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07 fevereiro 2018

História de Larissa viraliza nas redes sociais


No último dia 31 de janeiro o sequestro de Larissa completou 10 anos. Sequestrador identificado, preso e condenado. No entanto, o destino da menina, retirada de sua casa em São Cristovão, RJ, no momento em que sua tia, que a criava como filha, foi levar a irmã mais velha no posto de saúde do bairro, permanece ignorado.

Fizemos um post singelo nas redes sociais e posteriormente, divulgamos o cartaz de como Larissa estaria hoje através da progressão de imagem realizada pela Delegacia de Descoberta de Paradeiros do Rio (DDPA). Post e cartaz se tornaram virais. Juntos tiveram em torno de 100 mil compartilhamentos.

Raquel Gonçalves, a mãe de coração de Larissa, gravou uma mensagem de agradecimento em seu nome, de sua família e das Mães do Brasil.

Muito obrigada à todos!

02 janeiro 2016

Documentário sobre o Projeto Gente do Amanhã estreia na Europa


Convidamos vocês a assistir a um documentário gravado em novembro no Brasil sobre o Projeto Gente do Amanhã, realizado pelo Portal Kids com o apoio da Agência Internacional DKA Áustria e que estreou na Áustria neste dia primeiro de janeiro. Por coincidência na data de aniversário de Amanda do Nascimento, sequestrada e morta quando tinha 9 anos no ano de 2002, cuja a história foi retratada no documentário, sem imaginarmos que ele estrearia no dia em que ela, se fosse viva, completaria 22 anos.

Este documentário é dedicado a Amanda, para quem ainda buscamos a Justiça dos Homens.

http://tvthek.orf.at/program/Hilfe-unter-gutem-Stern/11467964/Hilfe-unter-gutem-Stern-Hinter-Brasiliens-strahlender-Kulisse/11480836

18 maio 2015

Você tem filho desaparecido? Atualize seus contatos com as instituições!


Estamos a procura da mãe de Yasmin Pereira da Rosa

Em nossa página do facebook acabamos de postar uma convocação para que mães de desaparecidas, que precisamos entrar em contato urgente, sejam localizadas. Seus contatos telefônicos estão desatualizados não só em nossa instituição, como em outros organismos de busca de desaparecidos e na polícia.

Entendemos que a demora na solução desses casos acaba desestimulando mães e familiares a continuar buscando ou lutando por atendimento de qualidade. Mas, se a mãe não renova seus contatos, como será localizada no caso de ocorrer qualquer novidade a respeito do caso?

A convocação em questão refere-se ao exame de DNA de ossadas de meninas que vem sendo sequestradas em série desde 2001. Todas as mães que continuam lutando conosco por uma resposta sobre o paradeiro de suas filhas já se submeteram a coleta. O exame será realizado em conjunto e a não localização das demais genitoras irá retardar o processo.

Por essa razão convocamos as mães das desaparecidas Andréia Ferreira da Mota, Caroline Menezes Cardoso, Jéssica Caroline da Costa Faria, Karolaine de Oliveira Caldas,

Samanta Costa de Carvalho, Taís Bernardino e Yasmin Pereira da Rosa a entrarem em contato urgente conosco ou através do e-mail: atendimento@portalkids.org.br

Todo responsável por criança ou adulto desaparecido deve manter atualizados os seus contatos junto as instituições e também avisar caso o desaparecido seja localizado.

Pedimos que entrem em nossa página no facebook e compartilhem as convocações para que as famílias sejam localizadas: www.facebook.com/ONGPORTALKIDS

 

 

10 março 2015

Feliz aniversário Diana



Hoje é aniversário da Mãe do Brasil Diana Soares. Ela chegou ao movimento em 2005 depois que a filha dela, Dyanna Soares Conceição, 11 anos, foi sequestrada ao sair da casa de uma amiguinha em 19/06/2005. Diana conheceu Elisabete Barros, a mãe da Thais e coordenadora do movimento Mães do Brasil na delegacia e pediu para frequentar os encontros na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde naquele ano se desenvolvia o projeto, com o apoio do Criança Esperança, um projeto da TV Globo em parceria com a Unesco.

