Artigos de Profissionais


Como não vitimizar seu filho

Segundo psicólogo, algumas atitudes tomadas pelos pais podem vitimizar seus filhos quando adulto

 
Por João Alexandre Borba
 
Algumas pessoas se fazem de vítima diante os problemas da vida. Estas pessoas, geralmente, não possuem o controle das suas emoções e ações, além de usarem qualquer coisa como desculpa para seus fracassos diários. Segundo estudos psicológicos, as pessoas se vitimizam para conseguir mais atenção, mostrando às pessoas com quem se relaciona que sua vida é ruim, na esperança que isso possa despertar alguma piedade e atenção por parte dos ouvintes.
 
Segundo o psicólogo e master coach João Alexandre Borba, vítima é todo aquele que vive ressentido, e que perdeu o contato com sua força de vida original. "Esta força é a responsável por alavancar projetos, mergulhar em relacionamentos satisfatórios e em exigir do mundo trocais justas e balanceadas. A vítima é todo aquele que culpa os outros pelas suas adversidades e esqueceu de se responsabilizar pela própria vida", explica o profissional.
Borba ainda diz que é muito comum que pais transformem seus filhos em vítimas, por tentarem protegê-los de mais, ou, até mesmo, por forçarem um amadurecimento precoce, mesmo que de forma não intencional.
O psicólogo listou algumas ações, realizadas pelos pais, e que podem tornar os filhos vitimizados no futuro. Confira:
1)  Fazer tudo para seu filho, antecipando suas necessidades e não deixando-o amadurecer sua independência:
Crianças adoram ser reconhecidas em suas idiossincrasias e ações espontâneas. Com um olhar um pouco mais observador, já é possível encontrar talentos incríveis em crianças pequenas. Estimule-os em vez de censurá-los. Querer que seu filho seja uma cópia sua é retirar lentamente sua identidade.
2)  Envolver as crianças em temáticas adultas, colocando-os pra darem opiniões:
Crianças são muito vulneráveis a terem de tomar partido em qual dos pais estaria certo ou errado naquela questão. Isso os torna pessoas “pesadas”, pois não suportam carregar um peso que não lhes compete. Deixe seu filho ter uma infância livre.
3)  Olhar com pena ou piedade para suas crianças.
Independente da sua situação de vida, sempre estimule seu filho a ser um vencedor e um desbravador. Jamais tenha piedade ou dó dele. Acredite em seu potencial e em sua força de vida. Crianças aprendem primeiro a se identificarem com o olhar dos pais, para depois, quando chegam na fase adulta, selecionarem o que irão manter ou eliminar deste olhar inicial. Isto seria um adulto realmente na fase adulta.
A vítima sempre sofre e se perde em seus dramas. Enquanto não aprender a separar amor de piedade, enquanto acreditar que ao receber a pena e a piedade dos outros, está também recebendo amor, este processo jamais terá fim. Dramas internos avassaladores costumam transgredir e ultrapassar várias e várias gerações. Por isso, torne-se responsável pela própria vida. Não há nada mais leve, belo e libertador do que ver um adulto caminhando junto a sua criança interna.
João Alexandre Borba é Master Coach Trainer e Psicólogo


O Significado de Presentear 

Eduardo Shinyashiki

Mesmo que hoje em dia a nossa vida frenética nos roube a magia desse período de festa e não nos permita perceber que já estamos nos aproximando do Natal, as cidades começam a ser adornadas com lindos enfeites e de noite as luzes brilham. As casas estão decoradas com árvores de
Natal, estrelas douradas, bolinhas coloridas, Papai Noel e as pessoas começam a pensar nos presentes. 

Hoje a troca de presentes no Natal tem um grande significado social que, às vezes, supera o significado religioso, porém a minha reflexão não é sobre a questão consumista ou moral do ato de comprar, mas sobre o seu grande significado social e simbolismo, do porquê fazemos essa troca.

Na nossa sociedade, o gesto de trocar presentes é um fator importante que contribui para fortalecer e manter os relacionamentos interpessoais e, consequentemente, a coesão e união social. Presentear alguém com alguma coisa ou com uma ação tem como seu significado mais profundo e espontâneo fazer o outro feliz ou proporcionar-lhe prazer, como um gesto de carinho, aceitação e gentileza.

Antropologicamente, a troca de presentes tem um enorme significado porque evidencia que tipo de relação existe entre aquelas determinadas pessoas. Essa prática tem acompanhado a evolução das diversas sociedades, contribuindo para estreitar a confiança entre os povos, a solidariedade, o relacionamento, a irmandade, a amizade e o respeito.

