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18 dezembro 2019

Lançamento da pesquisa sobre desaparecimento forçado



O dia 21 de fevereiro ficará marcado nas nossas vidas. Foi neste dia que a brava juíza Adriana Ramos de Mello apresentou publicamente na Emerj o resultado da pesquisa "O desaparecimento forçado de meninas no Rio de Janeiro: desafios do sistema de Justiça."

Erros na investigação do desaparecimento de nossas crianças foram identificados e apontados e a promessa de dias melhores, de melhores leis, foram um alento para os corações de Raquel, Elisabete e Alzerina, as não menos corajosas mães de Larissa, Thais e Michele. Apesar de ser juíza,  Dra. Adriana sempre teve um atendimento diferenciado com nossas mães. Ele era feito com acolhimento  e não com julgamento. Exemplo a ser seguido pelas demais autoridades brasileiras.

01 agosto 2019

O que fazer quando um filho desaparece?


O diretor e psicólogo Gilberto Fernandes aborda o tema. Siga e assine nosso Canal https://www.youtube.com/user/TVPortalKids#p/f


24 outubro 2017

#procurandosuzanasena


A campanha pela ONG Mães do Brasil e seu trabalho com desaparecidos iniciada pela @susanavieiraoficial é sucesso absoluto. Milhares de visualizações, compartilhamentos. Mas como disse a atriz: "Ainda estamos procurando Suzana Souza de Sena. Quer nos ajudar? #procurandosuzanasena #compartilhanossacausa #maesdobrasil #portalkidsfaz18 #dkaaustria

06 setembro 2016

Quinze anos sem Ingrid


 
 
Há exatos 15 anos, Ingrid Vanessa de Oliveira Pitanga, 10 anos, a Kika, como era carinhosamente chamada em casa, estava enrolando brigadeiros para a festinha de aniversário da avó materna. Interrompeu a tarefa para levar o primo de seis anos à escola que ficava há duas quadras de sua casa em Realengo, RJ. Ingrid deixou o primo na escola e no trajeto de volta para casa, desapareceu.
Há 15 anos empreendemos uma luta para descobrir o que aconteceu com Ingrid. Muitas denúncias, mas nenhuma levou ao seu paradeiro. Uma tarde que até hoje não acabou. A vida continua, mas uma parte ficou interrompida.

Ingrid foi a primeira menina de uma série de 20 vítimas de desaparecimentos forçados e sequestros sem pedido de resgate que vêm ocorrendo em série no Rio de Janeiro desde então e que o Portal Kids investiga de forma jornalística. Transformamos esse emblemático caso em um dossiê, que motivou as CPIs da Criança Desaparecida, da Exploração Sexual Infantil e o Tráfico de Pessoas. Através desse caso a causa dos desaparecidos avançou no Rio através de inúmeras parcerias no Brasil e exterior. Mas Ingrid e as demais meninas continuam com paradeiro ignorado.

A dor é grande. Só não é maior que a esperança. Pedimos o compartilhamento do novo cartaz de Ingrid, com a imagem de como ela deve estar hoje, através da tecnologia da progressão de imagem da DDPA (Delegacia de Desaparecidos do Rio de Janeiro). A arte é do designer Victor Tufani com o apoio da #dkaaustria #maesdobrasil #portalkids #compartilhanossacausa

26 fevereiro 2016

Matéria na Band




A jornalista Mônica Puga, da Band, viu o Portal Kids nascer. Ao longo desses 17 anos de existência, que completaremos no dia 16 de março, ela ajudou a divulgar e denunciar os casos de desaparecimento e violações dos direitos da criança que cuidamos.

Hoje, às 18h50 e 19h30 a emissora exibe um furo de reportagem do jornalista Herculano Filho sobre o caso das 20 meninas que cuidamos. Convidamos você a tomar conhecimento desses fatos que envolvem este emblemático caso que esperamos, tenha o justo desfecho que Elisabete Barros, com Mônica na foto, e as demais Mães do Brasil têm direito.

18 maio 2015

Você tem filho desaparecido? Atualize seus contatos com as instituições!


Estamos a procura da mãe de Yasmin Pereira da Rosa

Em nossa página do facebook acabamos de postar uma convocação para que mães de desaparecidas, que precisamos entrar em contato urgente, sejam localizadas. Seus contatos telefônicos estão desatualizados não só em nossa instituição, como em outros organismos de busca de desaparecidos e na polícia.

Entendemos que a demora na solução desses casos acaba desestimulando mães e familiares a continuar buscando ou lutando por atendimento de qualidade. Mas, se a mãe não renova seus contatos, como será localizada no caso de ocorrer qualquer novidade a respeito do caso?

A convocação em questão refere-se ao exame de DNA de ossadas de meninas que vem sendo sequestradas em série desde 2001. Todas as mães que continuam lutando conosco por uma resposta sobre o paradeiro de suas filhas já se submeteram a coleta. O exame será realizado em conjunto e a não localização das demais genitoras irá retardar o processo.