Diana chegou tímida, chorosa, perguntando o que precisava fazer para pertencer ao grupo.

“Ser bonita!” – brincou Wal, presidente do Portal Kids. “Se sua filha vê você assim abatida ela não vai querer voltar para casa.”

Naquele dia a própria Bete ajeitou o cabelo de Dyanna, passou batom. Mesmo assim os primeiros dias dela no grupo foram de silêncio e desespero. Quase não se ouvia a voz dela.

Até que um dia as Mães do Brasil foram convidadas para dar uma palestra num clube da Praça Seca, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, local em que estavam ocorrendo muitos sequestros de meninas.

Wal foi com as mães e a psicóloga Valéria Magalhães, mas não ficou para a palestra, pois foi para a delegacia da área resolver o caso de tentativa de sequestro de uma menina.

Horas depois, ao voltar para o clube, Wal espantou-se ao encontrar as Mães do Brasil na praça, que estava cercada pelo Bope.

“O que aconteceu aqui, chacina???” – espantou-se Wal.

E Valéria respondeu:

“Foi Diana quem atraiu o Bope. Isso porque ela subiu num banquinho e fez um discurso em prol dos direitos humanos. Ficaram com medo do número de gente que ela atraiu e chamaram o Bope. Wal, você transformou essa mãe num monstro!!!!”

“Eu??? A Diana??? Mas ela nem fala! O que te deu?” – perguntou a Wal.

“Nada. Só aprendi que nós, mães, temos que aprender a defender os nossos direitos!” – respondeu Diana.

E dali em diante, ela ficou conhecida como: Diana, a Guerreira!

Uma mulher que a cada dia vence a si mesma. Faz faculdade, trabalha e procura prestar a caridade dentro e fora de sua religião. E é bem bonita, não?
Te amamos Diana. Saúde e muitos anos de vida. E de vitórias!

 

09 março 2015

Amanhã acontece o julgamento do suspeito do sequestro de Thais


Thais em suas últimas fotos pouco antes de ser sequestrada
 
Amanhã acontece a audiência, provavelmente a última antes da decisão, do suspeito do seqüestro de minha filha. Será às 13h30min no Fórum de Bangu no Rio de Janeiro. Como sempre, as Mães do Brasil estarão comigo, me apoiando, pois me encontro com o coração em frangalhos.

Volto ao tempo e lembro dos últimos dias com você, Tatá. No dia 21 de dezembro de 2002 saímos para comprar a roupa que você usaria no Natal. A última imagem que guardo de você é o seu lindo sorriso, ao comprarmos a roupa. Naquele dia mesmo você foi para a casa de seu avô, em Vila Kennedy, onde passaríamos o Natal. No dia seguinte, dia do sequestro, você me ligou perguntando quando eu e seu pai chegaríamos. Respondi que iria primeiro ao mercado, mas em breve chegaria. Foi a última vez que ouvi sua voz. Tantos anos e ainda lembro do seu sorriso naquele dia, do som da sua voz no telefone. 

Ao chegar na casa de seu avô encontro todos os parentes e vizinhos percorrendo o bairro com sua foto na mão. Ao me inteirar do que aconteceu, que um homem te sequestrou enquanto comprava sorvetes com seu primo, a poucos metros de sua tia, o chão sumiu de meu pés. E até hoje sinto que não tenho chão para pisar. Naquele momento minha vida e a de nossa família foram inteiramente destruídas.

A busca esses anos a fio, delegacias, autoridades, desespero, doenças, tristeza. Não posso dizer que eu viva Thais. Minha vida perdeu inteiramente o sentido. Então procuro tornar os outros felizes, pois eu só conseguirei sentir felicidade novamente quando te reencontrar.