Essa antiga e universal prática de presentear, com a sua lógica, continua valendo na nossa sociedade. Oferecemos presentes porque nos deixa feliz, mas também pelas nossas tradições e cultura. O presentear representa um ritual que evidencia e honra acontecimentos especiais e momentos de passagem, como os aniversários, casamentos, formaturas etc.

Quando oferecemos um presente a alguém, sentimos alegria em proporcionar prazer ao outro, pois é uma forma de nos sentirmos parte de uma mesma comunidade ou de um mesmo grupo de amigos, ou até de uma mesma família. O presente torna-se, assim, o símbolo daquilo que nos une ao outro.
Em síntese, dar um presente representa uma verdadeira mensagem, com muitas nuances: é o prazer de demonstrar afeto, respeito, nossa atenção, admiração, lembrança, dedicação, empatia e amor à pessoa.  Feliz Natal!

Eduardo Shinyashiki é palestrante, consultor organizacional, escritor e especialista em desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. Presidente da Sociedade Cre Ser Treinamentos, colabora periodicamente com artigos para revistas e jornais. Autor dos livros: Viva como Você Quer Viver, A Vida é Um Milagre e Transforme seus Sonhos em Vida - Editora Gente. Para mais informações, acesse www.edushin.com.br.



Como inserir um animal de estimação em seu lar?

Por Dra. Ceres Faraco

Levar mais um pet para casa é sempre uma alegria, porém pode se tornar frustração caso a introdução do novo animal não seja realizada da maneira correta. As pessoas podem errar na forma de agir com eles, transformando o primeiro encontro em muito barulho e, à vezes, agressão. Por isso a Comac (Comissão de Animais de Companhia do SINDAN) em parceria com veterinários e especialistas do segmento pet traz dicas de cuidado e comportamento para que esse contato seja positivo. É importantíssimo que todos os membros da casa estejam calmos para apresentar os animais e aptos a agir caso necessário.

Cães equilibrados são normalmente sociáveis e permitem a introdução de novos animais com maior facilidade. Ao se introduzir um cão em local onde vive outro, convém adotar alguns procedimentos, inclusive quando o novo for um filhote. “Cachorros tendem a ficar mais agressivos no espaço em que vivem, as apresentações devem ser em local neutro e não familiar a eles. Uma única briga entre os dois pode tornar a inclusão mais complicada. O mesmo risco também existe se recolocarmos um cão com outro depois de terem sido separados por algum tempo. Os animais devem ser reapresentados com supervisão”, afirma Dra. Ceres Faraco, veterinária parceira da Comac.

A apresentação pode acontecer na rua mesmo, colocando cada um deles em um lado da calçada, sempre controlados na guia por um condutor, numa distância suficiente para não provocar o outro.

Assim, mesmo que haja hostilidade, será pouco intensa e fácil de interromper. Não é necessário ter pressa e nem antecipar etapas, pois a cautela nos encontros iniciais assegura um futuro sem problemas. Eles podem se olhar rapidamente e não fixamente, ou puxando o condutor. Segundo a especialista, caso o animal faça algo que não deve, dá-se um puxão rápido na guia e se diz “não”. Se ele insistir, procura-se distraí-lo com brinquedos ou se inicia um afastamento maior do outro cão. Quando cada pet permanece absolutamente calmo ao ver o outro distante, inicia-se a segunda fase.

A partir dos locais onde estão posicionados, o tutor começa a reduzir gradativamente a distância através de uma caminhada lado a lado, numa única direção, para evitar que eles se encarem. A tendência é que foquem apenas no que veem pela frente. Andando sempre lado a lado, os condutores reduzem aos poucos a distância. Se surgir sinal de hostilidade, a caminhada é interrompida e o treino recomeça desde a primeira etapa. O procedimento termina quando a aproximação dos cães durante o passeio é tamanha a ponto de se encostarem e permanecerem tranquilos. Quando a aceitação de cada um for completa, vem a etapa final: colocá-los juntos. Antes deste momento convém submetê-los a uma longa caminhada até ficarem cansados. Em seguida, os dois são postos soltos no local onde ficarão. A área deve ser previamente preparada com a retirada da comida e dos objetos que possam causar disputa.

