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10 dezembro 2019

Direitos Humanos no Brasil


Há 71 anos a Organização das Nações Unidas criou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ainda hoje o que mais vemos são críticas pejorativas ao trabalho dos ativistas brasileiros. O conceito do tratamento igualitário ainda nos desafia. O que seriam dos desaparecidos se mães como as Mães do Brasil, no Rio e as Mães da Sé de São Paulo não b se tornados ativistas da causa de seus filhos? A Amazônia queima sem Chico Mendes, a fome cresce sem Betinho, a saúde agoniza sem Zilda Arns e a milícia impera sem a juíza Patrícia Acioli. Foram criticados, julgados, assassinados. Quem terá coragem de os substituir? Você não precisa ser um ativista, mas 71 anos depois, não está na hora de entender a luta de quem faz Direitos Humanos no Brasil.

09 abril 2018

Mães do Brasil na posse do novo Secretário de Direitos Humanos

Hoje estivemos na posse do novo secretário municipal de assistência social e direitos humanos, João Mendes de Jesus no Palácio da Cidade, Botafogo, RJ. Momento de deferência a nossa Mãe do Brasil, a militante Jovita Belfort. #maesdobrasil #jovitabelfort #dkaaustria

08 agosto 2016

Avaliando a Lei Maria da Penha na EMERJ

A EMERJ lotou para debater a Lei Maria da Penha que completou 10 anos

Neste domingo, 7, a Lei Maria da Penha comemorou 10 anos de existência. No último dia 03 estivemos mais uma vez na Escola de Magistratura do Rio de Janeiro (EMERJ) para um encontro onde por três horas foram debatidos os avanços e retrocessos. As palestrantes, Dra. Nilcéa Freire e Dra. Andréa Pachá, a debatedora Leila Linhares, lideradas pela Juíza Adriana Ramos de Mello e o Desembargador Caetano Fonseca emocionaram os ouvintes de todas as idades com suas trajetórias na defesa das mulheres brasileiras e acenaram os caminhos que podem deixar a lei ainda mais forte.

“Sabemos que estamos juntas. Não nos afastemos jamais”, pediu Dra. Nilcéa ao encerrar sua fala.

Um comentário que nos chamou a atenção. Realmente, muito do que conquistamos na defesa dos direitos das mulheres foi através da força da união das mesmas. Todas as que chegam ao Portal Kids depois de uma luta solitária, primeiro se espantam ao encontrar histórias muitas vezes mais difíceis que as suas. Na troca e na solidariedade crescem e se fortalecem, assim como nós. O isolamento também alimenta a impunidade. Portanto, vamos buscar a união sempre, principalmente no aspecto mais difícil, que é a união nas diferenças.

Por Wal Ferrão
wal.ferrão@portalkids.org.br

22 outubro 2010

Saudosismo de "mãe"


Nicolas com Ariane, ela com Mariana e Renata, Dandara e Thais, nossa Gente do Amanhã

Quarta, 20, foi um dia especial. Eu e a psicóloga Valéria Magalhães realizamos a primeira reunião de diretoria que deu a largada no projeto Gente do Amanhã. Este projeto começou a nascer em 2006, durante as reuniões de atendimento psicológico do projeto Mães do Brasil, que teve o apoio do Criança Esperança, um projeto da TV Globo em parceria com a Unesco.

Mais animadas e fortalecidas pelo atendimento psicológico, as mães passaram a levar os filhos para a UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) onde era desenvolvido o projeto. A criançada, irmãos e irmãs de desaparecidos, se juntou com as crianças que iam sendo localizadas por nós e a convivência se deu nos moldes de uma grande família.

Para administrar o entusiasmo da garotada, começamos a fazer dinâmicas com as crianças – eu, que fui professora e atriz, inseri leituras, jogos, coral, teatrinho, entre outras atividades; e Valéria, atendimento psicológico. Fomos percebendo que, a exemplo de suas mães, as crianças sentiam necessidade de partilhar experiências e que o convívio com outras crianças que vivenciavam a mesma situação de perda que elas, tirava o sentimento de exclusão.

Ano passado, diante da insistência de Nicolas Raline, um dos jovens que frequentavam os encontros naquela época, de trabalhar como voluntário da instituição, perguntei o que achava de um projeto que atendesse as crianças. Nicolas gostou da ideia, mas achou que o projeto deveria começar atendendo aos jovens que estavam fazendo a transição para a vida adulta, começando uma vida social e profissional. Pedi que ele desenvolvesse a ideia e surgiu o projeto Gente do Amanhã, que vai promover, com o apoio da DKA-Áustria, acesso ao lazer, a cultura e ao mercado de trabalho. Vamos tentar ajudar nossos jovens a realizar seus sonhos e projetos pessoais.

Quando encontrei com Valéria comentei que naquele dia acordei com um sentimento de emoção e saudosismo. Até outro dia eles estavam correndo na UERJ e agora Nicolas, estudante de jornalismo, vai comandar um projeto para a gente que ele ajudou a idealizar. Dandara Magalhães, que era repórter "kids" do nosso portal, vai estudar jornalismo. Renata Oliveira, estudante de direito, até outro dia estava me pedindo: “Tia, me chama, para qualquer coisa que você fizer, quero participar dos projetos da ONG."

Acredito que educação é olhar para a criança, reforçar o que ela tem de bom, lapidar o que está errado e deixá-la experimentar. Esse projeto tem a alma de nossas crianças. Ou melhor, de nossos já quase adultos, de nossa Gente do Amanhã.

Se você tem de 16 a 20 anos, teve um familiar vítima de desaparecimento e deseja conhecer esse projeto, entre em contato. Empresas e instituições interessadas em conhecer o projeto e as propostas de ações que temos a oferecer aos jovens nos envie um e-mail para: gentedoamanha@portalkids.org.br

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

21 outubro 2010

Lições no trânsito do Rio


Um sono profundo se abate sobre a maioria dos homens, mulheres e jovens com seus fones de ouvido a cada manhã nos ônibus. Uma maneira de não “enxergar” os idosos e ter que ceder os assentos. Ha dois dias, no trajeto para o trabalho, não foi diferente. Até que entrou um deficiente visual obrigando o jovem sentado diante de mim a ceder sua poltrona. Quando o deficiente soltou, permiti que uma idosa a ocupasse, o que fez o garoto me olhar meio atravessado, afinal, o lugar era dele. Cheia de simpatia a senhora comentou comigo:

“Tenho sorte! Sempre encontro alguém que me cede o lugar...”

“É mesmo!” – comentei.

Ao que ela me confidenciou sorrindo:

“É que quando jovem ajudei muitos idosos!”

Em dado momento a senhora, movida por aquela necessidade que a gente tem de compensar os que nos são generosos, lamentou eu estar o tempo todo de pé. Expliquei que estava acostumada, sempre cedia o lugar. E contei que trabalhava com direitos humanos. Que direitos humanos começa em casa, ou melhor, dentro da gente. Foi aí que a senhora, que acabei nem conhecendo o nome, me presenteou com sua sabedoria de vida:

“Seu trabalho deve ser bem difícil, mas não desista. É melhor fazer o bem com desvantagem do que o mal com vantagem. Já reparou que fazer o bem requer um sacrifício no momento? Ao contrário do mal, que de saída gera uma vantagem para quem o pratica. Mas o preço a pagar depois é caro. Ao contrário do bem. Quando a recompensa do bem chega é para sempre!”

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br