Tenho esperanças minha filha, principalmente agora que uma das mães de nosso grupo encontrou seus filhos sequestrados após 34 anos. Taís, seja o que for que tenha acontecido com você, não tenha vergonha de nos procurar. Só quero poder te abraçar de novo, minha filha.

Por misericórdia, compartilhem minha mensagem para Thais. Quem sabe ela ou alguém tem coragem de contar algo sobre seu paradeiro.
Thais estava com o vestido que aparece no outdoor no dia do sequestro
 

06 março 2015

Thais, uma menina alegre que sonhava em ser professora



Thais você sempre foi alegre, brincalhona e ativa. Será que continua? O que mais peço em minhas orações é que a maldade humana não tenha tirado de todo o seu sorriso.

Minha filha, como me orgulho da aluna excelente que você era na escola. Minha Tatá, como em casa a chamávamos.  Eu sempre dizia que você era o meu bebezão, pois sempre foi grandona.

Lembra que o que você mais gostava na vida era dançar e tirar fotos? Desde pequenininha caprichava nas poses, de perninhas cruzadas e fazendo caras e bocas.

Você queria ser professora quando crescesse e eu a incentivava. Comprei até um quadro negro para você dar aulas para suas bonecas, lembra filha?
Família para você era tudo. Sempre foi grudada conosco. Procuro não pensar no desespero que sentiu ao ser afastada de nós, mas é impossível, Tatá. Então oro, por ironia do destino oro a Deus que você tenha sido traficada e adotada por uma família que te ame quase tanto como nós, sua família verdadeira. As outras opções são tão crueis, meu bebezão. Que Deus em sua infinita misericórdia a proteja, coisa que não tive o direito de fazer.

Nunca deixamos de pensar em você. Penso você quando acordo, quando como, quando durmo, quando respiro. Sua lembrança me acompanha em todos os momentos. Nunca deixarei de lutar por você, minha filha. Eu te amo!

 

04 março 2015

Cartaz de Thais


Agradecemos o interesse na história de Thais. Publicamos aqui o cartaz com os dados do desaparecimento dela. Lembramos que na página Campanhas/Cartazes existem imagens de nossos desaparecidos, como também no www.facebook.com/ONGPORTALKIDS

Quem puder compartilhar as imagens, antecipadamente agradecemos.

Mães do Brasil

03 março 2015

Thais, meu bebê precoce



Quero agradecer a todas as pessoas que leram a mensagem que mandei para minha filha. O post bateu recorde de visualizações no blog e nas redes sociais. Como eu gostaria que uma dessas pessoas fosse Thais. Às vezes penso que ela tem medo de voltar. Que ela possa ter tido uma vida difícil depois que foi tirada de mim e pense que não vou aceitar.

Minha filha, meu amor por você é maior que tudo, aceitaria você em qualquer circunstância, em qualquer situação.

Lembro do dia em que você nasceu. As contrações começaram por volta das 5 horas da manhã. Às 8 horas dei entrada na maternidade. Como não tinha dilatação, às 17 horas o médico mandou que eu fosse levada para o Centro Cirúrgico. Fiquei muito nervosa e comecei a chorar Thais. Como toda a mãe eu queria que você nascesse de parto normal, mas uma enfermeira me acalmou, garantindo-me que a cesariana seria melhor para você, que chegou ao mundo às 18h10min de uma quarta-feira. Apesar de você estar com o cordão umbilical enrolado no pescoço, tudo deu certo.

Você foi um bebê formidável Tatá. Fazia todos rirem quando fazia “carinha feia”, que na verdade, de feia não tinha nada. Com oito meses começou a falar e com nove meses a andar. Meu bebê precoce!

Por Elisabete Barros, mãe de Thais
 
 
 
 

02 março 2015

Mensagem para Thais


Thais foi sequestrada em 22 de dezembro de 2012 no Rio de Janeiro
 
O próximo dia 10 de março será um dia muito difícil para mim. Acontece mais uma audiência do suspeito do sequestro de minha filha Thais, ocorrido na véspera de Natal de 2002. O suspeito já foi condenado pelo sequestro de outra menina, Larissa, ocorrido seis anos depois do de minha filha. Ansiedade, expectativa, desespero, medo, tudo passa por minha mente.