Confira todas as dicas para inserir o novo pet na residência sem causar problemas:

-Controle absoluto para desestimular provocações. É muito importante que percebam nosso controle absoluto sobre eles. Por isso, durante a apresentação, cada animal deve ser conduzido na guia por uma pessoa;
-Recompensar os pets por comportamentos corretos;
-Enquanto não terminarem os exercícios de aproximação, os cães não devem ser postos juntos ou de maneira que possam se ver;
-Provocações podem anular o treinamento feito e tornar os cães ainda mais agressivos;
-Dê preferência a adquirir animais de sexo oposto. Fêmeas tendem a brigar mais entre elas, o mesmo caso acontece com os machos;
-O procedimento de apresentação não precisa ser colocado em prática todos os dias. Mas a frequência determina agilidade nos resultados;
-Se houver mais de um pet ao qual apresentar o novato, realize o procedimento apresentando o recém-chegado a cada um dos residentes, até que todos o aceitem;
-Devem ser apresentados fora de seus territórios;
-Aproxime-os gradativamente, sempre mantendo-os na guia;
-Após o procedimento, não os coloque em locais que possam se provocar;
-Solte-os para ficarem juntos apenas quando sentir total confiança e controle sobre eles;
-Procure ajuda de especialista se você não tiver uma boa experiência com pets.
Sobre a Comac

A Comac (Comissão de Animais de Companhia do SINDAN - Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal), criada em 2007, visa estruturar um ambiente de intercâmbio de informações e ideias, propondo e executando ações que estimulem o desenvolvimento do mercado pet brasileiro, em especial nas áreas ligadas à saúde animal. Tem por objetivo tratar dos assuntos ligados ao mercado de animais de companhia (cães e gatos), visto como um dos mais importantes e crescentes segmentos da indústria veterinária brasileira e mundial. Através de pesquisas do segmento, a Comac deseja informar sobre os benefícios da relação entre os animais de estimação e o homem, a importância do médico veterinário na prevenção de doenças e na manutenção da saúde dos animais, valorizando a medicina veterinária e seus profissionais. 























Lidando com superdotados
Por Adriano Gosuen
Resolver problemas de matemática em um instante. Tocar música de ouvido. Que pai nunca fantasiou ver o filho desenvolver uma superhabilidade, que facilitasse seus caminhos pela vida? Pois, de vez em quando, isso acontece! E nas mais variadas classes sociais. Não há números precisos, mas, estima-se que cerca de 3% das crianças apresentam o que é chamado de “altas habilidades”.

Entretanto, nem tudo é alegria na vida de um superdotado e de sua família. Ser portador de altas habilidades é uma característica de poucos e pode causar estranhamento. Pais de superdotados relatam que o convívio na escola às vezes provoca irritação e inveja nos colegas. Sem falar nos pais dos colegas, que podem achar que a família da criança superdotada é arrogante ou que a estimula em excesso.

Por outro lado, a criança com altas habilidades pode se entediar facilmente com as rotinas escolares, apresentando, então, comportamento inadequado em sala. Também há a possibilidade de que ela venha a usar sua alta habilidade para atacar e humilhar os colegas. Por tudo isso, a escola precisa ter um cuidado especial com os estudantes que apresentam superdotação.

A primeira tarefa é observar continuamente o desenvolvimento das crianças. Não é incomum que algumas apresentem interesse mais focado em uma ou outra área da vida, desproporcional em relação às outras crianças, tais como aprender palavras novas ou conhecer mais sobre os bichos. Dado seu empenho e motivação, elas irão, consequentemente, apresentar maior desempenho nestas áreas.

Mas como diferenciar a criança que tem altas habilidades da que tem grande interesse por um tema? O uso de testes pode indicar certas competências, mas eles não devem ser vistos como o principal método de avaliação; tampouco, como diagnóstico taxativo. A principal avaliação se baseia em registros comparativos de desempenho da criança com suspeita de portar alta habilidade em relação às outras de sua idade. Quase sempre aquela com altas habilidades tem um desenvolvimento geral relativamente próximo das demais crianças, destoando fortemente em uma área específica.

Esta competência deve destoar claramente do que ocorre com as demais crianças de sua idade, podendo ser comparada com a competência de crianças mais velhas. Exemplo disso é a capacidade de entender conceitos matemáticos que não são próprios de sua idade ou aprender a ler quase sem ajuda de ninguém. A alta habilidade também pode aparecer na rapidez com que se aprende a tocar um instrumento musical ou a desenhar com destreza para além do que seria esperado em sua idade.

Como vimos, por ser diferente, a criança com alta habilidade pode vir a sofrer. Mais do que ter um diagnóstico conclusivo, o importante é que os que estão ao seu redor cuidem do bem-estar desta criança. Isso implica frequentar a escola regular, a fim de desenvolver as habilidades na qual sua competência é apenas regular. E realizar atividades complementares em sua área de alta competência: curso de línguas, artes plásticas ou treinamento esportivo. O importante é que as atividades complementares sejam instigantes e desafiadoras!


