos nove anos, no ano de 2002, por um desconhecido que abordou a menina numa feira-livre.

Wal Ferrão, presidenta do Portal Kids, que também é jornalista, vai unificar o texto das mães numa única carta que será entregue para Fernanda de Aragão. A professora irá traduzi-la para o espanhol e a encaminhará para Hebe De Bonafini, presidenta da Associação das Mães da Plaza de Mayo. "As cartas de próprio punho escritas pelas mães irão junto. Vou apenas compilar as informações para facilitar a tradução”, informa Wal.

A intenção de Fernanda é levar uma representante da Mães do Brasil para a Argentina em novembro, com o objetivo de que participe do Congresso Internacional de Direitos Humanos que acontecerá no país. “Haverá gente do mundo inteiro debatendo sobre a questão dos Direitos Humanos. Acho fundamental a presença das Mães do Brasil. Gostaríamos de levar uma parte do grupo, mas infelizmente não há verbas para isso. Vamos tentar levar uma representante das brasileiras”, conta à professora.

O movimento Mães da Plaza de Mayo surgiu na Argentina quando 14 mães perderam seus filhos no regime militar. Desde então, pontualmente há 30 anos, elas se reúnem na Praça de Mayo em Buenos Aires, num protesto silencioso para lembrar a violência cometida contra seus filhos. O movimento tomou uma dimensão tão significativa que as mães, que hoje são 80, criaram a Universidade Popular, que oferece cursos de Comunicação Social, Serviço Social, Psicologia e História, como forma de manter vivo o ideal de seus filhos que lutavam por uma sociedade mais igualitária. Já as Mães do Brasil existem como grupo há quatro anos. Criado por Tercília Frederico, mãe de Josemar Malveira, portador de doença psíquica que desapareceu aos 15 anos, durante uma festa junina no ano de 1992, o movimento, com o apoio da jornalista Wal Ferrão, busca investigação de qualidade e mudanças na política de atendimento a famílias de crianças e jovens desaparecidos. No ano de 2006, o movimento Mães do Brasil se tornou um dos projetos apoiados pelo Criança Esperança, projeto da TV Globo em parceria com a Unesco e inclui diversas ações a famílias de desaparecidos: campanhas de educação e prevenção, apoio psicossocial e jurídico, grupo de auto-ajuda coordenado por um psicólogo que funciona a exemplo dos Alcoólicos Anônimos e o Coral das Mães Cantoras, onde as mães passam suas mensagens em forma de música, com objetivo de sensibilizar a sociedade para sua causa, além de realizar um trabalho terapêutico através do canto-coral com objetivo de relaxamento e reforço da auto-estima.

Por Luciana Tecidio
luciana.tecidio@portalkids.org.br

Crianças da Nova Era

O site Ego traça um perfil da personalidade das crianças deste milênio. A psicóloga Valéria Magalhães, diretora do Portal Kids, participa da reportagem com o título de "O que os filhos de Thiago Lacerda, Angélica e Rodrigo Faro têm em comum?"