02 Outubro 2009

Qual a justificativa para a falta de investigações?


Fizeram-me a seguinte pergunta: "Qual justificativa que as instituições policiais dão pela aparente falta de interesse em investigar os casos de desaparecimento?”
As instituições policiais, como as do Governo, dizem que investigam, que os índices de localização são grandes, mas o fato é que os sequestros sem pedido de resgate e desaparecimentos enigmáticos de crianças e jovens continuam ocorrendo, sem retorno dessas vítimas para casa. Se não forçarmos as investigações, elas não acontecem, e quando acontecem, se arrastam de gestão em gestão porque os delegados e policiais sempre são afastados dos casos. As famílias, humildes e despreparadas são vencidas pelo cansaço e pelo desespero, e os casos acabam esquecidos e arquivados. Nas instituições, mas não dentro do coração dessas famílias, onde o descaso causa uma devastação tão grande quanto a ausência daquele que se foi.
É importante, no entanto, separar instituições dos profissionais. Existem muitos policiais empenhados, mas eles também acabam vencidos pelo sistema, pois não há estrutura para investigação e nenhuma vontade política de mergulhar a fundo no problema.
O trabalho dos bons policiais equivale ao de ONGs como a nossa e a das Mães da Sé, de São Paulo, com quem sempre mantemos contato. Sem investimento, apoio, a parcela de público que conseguimos atender e assistir é ainda muito pouca. Sem falar que os sequestros sem pistas e desaparecimentos enigmáticos de crianças atingem a uma parcela pequena da população – crianças e jovens oriundos de famílias carentes e humildes, sem voz na sociedade. Não é como o problema da violência urbana que atinge a todos, por exemplo, e que acaba provocando criação de políticas de atendimento mais eficazes.
No próximo dia 6 de outubro vamos levar um suspeito a julgamento no Rio de Janeiro. Só Deus sabe o que nós, do Portal Kids, junto com as Mães do Brasil, trabalhamos para se conseguir esse resultado. Trabalho diário, de oito anos ininterruptos. A vitória é grande, mas a caminhada foi longa, dolorosa. É necessário criar uma política de investigação direcionada aos casos de desaparecimentos enigmáticos de crianças e sequestros sem pedido de resgate.
Está acontecendo uma CPI em Brasília. Particularmente estamos oferecendo todo o material necessário para que a CPI apure a questão principal, que me foi formulada acima.
Entre na página da CPI, opine, colabore, denuncie! A hora é agora!
http://www.cpicriancasdesaparecidas.com.br/
Wal Ferrão, presidenta do Portal Kids

01 Outubro 2009

Baixada procura suas crianças desaparecidas


No último dia 28 de setembro tivemos uma reunião com a relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito de Crianças e Adolescentes Desaparecidos da Câmara dos Deputados, deputada Andreia Zito (PSDB-RJ). Entregamos a deputada dossiê sobre as investigações que vem sendo realizadas pelo Portal Kids sobre sequestro em série de meninas no Rio de Janeiro desde o ano de 2001. A deputada Andreia Zito nos pediu ajuda para a divulgação dos casos de crianças e adolescentes desaparecidos na Baixada Fluminense.
Rodrigo de Mello Silva, de 16 anos, saiu de casa 29/05/2008 no bairro Lagoinha, em Nova Iguaçu, para o primeiro dia de trabalho, em uma fábrica de gesso de Nilópolis, e nunca mais voltou.
Luciene Torres da Silva, de 9 anos, saiu de casa em 30/08/2009 no Parque São Francisco, Nova Iguaçu, para comprar pão e não voltou. De acordo com testemunhas, a criança foi vista com um homem de calça jeans, camisa verde, óculos escuros e cabelos grisalhos. O andarilho João Teixeira de Oliveira, de 58 anos, foi preso com mandado temporário expedido pela 6ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, mas o suspeito nega que tenha levado a menina.
Informações sobre os casos podem ser encaminhadas para o nosso e-mail maesdobrasil@portalkids.org.br ou para o site da CPI dos desaparecidos. Veja nota sobre nosso encontro com a deputada no link: http://www.cpicriancasdesaparecidas.com.br/noticia_box_destaque/disque-denuncia-e-o-novo-parceiro-da-cpi-de-criancas-e-adolescentes-desaparecidos/