Adriano Gosuen é psicólogo escolar, especializado em saúde mental e direitos humanos pela Organização Mundial de Saúde (Índia), atuou na University of New Hampshire (EUA) e foi oficial de programa na African Network Campaign on Education for All (Senegal). É consultor do Ético Sistema de Ensino (www.sejaetico.com.br), da Editora Saraiva

Como reconhecer quando uma criança está com perda auditiva?  

Sentido importante para o desenvolvimento, os problemas de audição podem ser reconhecidos cedo - para então ser iniciado o tratamento correto

Por Rita de Cássia Cassou Guimarães

Ter a audição normal é um fator importante para o desenvolvimento adequado da fala e linguagem nas crianças. Alterações auditivas, mesmo que pequenas e transitórias, podem estar associadas a distúrbios da fala e do aprendizado – e é preciso muita atenção dos pais para que esse quadro seja tratado desde cedo.

“A estimulação do ouvido é importante também para a interação da criança com o meio. O mecanismo de aquisição da linguagem aparece muito antes de o aparecimento da própria linguagem. A criança já nasce com a capacidade de escutar, e é a partir deste momento que a sua linguagem começa a se desenvolver. A estimulação auditiva é importante para isso”, explica a Dra. Rita de Cássia Cassou Guimarães, Otorrinolaringologista e Otoneurologista de Curitiba, PR.

A especialista comenta que quanto mais cedo for identificado o tipo de perda auditiva e iniciado o tratamento, menores serão as sequelas. “Para se ter uma idéia do que ocorre ainda hoje, a média mundial de diagnóstico precoce da deficiência auditiva está entre os dezoito e trinta meses, mesmo nos países que adotam programas de detecção precoce desta, o que reforça a importância do 'teste da orelhinha' como triagem auditiva já ao nascimento”, ressalta Rita. Ou seja, mesmo os países mais desenvolvidos, ainda estão se adaptando a examinar a audição dos pequenos de forma mais precoce.

Porém, os pais e responsáveis têm um papel essencial em descobrir se a criança possui algum problema auditivo. “Quanto mais atentos e cuidadosos forem os pais, mais cedo a possível deficiência será investigada”, explica a médica. As manifestações do problema auditivo variam de acordo com a idade da criança. “Antes dos três anos, por exemplo, as queixas normalmente são ligadas ao atraso no aparecimento da fala. Se a criança realmente tiver algum problema auditivo, esses distúrbios da fala serão evidentes após os três anos,” ressalta.

A doutora lembra que cada criança desenvolve a fala em seu próprio ritmo, mas alterações grosseiras muitas vezes são interpretadas erroneamente pela família como "peculiaridades da criança" ou como "distúrbios transitórios que desaparecerão com o tempo". “É preciso tomar cuidado com isso, pois, após os seis anos, no período de alfabetização, começam a aparecer os distúrbios do aprendizado” relata.

Existem alguns fatores de risco que podem facilitar o aparecimento de problemas auditivos na criança, como, por exemplo, o histórico familiar – como a presença de doenças hereditárias associada a surdez na família, - as má formações congênitas – sejam elas ligadas ao aparelho auditivo ou outras síndromes envolvendo malformações da face ou sistema nervoso, – infecções congênitas – como rubéola, citomegalovírus, toxoplasmose, sífilis e herpes, - doenças perinatais (como prematuridade, utilização de antibióticos ototóxicos, etc) e pós-natais, como meningite bacteriana e outras doenças neurológicas.

A doutora também lembra que qualquer infecção materna na gestação é considerada um fator de risco, e que, passada essa fase, é preciso manter os cuidados para que a criança não adquira nenhum problema auditivo com o passar do tempo. “Sabe-se que pelo menos 2/3 de todas as crianças apresentam, pelo menos um episódio de otite média até os cinco anos de idade. Portanto, o alerta dos pais deve continuar sempre ligado, e o médico deve ser procurado caso ocorra qualquer problema” conclui Rita.

