02 março 2015

Mensagem para Thais


Thais foi sequestrada em 22 de dezembro de 2012 no Rio de Janeiro
 
O próximo dia 10 de março será um dia muito difícil para mim. Acontece mais uma audiência do suspeito do sequestro de minha filha Thais, ocorrido na véspera de Natal de 2002. O suspeito já foi condenado pelo sequestro de outra menina, Larissa, ocorrido seis anos depois do de minha filha. Ansiedade, expectativa, desespero, medo, tudo passa por minha mente.

Então, resolvi falar para minha filha, na esperança de que as mensagens que vou enviar daqui cheguem a ela de alguma forma.

Thaís, você foi uma filha planejada, por mim e por seu pai. Nós te desejamos muito. Quando finalmente engravidei de você, fiquei tão feliz, assim como seu pai e toda a nossa família. Sempre me perguntavam, como, aliás, perguntam para toda mulher grávida, se eu queria menino ou menina. Eu respondia: Que venha com saúde. Mas no fundo eu sabia que era uma menininha. E quando tive a certeza fiquei tão feliz. Quando você começou a se mexer dentro de mim, quanta emoção senti, Thais.

A barriga crescia e também minha ansiedade de conhecer sua carinha. São 12 anos sem te ver Thais. Hoje, também imagino como estará seu rostinho.

Compartilhem minha mensagem para que ela chegue à filha que tanto amo. Seja em que circunstância essa mensagem te encontrar, Thais. Seja o que for que tenha te acontecido, meu amor por você só fez crescer.

Sua mãe, Elisabete de Lima Barros

Elisabete grávida de oito meses
 
 

27 fevereiro 2015

Ontem, hoje, amanhã e um novo projeto


Ontem entreguei o edital de um projeto que, se aprovado, pode ser significativo para muita gente que, como eu, está em busca de algo que dê mais acalanto e mais sentido à vida. Ontem, ao sair do correio, lembrei que venho há dois meses preparando esse projeto com dedicação e paciência. Antes, ao imprimi-lo, a tinta acabou. Por mais bizarro que possa parecer ninguém conseguiu abrir o recipiente para trocar o cartucho de tinta da impressora. Acabei arrumando uma solução criativa porque a hora do final do expediente dos correios se aproximava. Imprimi em tinta colorida, tirei cópia na papelaria e fui postá-lo. Sai da agência com um sentimento de cansaço emocional extremo pelo dia aflitivo e corrido, e lembrei-me do capítulo de um livro que estou lendo e estou há dias estacionada.
O livro é “Comentários sobre o viver”, de Jiddu Krishnamurti. Muitos são os adjetivos que o autor ganhou ao longo da vida, mas acredito que um que se aproxima de uma definição de sua pessoa é o de livre pensador.
No capítulo do livro ao qual me refiro ele fala sobre como nossa vida gravita em torno da lembrança do passado e da expectativa do futuro. Diz o autor: “É possível para a mente existir sem um padrão, ser livre dessa oscilação para frente e para trás do desejo?... Essa ação implica viver no agora... Mas nós não estamos vivendo... estamos sempre em busca do passado ou do futuro. O passado e o futuro não sustentam a vida, eles têm a recordação e a esperança da vida, mas não são a vida.”
Sei que meu sentimento em relação ao edital do projeto deveria ser: Fiz o que pude, da melhor forma que pude. E seguir a vida sem expectativas de resultado. Mas é tão difícil conter o querer.

É possível viver plenamente o momento esquecendo o que passou e não projetando que a vida seja conforme nosso desejo? É possível viver a vida com essa total entrega, desapegado do ontem e despreocupado com o amanhã? Foram tão raros os momentos em que tive essa entrega. Mas foram justamente esses momentos que se tornaram inesquecíveis e que deram sentido à vida.

O processo, como sempre, também me fez lembrar das crianças desaparecidas que busco. Elas sempre estão em meu pensamento. Não consigo deixá-las no lugar onde devem estar. Também não consigo ansiar por não encontrá-las. Conviver com a lembrança de um desaparecido é isso. Não se consegue seguir sem ele e nem imaginar um futuro sem ele. O desaparecido está sempre presente. Talvez por isso esse projeto seja tão importante.

Por Wal Ferrão

23 fevereiro 2015

Graça Oliveira, uma amiga preciosa


Wal e Graça brincando no bloco Urubuzada. Foto: Renata Oliveira, Gente do Amanhã

Uma postagem publicada em nossas redes sociais está sendo muito curtida. Na foto eu estou com a Mãe do Brasil Graça Oliveira num bloco. No último sábado, 21, foi dia de atendimento psicológico do Projeto Gente do Amanhã. Atualmente o Dr. Gilberto Fernandes realiza uma avaliação individual do projeto com os jovens e seus respectivos responsáveis. Excepcionalmente, estive no consultório no fim de semana, onde aproveitei para conversar com Graça sobre o projeto Mães do Brasil. Na saída nos deparamos com um bloco que fazia sua despedida do Carnaval 2015 e brincamos de pular.