Então, resolvi falar para minha filha, na esperança de que as mensagens que vou enviar daqui cheguem a ela de alguma forma.

Thaís, você foi uma filha planejada, por mim e por seu pai. Nós te desejamos muito. Quando finalmente engravidei de você, fiquei tão feliz, assim como seu pai e toda a nossa família. Sempre me perguntavam, como, aliás, perguntam para toda mulher grávida, se eu queria menino ou menina. Eu respondia: Que venha com saúde. Mas no fundo eu sabia que era uma menininha. E quando tive a certeza fiquei tão feliz. Quando você começou a se mexer dentro de mim, quanta emoção senti, Thais.

A barriga crescia e também minha ansiedade de conhecer sua carinha. São 12 anos sem te ver Thais. Hoje, também imagino como estará seu rostinho.

Compartilhem minha mensagem para que ela chegue à filha que tanto amo. Seja em que circunstância essa mensagem te encontrar, Thais. Seja o que for que tenha te acontecido, meu amor por você só fez crescer.

Sua mãe, Elisabete de Lima Barros

Elisabete grávida de oito meses
 
 

31 janeiro 2015

Sete anos sem Larissa


Momentos bons são pra serem vividos intensamente, pois nunca sabemos se vamos ter quem amamos por perto muito tempo. Tenho certeza que no dia em que as fotos foram tiradas vivi momentos felizes ao lados delas. Queria sim que voltassem esses dias, pois tinha vocês duas felizes e sorridente ao meu lado. Mas sei que isso e impossível, pois há sete anos e oito meses ela, a minha rainha, a minha mãe, que jamais imaginava que iria partir, se foi, me deixando com muita saudade. Porém, tinha certeza que
ela tinha  mesmo partido.
 
Só restou eu e minha irmã tendo que aprender a viver sem ela.


Exatos oito meses após a partida da minha mãe, me vem um monstro e ARRANCA minha irmã da minha vida, privando-a de ter sua infância, privando-a dos momentos que teríamos juntas.

Hoje completam sete anos sem você Larissa, sem seu sorriso, suas manhas, seu choros. Não sei onde você está, como está, só sei que jamais irei desistir de te encontrar. Sei que Deus trará a resposta na hora certa, e que um dia vamos nos reencontrar e viver todos os momentos perdidos juntas.

Te amo minha irmã.

Por Luana Gonçalves

25 novembro 2014

Compartilhe o cartaz de Dyanna

 
Após uma intensa campanha nas redes sociais, conseguimos renovar mais um cartaz dos desaparecidos buscados por nossa instituição. Este foi confeccionado pelo designer Victor Tufani e
doado pela brasileira que reside nos Estados Unidos, Eliane Nonni. Ela tem dois filhos, acompanha nosso trabalho há muito tempo e até já fez uma manifestação por nossos crianças com a ajuda da filhinha Giulia. Encantados com a atitude da menina, a direção da escola de Giulia, que é americana, divulgou seu ato de cidadania como exemplo a ser seguido pelos estudantes.

Nas redes sociais tivemos muitos compartilhamentos do cartaz de Dyanna. E você, vai nos ajudar compartilhando a imagem dela onde puder. Vale também imprimir e fixar em locais de grande circulação de pessoas. Pedimos aos seguidores estrangeiros dessa página que compartilhem a imagem dela pelo mundo. Há suspeitas que Dyanna possa ter sido vítima do tráfico de crianças para fins de exploração sexual.