Dra. Rita de Cássia Cassou Guimarães (CRM 9009) é otorrinolaringologista, otoneurologista, mestre em clínica cirúrgica pela UFPR





10 passos para acertar na educação dos filhos

Por Marcelo Reibscheid

Pais veteranos ou de primeira viagem sabem que não há fórmula mágica para uma boa educação dos filhos. Também não existe manual para ser um bom pai ou uma boa mãe. No entanto, a mudança de pequenas atitudes na rotina diária e atenção especial ao que será importante para a criança no futuro podem não só ajudar na criação dos filhos como garantir a felicidade deles. Pesquisadores americanos realizaram os mais diversos levantamentos e chegaram à conclusão de que 10 passos básicos podem auxiliar as famílias. Dr. Marcelo Reibscheid, lista essas dicas e comenta um pouco sobre cada uma delas:

1. Conheça seus filhos
Como em qualquer relacionamento, conhecer bem o outro é fundamental. Passar mais tempo com o filho ou aproveitar melhor os momentos juntos permitirá aprender mais sobre seu perfil emocional, características, pontos fortes e fracos.
“Esse item é muito importante para que os pais possam orientar bem as crianças em todas as situações”, ressalta o pediatra.

2. Não force a perfeição
Filhos reprimidos por não corresponderem às expectativas não pode ser positivo. Respeite a personalidade do seu filho e valorize as habilidades com incentivos e não com pressão.

3. Permita a argumentação
Diálogo é a base de qualquer relação. Certamente a criança não pode expressar tudo o que pensa a todo momento, mas sufocar a argumentação dos filhos também não resolve.
“ É preciso saber ouvir até mesmo para entender melhor os valores do seu filho e saber até onde ele pode ir em uma situação”, orienta Reibscheid.

4. Bom relacionamento entre as mães e os meninos
A figura paterna sempre foi vista como mais importante nesse caso. Levar o garoto para jogar bola, falar sobre os mistérios das mulheres. Ótimo. No entanto, estudos recentes apontam que uma boa ligação entre mães e filhos garante inclusive sucesso nas relações amorosas.

5. Vigie sua saúde mental Problemas psicológicos dos pais podem afetar diretamente aos filhos. Então, quando bater aquele desânimo pense no seu filho para ganhar força e levantar a cabeça.

6. Conserve uma boa relação com o pai do seu filho
“Um dos maiores trunfos da educação dos filhos não estrá na sua relação direta com eles, mas sim entre você e o pai do seu filho ou seu marido”, ressalta o especialista. Um casamento estável aumenta as chances de segurança emocional dos pequenos. Se você é divorciada ou viúva procure orientação psicológica para não causar traumas no seu filho. Se seu casamento anda mal, evite permitir que os filhos escutem brigas no quarto ao lado enquanto precisam dormir, por exemplo.

7. Ofereça liberdade Criar os filhos para o mundo.
A frase diz tudo. Impedir que os filhos vivenciem determinadas situações na tentavia de protege-lo somente atrasa a experiência e maturidade das crianças e ainda pode gerar problemas de ansiedade e individualismo. Se você é o tipo de mãe que questiona os professores a cada nota ruim do filho na escola, é hora de repensar alguns conceitos.

8. Estimule a autocompaixão Uma criança não deve sentir pena de si mesma e nem incentivada a reprimir seus pensamentos e sentimentos. Um filho saudável é aquele que sabe entender a ele mesmo nos erros e acertos e os pais têm papel crucial com palavras e exemplos corretos.

9. Seja positivo A agressividade infantil está diretamente relacionada ao clima emocional que a criança encontra em casa. Filhos com histórico de agressividade até os 5 anos de idade tendem a carregar essa característica adiante na vida. Evite ser negativo na presença dos pequenos.

10. Brinque desde muito cedo
“Uma criança precisa de pais que possam representar uma companhia divertida nas horas alegres. Por essa reação, os cientistas destacam o papel fundamental das brincadeiras na vida entre pais e filhos desde a infância. Brincadeiras agregam criatividade e saúde psicológica às crianças”, finaliza o especialista.

Dr. Marcelo Reibscheid é neonatologista e pediatra do Hospital e Maternidade São Luiz. Acesse o site do médico, Pediatria em foco. http://www.pediatriaemfoco.com.br/


Não tenho tempo

Por Francisca Romana Giacometti Paris

Velocidade é imperativo na vida cotidiana. O tempo de que dispomos para realizar todos os nossos afazeres é sempre pouco. A meta de oferecer aos nossos filhos as melhores condições de vida fundamenta nossa correria e acalma nossa consciência.

Trabalhamos muito convencidos de que nosso papel heróico é importante para a real felicidade dos rebentos. Todavia, distanciamo-nos, cada dia um pouco mais, da educação e dos cuidados das crianças e dos adolescentes. Na verdade, terceirizamos nossa função e nosso privilégio de pais às avós, babás e tantos outros agentes sociais, deixando com que os filhos cresçam e se desenvolvam alheios a nós, ausentes de pais.

Dizemos não ter tempo. Será? Nós realmente não temos tempo ou a educação dos filhos não nos parece prioridade inconteste?

