08 abril 2006

Justiça para Amanda


No último dia 06 de abril levei duas crianças, testemunhas dos seqüestros de duas meninas procuradas por nossa instituição, para fazer o reconhecimento de Carlos Alberto Ferreira de Castilho, que em janeiro de 2006 seqüestrou Israylane Ferreira da Silva, 4 anos. Na época divulgamos o caso no Portal Kids e na mídia, através do Alerta Mães do Brasil, comunicados que distribuímos à imprensa sempre que uma criança desaparece, com o objetivo de divulgar sua foto imediatamente. O seqüestrador foi detido pela Delegacia de Homicídios, que suspeita que ele também tenha seqüestrado e assassinado Amanda do Nascimento, em julho de 2002. Cristiane, a mãe de Amanda, entrou para movimento Mães do Brasil recentemente e o Portal Kids tem por meta ajudar a identificar e prender o assassino de sua filha. Quando ofereci as testemunhas reunidas pelo Portal Kids no Caso das Meninas Seqüestradas no Estado do Rio de Janeiro no período de 2001 a 2006 ao delegado Alexandre Gusman, ele imediatamente providenciou o reconhecimento do suspeito. O delegado também tem por meta identificar e prender o assassino de Amanda, vítima de um crime brutal: seu corpo apareceu num matagal, sem roupas, com esfacelamento de crânio, esmagamento do osso do pescoço e o corpo inteiramente carbonizado. Amanda tinha apenas nove anos e foi seqüestrada quando saiu para fazer compras num supermercado próximo a sua residência. Suspeita-se que antes de ser assassinada, Amanda tenha sofrido violência sexual. O retrato falado do assassino de Amanda se assemelha ao retrato falado do suspeito do seqüestro de Michele Santana de Araújo e Thaís de Lima Barros, ambas com nove anos e seqüestradas em 2002, a primeira em 21 de novembro e a segunda em 22 de dezembro.
As crianças testemunhas nunca tinham participado de um reconhecimento. Estavam tranqüilas, há muito tempo vêm sendo preparadas por nossa equipe para enfrentar esse momento. Existem outros suspeitos relacionados ao caso das meninas que ainda não foram a reconhecimento. Por trás do vidro, observaram atentamente Carlos Alberto. Não o reconheceram como os seqüestradores das meninas. A coragem das crianças foi elogiada pelos policiais. “Muito adulto não se propõe a vir aqui fazer o que vocês estão fazendo e por isso não temos provas contra os criminosos”, disse um dos inspetores às crianças.
Muitas pessoas viram Amanda em companhia de seu seqüestrador mas estão com receio de falar. O reconhecimento foi feito dentro da maior segurança e critério. Apelo para que as testemunhas do caso de Amanda nos procurem. Cristiane foi até a delegacia e acompanhou o reconhecimento das crianças. Não é fácil estar diante do suspeito de ter assassinado sua filha, mesmo que por trás de um vidro. “Como alguém pode fazer isso?”, perguntou-me, referindo-se a forma como foi assassinada Amanda. O pranto foi inevitável, emocionando a todos. Mas ela logo se recuperou e fomos as duas tentar localizar e convencer algumas testemunhas a irem reconhecer o suspeito. A necessidade de luta, para Cristiane, é maior do que o sofrimento. Fazer Justiça é o último ato de amor que ela pode fazer pela filha.

Conversa com o suspeito

O caso de Amanda emociona o delegado Alexandre Gusman. Ele está empenhado em esclarecer o assassinato da menina. Pedi para conversar com o suspeito. O delegado, como nós do Portal Kids, gosta de trabalhar em parceria. Considera que toda contribuição é válida. Numa sala da delegacia, diante de dois policiais, me apresentei e pedi que Carlos Alberto olhasse nos meus olhos. Disse que estava ali para falar de Amanda do Nascimento. Ele negou tudo e falou em Deus. Disse que eu não estava ali para lhe acusar, mas para falar a sua consciência, ao seu coração. Que se realmente ele foi o responsável pelo assassinato de Amanda, que lembrasse do sofrimento da menina no momento de sua morte. Ele me perguntou se eu era a mãe de Amanda. Disse que não, mas que conhecia sua mãe, irmãos, o padrasto que a criou como pai, conhecia o vazio que a ausência dela deixou na vida de todos eles. Que eu gostaria de ter podido mostrar a ele vídeos com reportagens das mães das crianças desaparecidas contando o que é viver com a ausência de um filho seqüestrado. Que ele, naquela noite, quando deitasse a cabeça no travesseiro, pensasse no que sentiu Amanda no momento de sua morte. E na família dela, que nunca mais terá direito a felicidade, como acontece com todos que passam por esse tipo de perda.
Cristiane me perguntou onde reuni coragem para manter esse tipo de conversa. Contei a ela que já tinha conversado com outra seqüestradora antes. Dr. Gusman e a equipe de policiais da Delegacia de Homicídios também aguardam os próximos acontecimentos com expectativa. Esperamos todos uma confissão que sabemos que não irá chegar. Para fazermos Justiça para Amanda, o caminho é um só: a colaboração das testemunhas. Nós do Portal Kids, continuaremos a levar novas testemunhas, todas ligadas ao caso das meninas seqüestradas ao reconhecimento, porque acreditamos que o assassinato de Amanda possa ter ligação com o desaparecimento das demais garotas. Mesmo que Carlos Alberto não tenha sido reconhecido pelas crianças, ao que tudo indica, ele não age sozinho.

Luana Carolina de Almeida (foto), 10 anos, desapareceu em 18/02/2002, no Bairro de Fátima, mesmo bairro onde morava Amanda. A polícia suspeita que ela também tenha sido vítima de Carlos Alberto. Informações: maesdobrasil@portalkids.org.br

5 comentários:

Luciana Tecídio disse...

Amiga... Meu Deus, quanta dor e sofrimento! Que mundo...

WalFerrao disse...

É. Quis olhar nos olhos do suspeito, para tentar entender. Mas isso é coisa que não se entende...

jorgina disse...

Meu Deus... Para onde caminha a humanidade? Ou será onde anda a humanidade desta gente? Não sei se conseguiria olhar nos olhos desta coisa!!
Saudades amiga, Jô

WalFerrao disse...

Jô, você tem um radar no coração. Sempre surge nos momentos que mais preciso. Hoje tive um dia difícil. Saudades também!

Laura Sousa disse...

Gente, sou amiga da Luana desde a minha infância, gostaria de saber se alguém sabe o resultado do DNA que fizeram para reconhecer os outros 3 corpos.