A foto fez sucesso. Talvez porque represente a superação da vida em cima da dor que é ter um filho desaparecido. Durante a conversa com Graça ela me disse coisas que me causaram uma profunda emoção. Então, publiquei um agradecimento a ela nas nossas redes sociais que aqui reproduzo:

Me deu vontade de falar um pouco dessa amiga preciosa. Nossa busca por Luan, o filho dela, dava um livro. Luan, portador de doença psíquica, desapareceu no trajeto entre a casa de sua avó e sua própria casa. Desde então a vida de Graça se tornou uma busca sem fim, angustiada, dolorosa.

Entre tantas coisas emocionantes, Graça  me disse que não estaria viva se eu não tivesse entrado na vida dela. Então, gostaria de agradecer sua confiança e fidelidade. Graça buscava o filho sozinha pelas ruas durante a madrugada. Mas deixou de fazer isso a meu pedido, pois eu me preocupava com sua segurança. Graça quase bateu em um delegado que me chamou de maluca. Ela, que é tão doce e gentil, aquele dia deu um tapa na mesa e disse: "Não admito que fale assim da Wal. Ela é minha amiga." Graça é aquela que nunca falta com seu apoio seja em que circunstância for. Que veio atrás me guardando enquanto eu precisei desbravar caminhos. Que ri e chora junto. Que me dá a mão seja num cemitério clandestino, seja num bloco de Carnaval, que ela não curte! Aquela que me deixou guiar sua filha no voo da liberdade no Projeto Gente do Amanhã. Mesmo temendo que a filha deixasse o ninho.

Obrigada Graça. Sempre que nos encontramos é tanto desafio e luta a vencer. Mas sou uma privilegiada. Eu tenho amigas como Graça e as demais Mães do Brasil.

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br


19 fevereiro 2015

Meu filho cresceu. E agora?



Um filho muda radicalmente a vida de uma mulher que deseja ser mãe. A partir do nascimento cria-se um elo inquebrável, fundamental para a construção e manutenção física e psicológica de um ser humano. O filho precisa da mãe para se desenvolver e a mulher, ao exercer esse novo papel de formadora e condutora de uma vida, o coloca acima dos demais: esposa, profissional e individuo.

Esse apego mutuo entre mãe e filho vai até o período do que podemos chamar de desmame emocional. Ao chegar à adolescência o filho sente a necessidade de construir a própria identidade, busca independência e quer fazer as próprias escolhas.

A mãe, que abriu mão de boa parte de sua vida para viver em função do filho, se ressente desse afastamento e não aceita ser excluída. Tenta se manter no controle dos passos do filho com a alegação que não deseja vê-lo cometer os mesmos erros que cometeram. Mas é preciso aceitar que o filho cometerá os próprios erros e que aprenderá com eles, independente das tentativas de intervenção da mãe.

Ao invés de se apegar ao passado e tentar coibir a chegada do futuro, a adolescência do filho pode ser um momento especial para a vida da mãe. O momento em que ela também está mais livre e mais madura para se redescobrir e se reinventar, não só como individuo, mas como mulher e profissional. E acrescentar ainda um novo papel, a de amiga do filho.

 

 

31 janeiro 2015

Sete anos sem Larissa


Momentos bons são pra serem vividos intensamente, pois nunca sabemos se vamos ter quem amamos por perto muito tempo. Tenho certeza que no dia em que as fotos foram tiradas vivi momentos felizes ao lados delas. Queria sim que voltassem esses dias, pois tinha vocês duas felizes e sorridente ao meu lado. Mas sei que isso e impossível, pois há sete anos e oito meses ela, a minha rainha, a minha mãe, que jamais imaginava que iria partir, se foi, me deixando com muita saudade. Porém, tinha certeza que
ela tinha  mesmo partido.
 
Só restou eu e minha irmã tendo que aprender a viver sem ela.


Exatos oito meses após a partida da minha mãe, me vem um monstro e ARRANCA minha irmã da minha vida, privando-a de ter sua infância, privando-a dos momentos que teríamos juntas.

Hoje completam sete anos sem você Larissa, sem seu sorriso, suas manhas, seu choros. Não sei onde você está, como está, só sei que jamais irei desistir de te encontrar. Sei que Deus trará a resposta na hora certa, e que um dia vamos nos reencontrar e viver todos os momentos perdidos juntas.

Te amo minha irmã.

Por Luana Gonçalves

28 janeiro 2015

Feliz Aniversário Wal

Bolo feito pela Raquel Gonçalves
 
No dia 26 fizemos uma festa de aniversário surpresa para a presidente do Portal Kids, Wal Ferrão. Raquel Gonçalves fez um bolo personalizado, Cristiane Cruz e Graça Oliveira os salgadinhos e a Elisabete Barros levou os refrigerantes. Foi uma noite de muita emoção, principalmente porque ela não desconfiou de nada. Confira as fotos no www.facebook.com/ONGPORTALKIDS


Da esquerda para direita, Cristiane, Graça, Wal, Bete e Raquel