Se analisarmos, temos tempo para fazer as unhas, acompanhar as novelas, assistir aos jogos de futebol, para fazer um happy-hour com os amigos. Concluindo, conseguimos tempo para realizar afazeres que nos agradam e “deixamos para depois” as tarefas que desgastam, pois educar filhos não é tão fácil nem parece prazeroso.

Interessar-se pela vida escolar, querer conhecer os colegas, saber sobre as dificuldades de aprendizagem e propor ajuda ao filho pode ser tedioso, como também é desgastante negar determinadas solicitações e administrar suas tradicionais consequências: reclamações, cara feia e choros, entre tantas outras.

Chegar em casa, após um extenuante dia de trabalho, e desejar conversar sobre os acontecimentos do dia ou ouvir as lamúrias (injustificáveis para nós) esgota nossa paciência. Levantar-se da comodidade do sofá para mediar uma discussão entre irmãos é muito desgastante. Então, tantas vezes preferimos fazer de conta que nada escutamos.

E quando nos damos conta, já é tarde e nossos filhos parecem estranhos a nós mesmos. Diante de filhos rebeldes, drogados ou insolentes, muito pais revelam-me desconhecer os filhos e dizem não saber quando e por que ocorreram mudanças.

Infelizmente, desvendo aos pais que eles, na verdade, nunca conheceram os próprios filhos. Não foram capazes de perceber as mudanças simplesmente porque estavam distanciados, preocupados em propor-lhes condições favoráveis de vida e tomados por comodidade e covardia.

Devemos abrir nossos olhos para perceber que descumprimos nossos deveres de pais, uma vez que é pela convivência que os ajudamos a construir suas escolhas, qualidades e virtudes, ensinando-lhes sobre amor, sofrimento, desilusões, ganhos e perdas... Enfim, sobre a vida!

Isso dá trabalho e exige muito empenho. Talvez seja uma das tarefas mais complexas do mundo, mas, sem dúvidas, é das mais honrosas. Talvez estejamos perdendo tempo e nem percebemos. Vamos “ganhar” tempo com quem mais merece: com os filhos e com os pais. Ou seja, com nós mesmos.


Francisca Romana Giacometti Paris é Pedagoga, Mestre em Educação, diretora Pedagógica do Agora Sistema de Ensino (www.souagora.com.br) e do Ético Sistema de Ensino (www.sejaetico.com.br) Editora Saraiva, e ex-secretária de Educação de Ribeirão Preto (SP)



Por Gilberto F. da Silva (coluna 4)

Olá, pessoal! Mas uma vez estou diante de meu computador tentando escrever para vocês. Tentando ser o mais claro possível neste diálogo virtual. A internet tem dessas coisas, conversamos com pessoas virtuais. Interagimos emocionalmente com um ser que nem de carne e osso é, apesar de existir. Conversamos com um monitor através de um teclado na certeza de que do outro lado alguém lerá nossas palavras e as responderá ou não. A internet é essa doideira socializada e integrada ao nosso dia a dia. Espaço onde pessoas inescrupulosas de aproveitam da ingenuidade de nossas crianças e as aliciam, as corrompem jogando-as contra os próprios pais, as sequestram e com elas desaparecem sem deixar vestígios, apenas um rastro de dor e sofrimento, tanto em quem fica, quanto em quem é levado. A internet invade nossos lares 24 horas por dia. Ela em si não é nem boa nem má, apenas é. Com todas as suas possibilidades. Cortá-las da vida de nossos filhos? Nem pensar, seria o início da Terceira Guerra Mundial familiar. Vigiá-los? Esquece, seriamos tachados de caretas e repressores, um Hitler da era virtual. O que fazer então? Nada? Claro que não. Temos sempre que fazer algo, afinal são os nossos filhos, porém devemos incluir o respeito ao outro (no caso ao filho) na execução desse fazer. Sim respeitar não é concordar incondicionalmente. Não é aceitar, não é baixar a cabeça; mas sim valorizar o outro em sua dimensão humana. Respeitar é aceitar os desejos dos filhos como legítimos e verdadeiros, porém deixando bem claro o que é possível ou não fazer em dado momento. É dizer NÃO quando essa é a melhor maneira de educar. É dizer SIM, quando essa é a melhor resposta possível diante do merecimento do filho. Respeitar é dar colo independente da idade, ou dar bronca sem prestar atenção ao tamanho do filho. Respeitar é educar sem humilhar. É amar sem que com isso caia na submissão. Entretanto a condição necessária para que isso realmente ocorra é a presença dos pais na vida dos filhos. Não tem escapatória. Como dizia um antigo comercial de remédio: “Não basta ser pai, tem que participar.” A semana começa hoje que, tal praticar esses conceitos no dia a dia com seus filhos???? Um forte abraço a todos.

