13 novembro 2016

Mergulhando no medo


Um medo específico estava me perturbando. Me dei conta que só iria entendê-lo se fizesse contato com ele. Comecei a estudar a sensação de medo de uma forma geral. A observar os medos que habitam em mim, nas pessoas que convivo e nas que me são estranhas e/ou desconhecidas. Percebi que a raiz do meu medo e acho que de grande parte das pessoas reside na perda. Perda da ilusão, da segurança, dos bens, da saúde, de pessoas amadas, da vida. Principalmente medo de que a perda seja permanente. Amamos a continuidade.  Tanto que está na imortalidade o grande enigma da humanidade.

Eu estava com medo que minha perda se tornasse permanente. Venho lutando há anos para recuperar o bem perdido, apesar de ter sofrido perdas bem mais graves, a de seres amados.

Mas a perda em questão me tirou literalmente o chão, me tirou da zona de conforto, da segurança, da sensação de controle. No entanto, a temível perda me transportou para um mundo totalmente diferente, desconhecido e tenho que admitir muito mais rico e divertido. Descobri que a perda é uma porta que nos leva a um outro lugar, desconhecido, que nos deixa nús, rouba nossos apegos. Ou, se teimamos em permanecer estacionados na dor que a perda provoca, ela abre uma janela que nos faz enxergar o mundo, o outro e a nós mesmos. Temos a tendência a rejeitar – muitas das vezes odiar - tudo e todos que nos façam enxergar verdades. Verdades nos perturbam. Não queremos ser perturbados. Antes estar narcotizados. Iludidos.

Vem então o apego as crenças na esperança que resolvam a dor por nós ou nos restituam as perdas. Mas o que chamam Deus está nas crenças? Ou está justamente no fim do medo. Posso viver sem medo? Encontrar a manifestação Divina em sua forma mais pura? Encontrar o Deus que habita em mim?

Por Wal Ferrão


wal.ferrao@portalkids.org.br

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