Por essa razão convocamos as mães das desaparecidas Andréia Ferreira da Mota, Caroline Menezes Cardoso, Jéssica Caroline da Costa Faria, Karolaine de Oliveira Caldas,

Samanta Costa de Carvalho, Taís Bernardino e Yasmin Pereira da Rosa a entrarem em contato urgente conosco ou através do e-mail: atendimento@portalkids.org.br

Todo responsável por criança ou adulto desaparecido deve manter atualizados os seus contatos junto as instituições e também avisar caso o desaparecido seja localizado.

Pedimos que entrem em nossa página no facebook e compartilhem as convocações para que as famílias sejam localizadas: www.facebook.com/ONGPORTALKIDS

 

 

27 fevereiro 2015

Ontem, hoje, amanhã e um novo projeto


Ontem entreguei o edital de um projeto que, se aprovado, pode ser significativo para muita gente que, como eu, está em busca de algo que dê mais acalanto e mais sentido à vida. Ontem, ao sair do correio, lembrei que venho há dois meses preparando esse projeto com dedicação e paciência. Antes, ao imprimi-lo, a tinta acabou. Por mais bizarro que possa parecer ninguém conseguiu abrir o recipiente para trocar o cartucho de tinta da impressora. Acabei arrumando uma solução criativa porque a hora do final do expediente dos correios se aproximava. Imprimi em tinta colorida, tirei cópia na papelaria e fui postá-lo. Sai da agência com um sentimento de cansaço emocional extremo pelo dia aflitivo e corrido, e lembrei-me do capítulo de um livro que estou lendo e estou há dias estacionada.
O livro é “Comentários sobre o viver”, de Jiddu Krishnamurti. Muitos são os adjetivos que o autor ganhou ao longo da vida, mas acredito que um que se aproxima de uma definição de sua pessoa é o de livre pensador.
No capítulo do livro ao qual me refiro ele fala sobre como nossa vida gravita em torno da lembrança do passado e da expectativa do futuro. Diz o autor: “É possível para a mente existir sem um padrão, ser livre dessa oscilação para frente e para trás do desejo?... Essa ação implica viver no agora... Mas nós não estamos vivendo... estamos sempre em busca do passado ou do futuro. O passado e o futuro não sustentam a vida, eles têm a recordação e a esperança da vida, mas não são a vida.”
Sei que meu sentimento em relação ao edital do projeto deveria ser: Fiz o que pude, da melhor forma que pude. E seguir a vida sem expectativas de resultado. Mas é tão difícil conter o querer.

É possível viver plenamente o momento esquecendo o que passou e não projetando que a vida seja conforme nosso desejo? É possível viver a vida com essa total entrega, desapegado do ontem e despreocupado com o amanhã? Foram tão raros os momentos em que tive essa entrega. Mas foram justamente esses momentos que se tornaram inesquecíveis e que deram sentido à vida.

O processo, como sempre, também me fez lembrar das crianças desaparecidas que busco. Elas sempre estão em meu pensamento. Não consigo deixá-las no lugar onde devem estar. Também não consigo ansiar por não encontrá-las. Conviver com a lembrança de um desaparecido é isso. Não se consegue seguir sem ele e nem imaginar um futuro sem ele. O desaparecido está sempre presente. Talvez por isso esse projeto seja tão importante.

Por Wal Ferrão

21 janeiro 2014

Você sabe o que fazer ao reconhecer uma pessoa desaparecida?

No dia 2 de janeiro deste ano o Portal Kids recebeu, através de suas redes sociais, um pedido de ajuda de dois denunciantes que se encontravam numa praia em Santa Catarina. Eles reconheceram uma criança desaparecida e pediram instruções de como proceder. Inicialmente, sem saber de quem se tratava a criança, os denunciantes foram orientados por nós a fazer um registro da imagem do menor, através da câmara do celular e nos enviar através de mensagem. Reconhecida a identidade da criança, mesmo não se tratando de um caso cuidado por nossa instituição, instruímos os denunciantes que tentassem achar um policial na praia ou acionar a Policia Militar (PM). Como não obtiveram êxito com nenhuma das alternativas, nossa instrução foi que os denunciantes, sem risco para suas integridades e sem chamar atenção, descobrissem o endereço ou placa de carro dos adultos que acompanhavam a criança. Enquanto isso, do Rio de Janeiro, fizemos contato com o Sicride, que cuida do caso, fazendo o encaminhamento da denúncia. O passo seguinte foi entrar em contato com a família da criança desaparecida, para que a mesma analisasse a foto enviada à polícia, o que foi feito.