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Por Gilberto F. da Silva (coluna 3)
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Hoje é segunda feira, tive um fim de semana legal, com muitas atividades sociais. Algumas delas me deixaram cansado, mas feliz. Para que algumas atividades acontecessem, tive que abrir mão de outras. A vida é assim, feita de escolhas. Às vezes escolhemos o melhor para nós, outras escolhemos o melhor possível, que é uma forma popular de dizer é “o menos pior”. Na minha maneira de ver as coisas, sempre escolhemos, mesmo que de forma inconsciente, mesmo quando deixamos de escolher, fazemos uma escolha. E se escolher é a condição primordial, porque não fazer escolhas de formas conscientes e guiadas por nossa vontade? Para isso acontecer devemos estar atentos aos nossos sentimentos, nossas emoções, nossos desejos. Devemos estar presentes diante de nós e consciente do que queremos e podemos alcançar. Hoje vou abordar um tema muito importante e que afeta a maioria dos lares brasileiros: a educação dos filhos. Como educar? Bater é correto? Dar tudo o que o filho quer ajuda ou atrapalha? Ser duro como nossos pais foram é a melhor forma? Ou deixar rolar as coisas desperta mais rápido a responsabilidade? Para essas perguntas eu tenho apenas uma resposta: Não sei, pode ser! Pode parecer idiota, mas creio ser essa a única resposta para as perguntas acima. Sabem por que? Explico: Cada relação é única, envolve pessoas diferentes em momentos diferentes, com expectativas diferentes a cada momento. Talvez o leitor esteja se perguntando: “O que fazer então? Nada?”. Respondo: sim e não. Na verdade a única coisa que deveria ser comum em todos os relacionamentos humanos é a presença e o diálogo. Não a simples presença física, mas sim a integral. Estar com os filhos de forma integral, por inteiro, é o que nos habilita a construir com eles uma relação verdadeira, tendo por suporte um diálogo franco e honesto. Durante meus atendimentos tenho percebido que muitos pais não conseguem se disponibilizar para os filhos, principalmente na hora das brincadeiras. Alegam cansaço, estresse, falta de disposição, falta de tempo, etc. Tudo bem, tenho certeza que tudo isso é real, porém, os filhos também o são e não é justo que fiquem relegados ao segundo plano. Brincar, além de educativo, é relaxante tanto para criança quanto para o adulto. Através das brincadeiras é possível construir um sólido laço de amizade e respeito ainda em tenra idade, que perdurará pela vida toda. Além disso, através da brincadeira, é possível saber o que tem acontecido de bom ou de ruim na vida dos filhos, sejam eles pequenos ou grandes. É possível saber de um adulto está se aproximando da criança de forma diferente, é possível saber se algo de diferente está acontecendo em sua vida, é possível perceber alterações no comportamento do filho e assim poder ajudá-lo ou acolhe-lo. É possível muita coisa. PENSEM NISSO. Por enquanto é só. Em breve continuarei a abordar esse assunto. Uma ótima semana a todos.

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Por Gilberto F. da Silva (coluna 2)
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Em recente sessão, ouvi de meu terapeuta que a maior dor do mundo é a da perda de um filho. Ele fazia referência à dor de um pai quando perde um filho para a morte. Na mesma hora retruquei que não. Que a maior dor do mundo é ter um filho desaparecido ou sequestrado. Eu não tinha essa consciência antes de começar o trabalho de atendimento psicológico as mães de crianças desaparecidas. Num sábado, após terminar o trabalho com as Mães do Brasil, dirigi-me para casa de minha ex-esposa, para pegar minha filha que há época tinha 4 anos. Antes, porém, passei na locadora para alugar um DVD. No local havia um pai com uma criança, que pela voz parecia ser pequena. Eles estavam posicionados de um jeito que eu apenas ouvia a voz da criança, mas não os via. Ela o ajudava a escolher qual filme assistiriam. Era uma voz doce, sonora, alegre e cheia de vida como deve ser a voz de uma criança que aparentemente estava feliz. Naquele momento, pensei: Daqui a pouco vou estar com minha filha no colo, vou poder abraçá-la, beijá-la e brincar com ela. E as Mães? Me veio na mente o semblante daquelas mulheres que há apenas alguns minutos eu havia atendido. Pude vivenciar por um momento a dor delas. A dor de voltar para casa e não poder abraçar o filho, a angústia de não poder tocá-lo, de não poder fazer-lhe um carinho. Da saudade de não poder ver seu rosto, de vê-lo correr, sorrir e porque não, chorar. Naquele momento eu me questionei se fosse eu a estar com minha filha desaparecida? O que eu faria? O que sentiria sem saber onde ela esta? Nossa... Não tenho como descrever a angustia que tomou conta de mim e me fez ir correndo para casa da minha ex-esposa, pegar minha filha no colo e beijá-la muito. Como se eu quisesse ter a certeza que aquela angustia sentida não iria acontecer comigo. Essa pequena experiência serviu-me de alerta. A partir daquele instante eu, que já respeitava em muito a força daquelas mulheres guerreiras, passei a respeitar muito mais. Tal experiência me ajudou a olhá-las de outra forma e isso contribuiu para o bom andamento dos atendimentos com elas. Um forte abraço a todos.

