22 setembro 2009

06 de outubro: aniversário de Thaís, Justiça para Larissa




No próximo dia 06 de outubro Thaís de Lima Barros fará 16 anos. A foto acima e o bilhetinho que ela escreveu para a mãe são as últimas lembranças físicas que ficaram de Thaís, sequestrada aos nove anos, na véspera do Natal de 2002. Desde que a mãe dela me contou pela primeira vez a história de seu sequestro no ano de 2004, fico pensando o que leva um ser humano a tirar uma criança do convívio de sua família, na véspera de Natal? Eu e Elisabete Barros, a mãe de Thaís, nos tornamos muito amigas. Ao longo desses anos acompanhei de perto o sofrimento devastador que a ausência da filha provocou em sua vida, na de seu marido, seu filho, seus parentes. O sequestro de Thais tinha um suspeito apontado por uma testemunha. De 2004 para cá investiguamos a provável participação desse suspeito também apontado por testemunhas como autor do sequestro de Michele Santana de Araújo, de nove anos, ocorrido um mes antes do de Thais. Em 2008 o retrato falado do suspeito do sequestro de outra menina, Larissa Gonçalves Santos, de 11 anos nos foi enviado e imediatamente comunicamos a polícia a semelhança deste retrato falado com o retrato falado do suspeito dos sequestros de Thaís e Michele. Quando ele foi preso, em fevereiro de 2008, a surpresa: o suspeito foi reconhecido por várias testemunhas do caso Larissa. Ao vê-lo ser conduzido algemado da delegacia para a viatura que o levaria ao presídio, cai em prantos. Por um momento fulgaz, pensei, foi feita a Justiça para Thaís. Solto cinco dias depois, começou a grande luta pela continuidade das investigações. Elisabete encontrou forças para junto conosco consolar Rachel Gonçalves, a tia de Larissa e fazê-la ser mais forte que a dor. Larissa também não voltou. A ausência dela transformou a vida de Rachel, de seu marido, sua outra sobrinha e filho num deserto onde não se vê saída. Mesmo assim continuamos. Nós já sem acreditar, Elisabete sem esperanças e Rachel devastada. Sempre achamos importante persistir mesmo em meio a derrota. Depois de um apelo ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro o resultado que buscamos tanto chegou. Nossos esforços conseguiram levar a julgamento o suspeito do sequestro das duas. E a maior coincidência é que o julgamento foi marcado para o próximo dia 06 de outubro, dia do aniversário de Thaís. Coincidência ou Justiça Divina? Por enquanto o suspeito será apenas julgado pelo sequestro de Larissa, e pela tentativa de sequestro de uma outra vítima, que conseguiu escapar, ocorrida logo depois de Larissa ser levada. No próximo dia 06 assistiremos a Justiça ser feita para Larissa. Ela também deixou em sua agenda um bilhetinho para sua tia: “Você é a pessoa que me livra de todos os perigos...”

20 setembro 2009

Qual a alternativa?


Assisti a um filme antigo que trata sobre o desaparecimento de crianças, A Cor de Um Crime (2006), do cineasta Joe Roth. É a história de uma mãe solteira interpretada pela atriz Julianne Moore que diz que seu filho de quatro anos (participação do garotinho Marlon Sherman) foi sequestrado por um afro-americano que furtou o seu veículo. As investigações para se descobrir o paradeiro do menino branco acabam criando um conflito racial. O caso começa a ser cuidado por um policial negro, vivido pelo ator Samuel L. Jackson, que pede a ajuda de uma mãe de criança desaparecida, que se tornou especialista na solução deste tipo de crime. Em determinado momento do filme a mãe da criança desaparecida, a atriz Edie Falco, começa a contar a personagem de Julianne o que tem sido sua vida desde que seu filho desapareceu misteriosamente, como sua relação com o marido e os outros filhos foi afetada, já que a própria família não entende que ela dedique todas as horas de sua vida para saber o que aconteceu e a tentar localizar outras crianças. Após ouvir o emocionado relato a personagem de Julianne acaba confessando ao detetive que matou o filho acidentalmente e mostra onde o enterrou. O filme é interessante não só porque mostra os dois lados: a mãe negligente e a mãe que de vítima se torna lutadora (como são as do grupo Mães do Brasil), mas também por essa cena em que Edie Falco (foto) fala sobre o universo das mães que tem o filho desaparecido e que sacrificam tudo - vida, trabalho, família - em busca do filho que se foi. Isso aconteceu com Vera Lúcia Flores Leite, a Mãe de Acari, que faleceu no ano passado, sem descobrir o que aconteceu com sua filha desaparecida Cristiane Leite de Souza (foto) e com muitas outras mães que passei a conviver. Realmente, reencontrar o filho se torna uma tortuosa obsessão. Mas, resta outra alternativa para essas mães?

Por Wal Ribeiro

16 setembro 2009

Reportagem para a Record


Gravamos reportagem hoje para o programa Balanço Geral, apresentado por Wagner Montes, que será exibida às 12h30min na Record. Tiramos fotos com a simpática equipe que gravou conosco. Eu estou ao lado da repórter Aline Pacheco, que fez questão de posar com o cartaz de minha filha Thaís e de Larissa, sobrinha de Raquel Gonçalves, que também está conosco na foto. Confira a reportagem hoje e deixe aqui seus comentários. A reportagem também será exibida no RJ no Ar.

Elisabete Barros, coordenadora das Mães do Brasil