07 outubro 2009

Nossas filhas merecem a vida


À noite e o dia depois do julgamento do sequestro de Larissa foi muito difícil para nós. Ontem ainda não tivemos o resultado do julgamento, que terá nova audiência em dezembro, por ser um caso muito complexo e não se tratar de júri popular. Algumas de nós não dormiram, outras praticamente desmaiaram na cama. Hoje nos falamos o dia inteiro, consolando umas as outras, trocando apoio mútuo.
Ontem foi um dia de vitória e de tristeza. Vitória por estarmos conseguindo levar ao banco dos réus o suspeito de um sequestro de menina sem pedido de resgate no Rio de Janeiro. Sequestro de uma menina pobre, num caso que precisamos entregar a investigação na mão da polícia, quando deveria ser ao contrário. Primeiro tivemos que provar que as mães eram vítimas e não agentes de sua própria tragédia num Estado em que se propaga que os desaparecimentos só ocorrem devido à violência doméstica. Isso gera um preconceito contra as famílias muito grande e dificulta e justifica a não realização de investigações.
O que dizer de Thaís, de apenas nove anos, sequestrada de uma feira-livre e que deixou como prova de que era bem tratada um bilhete onde declara seu amor a mãe? A família dela foi ontem para o tribunal. Quando deveriam estar indo para sua festa de aniversário. Thaís completou 16 anos ontem. Pela primeira vez sua mãe esteve diante do suspeito de seu sequestro.
“Há 16 anos eu estava na maternidade sofrendo dores de alegria para ter minha filha. Hoje estou no tribunal sentindo a dor do desespero por sua perda”, disse Elisabete, mãe da Thaís.
A dor de Daniel, o tio de Larissa, que a criava e amava como filha, foi outro momento muito duro. Daniel deu ontem sua primeira entrevista para a TV Record. Ele nunca tinha falado para a imprensa, mal fala de sua dor para aqueles que lhe são mais caros. Daniel guarda o sofrimento para si, mas ontem disse num depoimento emocionado:
“Perdi toda a minha família num incêndio. Não vou também perder Larissa. Não aceito que me entreguem Larissa morta. Larissa tem que estar viva. Ela merece estar viva!”
A palavra de Daniel também é nossa. As meninas merecem a vida! Nós merecemos respeito. Lutaremos pela vida delas e pela dignidade de nossas famílias até o fim. Para nossos filhos não faltou amor e nem cuidado. Falta investigação, proteção, políticas de atendimento para casos de sequestros e desaparecimentos enigmáticos. E coragem das autoridades para admitir isso. Mas amor e cuidado de nossa parte, não!

2 comentários:

Erika disse...

Admiro o trabalho árduo e, com certeza, com muito amor e dedicação de vocês. Fica comprovado que a cada conquista dessa, significa um grande passo para a vitória. Deixo todo o meu apoio e admiração pelo trabalho realizado.

AMOR disse...

FICO MUITO FELIZ PELA APROVAÇAO,DEUS ABENCOES VCS CADA DIA MAIS,BEIJOS A TODOS FIQUEM COM DEUS.