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Por Gilberto F. da Silva (coluna 1)
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Estou formado em psicologia desde 1993, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e comecei a atuar como psicólogo em 2001, realizando voluntariamente entrevistas com crianças e adolescentes vítimas de abusos sexuais e/ou maus tratos na Delegacia de Proteção a Criança e o Adolescente (DPCA) do Rio de Janeiro. Atualmente realizo o mesmo trabalho na DCAV (Delegacia da Criança e Adolescente Vítima) do Rio de Janeiro, sou pós graduando pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) em combate a violência contra a criança e ao adolescente, faço palestras e ministro cursos sobre o tema abuso sexual. Em 2005, conheci a Wal Ferrão, presidenta do Portal Kids e o trabalho que ela realizava com as Mães do Brasil de forma voluntária e com muita luta. Achei seu esforço e dedicação pela causa bacana e me ofereci para ajudar de forma voluntária no que me fosse possível. Entretanto, me surpreendi com o convite dela para atuar num projeto de atendimento psicológico a ser realizado pela instituição que teria o apoio do projeto Criança Esperança. Não tinha a menor idéia por onde começar, mas tinha algo que hoje percebo ter sido de suma importância para um bom inicio de trabalho. UM VERDEIRO RESPEITO PELA CONDIÇÃO HUMANA. Pode parecer pouco, mas quando nos relacionamos com alguém tendo essa condição como base, não importa aonde o relacionamento chegue, pode ter certeza que chegará aonde for melhor ou for possível para ambos. Quando se alcança esse resultado, mesmo num clima de dor, é muito libertador. Esse início respeitoso permitiu que eu escutasse as demandas das mães com um olhar pouco preconceituoso e muito atencioso. No decorrer do processo de atendimento pude perceber a baixa estima delas, que acarretava uma baixa energia para realizar simples tarefas diárias ou em estabelecer e/ou manter vínculos afetivos. Nada na vida importava. Mas, ao contrário de pessoas com quadro depressivo grave, em que se perde a visão do que se quer, as mães sabiam o que queriam: a volta dos filhos desaparecidos. Esse querer dominava a vida delas, fazendo com que deixassem de dar atenção a outras coisas importantes, como os maridos, os outros filhos, parentes, amigos, o lazer, a vida pessoal e profissional. A vida para elas só tinha um objetivo: achar os filhos ou pelo menos obter uma resposta definitiva sobre o que aconteceu. Hoje, quando relembro aqueles rostos sofridos, aquelas expressões de desanimo; às vezes escondida debaixo de um sorriso, sinto-me honrado por ter participado desse trabalho, de estar ao lado delas, das que participaram ativamente das reuniões e daquelas que simplesmente dormiam quase todo o tempo. Entendo que acolher é isso, ver o outro e perceber o que ele pode oferecer ao grupo. Para muitas delas estar ali já era uma vitória, mesmo que dormindo. Interessante, mesmo a distância e depois de tanto tempo, aquelas mulheres guerreiras ainda conseguem (mesmo sem saber) ocupar um importante lugar na minha vida profissional e no meu coração. Percebo isso ao escrever este primeiro artigo, de uma série que fui convidado pelo Portal Kids a criar sobre meu trabalho de atendimento psicológico com as Mães do Brasil e também sobre outros temas de interesse humano. Novamente sou surpreendido com essa inusitada proposta e novamente começo essa nova atividade tateando, como aconteceu nas primeiras reuniões de atendimento. Espero que as mães de crianças desaparecidas e o público em geral possa encontrar e oferecer a si mesmos, a seus familiares e à sociedade, toda a capacidade de superação que as Mães do Brasil têm encontrado e fornecido a si mesmas e a quem com elas convivem.

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