21 agosto 2014

Respeitem nossa dor por Thais



Essa noite tive um pesadelo, cenas confusas sobre um exame de DNA que estava finamente sendo realizado para descobrir se Thais, a menina que buscamos desde o ano de 2005, está viva ou morta. Acordei aflita. O sonho até se justifica. Hoje, Elisabete Barros, a mãe de Thais, esteve no Ministério Público para tomar informações sobre a audiência que será realizada no próximo dia 26, que julgará a participação do suspeito do sequestro de sua filha de 9 anos, levada na véspera de Natal de2002 de uma feira livre em Vila Kennedy, subúrbio do Rio, quando comprava sorvete com um primo. O menino ficou, hoje é uma das testemunhas do processo.

No fim do ano passado, durante audiências da CPI da Exploração Sexual da Criança e do Adolescente e da CPI do Tráfico de Pessoas, a força tarefa designada para investigar o caso das meninas, garantiu que o exame de DNA seria finalmente realizado. Como também que a Delegacia dos Desaparecidos do Rio de Janeiro seria inaugurada em julho de 2014. Se as mães tivessem ido para a rua acorrentadas pelo pescoço – e não o foram porque as duas ações foram prometidas – será que o DNA já não teria sido realizado e a delegacia estaria funcionando?

Anos de luta para o julgamento emperrar pela falta de um exame de DNA. Será que as autoridades pensam por um momento o que esses 12 anos sem saber o que aconteceu com a filha, se está maltratada, prostituída, morta e os ossos enterrados como de uma indigente significaram para a vida da Elisabete? Ela nunca desistiu, mas está no limite de suas forças, saúde, tristeza e exaustão. Só mais um pedido autoridades brasileiras: Tenham respeito com a dor do semelhante. E se essa linda menina fosse filha de vocês?

Por Wal Ribeiro

wal.ferrao@portalkids.org.br

18 dezembro 2013

Novo cartaz/campanha do Portal Kids

"O Natal me machuca de uma forma lenta, dilacerante. Minha filha me foi tirada dois dias antes do Natal. Este será mais um Natal sem Thais, mais um Natal sem poder acariciar seus cabelos, ouvir sua risada gostosa, que enchia meu coração dealegria. Este ano comprei um pisca-pisca, mas não tive forças para arrumar a árvore e enfeitar a casa de luzes como minha filha gostava. Tudo isso ficou para trás, desde 2002, quando Thais teve sua infância roubada, como também seu sonho de crescer e se tornar professora. Desde então minha vida se tornou um mar sem terra para aportar.
Encho-me de força e coragem para te dizer essas palavras minha filha, minha Thaís: Não sei por onde você anda... Não sei se ainda respira... Eu estou me consumindo aos poucos. Também perdi meu sorriso, perdi minha vida. O tempo passa e ao invés de melhorar, piora. A saudade aumenta e vai me matando ao poucos. Eu só queria poder te reencontrar nesse Natal."

Elisabete de Lima Barros, a autora deste comovente texto, é Mãe do Brasil, é mãe de Thais, a menina que é mostrada nessa imagem. Compartilhe nosso cartaz/campanha que foi reformulado pelo designer Victor Tufani.
Nosso objetivo é conseguir uma pista do paradeiro de Thais. O suspeito de seu sequestro, condenado a 7 anos de reclusão em regime fechado pelo sequestro de Larissa Gonçalves Santos, está foragido. É esperar que a Polícia do Rio de Janeiro cumpra seu papel de defensora da sociedade e o prenda antes do Natal. Divulgue o cartaz/campanha com a imagem de Thais através das redes sociais, imprima-o e fixe-o em um local de grande circulação de pessoas. Roubaram tudo de Thais, mais exigimos a Justiça dos homens para ela.

19 setembro 2010

Suely Porfírio sobre o desaparecimento de sua filha Vanessa: "No Brasil não se respeita crianças pobres!"


