12 setembro 2010

Vanessa Porfírio Diogo, a Pequena Guerreira


Na tarde de 23 de junho de 1993, Vanessa Porfírio Diogo, então com 10 anos, voltou para casa, situada no Morro da Coroa, no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, porque sua aula na escola municipal onde estudava foi cancelada. Sem ter o que fazer a menina ofereceu-se para comprar uma lata de óleo que sua mãe Suely Porfírio, que trabalhava numa barraca de salgadinhos na própria comunidade, estava precisando. Vanessa trocou a camisa da escola por uma camiseta e desceu na kombi que fazia o transporte dos moradores da comunidade do alto do morro para as ruas no asfalto. O motorista, que conhecia a menina, chegou vê-la entrar no supermercado que ficava próximo a comunidade. Quem poderia imaginar que aquela seria a última vez que Vanessa seria vista por uma pessoa conhecida? E que uma nova notícia da menina só seria conseguida meses depois quando ela própria ligou para o telefone público que ficava situado dentro da comunidade a cobrar. Estava em prantos, mas conseguiu contar a pessoa que atendeu a ligação que ela estava numa cidade do interior da Bahia vivendo com um homem que tinha a alcunha de “Papa Anjo”. Graças a essa ligação os supostos sequestradores da menina foram presos e processados. Mas ela nunca mais apareceu.

A comovente história da pequena Vanessa, o pavor que deve ter sentido ao ser arrancada de casa e o que passou nas mãos do sequestrador; cuja alcunha nos dá a idéia de todo o horror que ela enfrentou; sua desesperada tentativa de socorro, sua coragem, me cortaram o coração. Na época que fiz minha segunda reportagem sobre desaparecimento de crianças, Suely, a mãe dela, havia perdido o contato com as outras mães. Encontrar Suely e entrevistá-la virou para mim uma obsessão. Antes de falar do encontro com essa mulher que me ensinou muito, gostaria de terminar essa postagem com a imagem de Vanessa. Seu corpo nunca foi encontrado. Quem pode dizer que ela não foi repassada para redes de prostituição? Muitas notícias já chegaram sobre Vanessa. Quem tiver qualquer informação sobre ela, não hesite em entrar em contato conosco.

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

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