“Vanessa era uma menina inteligente, extrovertida e responsável. Aos 10 anos me ajudava nas tarefas domésticas e passou a ir ao mercado fazer pequenas compras. Morávamos no morro da Coroa no Rio de Janeiro e ela descia na kombi comunitária que fazia ponto em frente ao mercado. No dia em que desapareceu, ela voltou cedo da escola porque a professora estava doente. Foi ao mercado comprar uma lata de óleo e não voltou. Mandei meu filho mais velho procurá-la e quando ele voltou dizendo que ninguém tinha visto Vanessa, comecei uma busca desesperada. Fui ao supermercado, aos bares e lojas em volta, mas ninguém a viu. O motorista da kombi disse apenas que a viu atravessar a rua em direção ao supermercado. Subi o morro a pé, fui na casa de vizinhos, de amiguinhas de Vanessa, fui ao hospital da área, ao corpo de bombeiros. Rodei o dia todo, sempre voltando em casa, para ver se ela tinha aparecido. Por volta das 22 horas, fui à delegacia. O policial de plantão insinuou que minha filha havia fugido com o namorado. Em prantos, expliquei que ela tinha apenas 10 anos, não tinha nem corpo de moça, que dirá namorado. Ele me mandou ter calma, que daqui a pouco Vanessa apareceria. Amanheci aquela noite na rua, andando de um lado para outro. No dia seguinte, peguei uma foto de Vanessa e junto com alguns vizinhos, fizemos uma manifestação em frente ao supermercado. O jornal O Povo apareceu e fez a primeira matéria. Nem assim a delegacia aceitou registrar a ocorrência. O delegado só sabia dizer que Vanessa havia fugido com o namorado, mas eu sabia que algo muito grave havia acontecido. Fiquei sete dias sem colocar nada na minha boca. Andava, andava, andava, procurando Vanessa desesperadamente. Várias vezes desmaiei de fraqueza. Fiz outra manifestação, desta vez na entrada do túnel Santa Bárbara. Os policiais apareceram e começaram a atirar. Assustadas, as crianças que estavam na manifestação pacífica correram para dentro do túnel. Dois rapazes que chegavam do trabalho e nem estavam na manifestação correram para ajudar e acabaram presos. Desmaiada, fui levada para casa e depois à polícia apareceu para me buscar. Fui detida para o batalhão e lá expliquei que tentava há duas semanas registrar o desaparecimento de minha filha. Consegui registrar, mas nunca fizeram nada pelo caso de Vanessa. Dei uma entrevista no programa Sem Censura, da TVE. Um rapaz telefonou dizendo que minha filha estava na Bahia. Minha vizinha também passou a receber telefonemas de uma criança chorando. O delegado se recusou a rastrear as ligações. Quando a conta chegou, descobrimos que as ligações - a cobrar - estavam vindo de uma cidade do interior da Bahia. O rapaz voltou a telefonar dando a localização de onde estava Vanessa. O Jornal Nacional da Rede Globo foi até a cidade e filmou uma menina muito parecida com minha filha. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro localizou uma testemunha que confirmou que Vanessa estava vivendo numa casa que ficava próxima à casa em que essa testemunha trabalhava como empregada doméstica. Essa denunciante veio depor no Rio de Janeiro e me disse que, quando passava para o trabalho, via Vanessa na porta da casa chorando. Contou, também, que Vanessa fez amizade com uma menina da casa que ela trabalhava, que inclusive a deixava fazer as ligações. A moça contou que Vanessa só chorava e dizia estar com saudades da mãe. Nesse meio tempo, chegou ao meu conhecimento que uma caixa do mercado tinha deixado o emprego, porque viu uma mulher loira forçar uma criança a entrar num carro branco. Essa moça fugiu apavorada com medo de ter que denunciar. Procurei-a por todos os lugares mas não consegui encontrar. A policia prendeu os dois homens acusados de manterem Vanessa em cárcere, mas não encontraram a menina. Depois, essa denunciante voltou atrás no depoimento e eles foram soltos. Aquela velha história de que sem corpos não há crime. A liberdade desses homens me fez desacreditar totalmente na Justiça. Até hoje, guardo a conta com o número dos telefones dados por minha filha da casa desses homens. A Justiça tinha tudo para encontrar minha filha. Só faltava um pouquinho. No Brasil, não se respeita a vida humana, não se respeitam as crianças pobres."