Durante duas semanas o Portal Kids acompanhou o desenrolar da investigação, tendo solicitado absoluto sigilo à polícia e a família da criança, não só para preservar a identidade dos denunciantes, como a do menor suspeito de ser o desaparecido. Ontem recebemos o retorno da Delegacia de Desaparecidos de Santa Catarina que, através do endereço fornecido pelos denunciantes à nossa instituição, conseguiu checar a denúncia, obtendo provas de que o menor não se tratava da criança desaparecida, apesar de ser muito parecido e ter o mesmo nome. Em conversa com os policiais da Delegacia de Desaparecidos de Santa Catarina trocamos informações, tendo informado que em diversas apurações pudemos constatar essas semelhanças impressionantes. Conversamos em seguida com a mãe do menor que, embora triste por não ter localizado seu filho, ficou satisfeita e segura com o trabalho realizado pela instituição e pela polícia. Em breve passaremos a cuidar do caso da criança desaparecida, como também iniciar uma parceria com a Delegacia dos Desaparecidos de Santa Catarina e o Sicride, que realizaram um excelente trabalho na apuração deste caso.

Quando reconhecer uma criança ou pessoa desaparecida na rua, entre em contato com a instituição que está divulgando a foto, ou uma instituição de sua confiança. Procure discretamente – e principalmente, sem correr riscos - registrar por câmera de celular a imagem da criança ou pessoa que você suspeita ser o desaparecido para posterior confrontação das imagens. O ideal é que você acione a Polícia Militar de sua cidade para realizar a abordagem. Caso não consiga contato imediato com a polícia, procure anotar placa ou local onde o desaparecido foi levado, horário e local em que foi visto. Jamais faça a abordagem pessoalmente ou divulgue as imagens pelas redes sociais, evitando criar problemas para si mesmo, para as pessoas envolvidas caso a suspeita não se confirme ou alertar os supostos sequestradores do desaparecido, dificultando assim a localização de seu paradeiro.

23 dezembro 2013

Onde está Fabiana?

"São 18 anos sem você, minha filha. Onde você está? Nais um Natal que eu e sua irmã vamos passar sem sua presença, sentimos tanta falta da sua alegria, do seu sorriso, do seu cheiro, do seu jeito carinhoso de me chamar de Mãezinha e sua irmã de Fa. Nossa vida se transformou num vazio sem sua presença, você, que nos alegrava com seu jeito meigo e delicado de ser. 18 anos são muitos anos, muitos dia...s, muitas horas para uma mãe esperar. Srnhor, hoje eu gostaria de ter um sono profundo e só acordar depois do dia 31, para não lembrar que foi nessa data que tiraram você de mim, minha filha. Sua ausência tem me matado aos pouquinhos, roubaram minha vontade de viver, nossa casa ficou vazia, sua irmã ficou sem sua única companheira de confidências. Nossa vida não é mais a mesma, a saudade é imensa, a dor é tão grande que que chega doer a alma, mas saiba que te amamos muito, e onde quer que você esteja, passe o tempo que passar mantemos acesa a chama da esperança de um dia te reencontrar e nesse dia, nossa vida voltará a ser repleta de fflicidade. Hoje, o que podemos sentir é um sentimento muito ruim que se chama saudade.
SENHOR ME Dá FORÇAS, POIS EU NÃO ESTOU SUPORTANDO MAIS ESSE SILÊNCIO. HOJE MEU CORAÇÃO ESTA DOENDO E SENSAÇÃO QUE TENHO É QUE A CADA DIA ELE ESTÁ BATENDO MAIS FRACO DE TANTA DOR."
Ivanise Espiridião é mãe de Fabiana e presidente da ONG Mães da Sé. Divulgue o cartaz de Fabiana, que também está sendo buscada pelo Portal Kids, e/ou imprima e fixe em local de grande circulação de pessoas.

16 outubro 2013

Nova Parceria com Meu Filho Sumiu


Ontem fui com a Mãe do Brasil Raquel Gonçalves a première carioca do filme Os Suspeitos, de Denis Villeneuve e tendo Hugh Jackman e Jake Gyllenhaa como protagonistas. Foi o primeiro evento da parceria que o Portal Kids, pelo projeto Mães do Brasil, está iniciando com o projeto Meu Filho Sumiu, uma plataforma de divulgação de fotos de pessoas desaparecidas. O filme conta a história de um pai que leva o desespero pelo desaparecimento da filha, e de uma amiguinha dela, as últimas consequências. Acreditando que o policial encarregado de investigar o caso está desistindo de procurar a menina, ele sequestra e tortura um dos suspeitos, com o objetivo de fazê-lo confessar onde estão as crianças.

Exageros fictícios a parte, muitas situações experimentadas pelos familiares das meninas e pelo dedicado policial que as busca, estão ali representadas por quem, como eu e Raquel, tem essa vivência na vida real. É sempre doloroso assistir o próprio drama pela tela de cinema. Tanto para quem o vive na própria pele, como para quem com ele se envolve. Só recentemente tomei coragem de assistir ao filme Um Olhar do Paraíso, de Peter Jackson, que mostra a visão que uma menininha sequestrada e assassinada, interpretada por Saoirse Ronan, tem do paraíso, enquanto seus pais, na Terra, se desesperam com seu misterioso desaparecimento. Assisti a esse filme de minha casa, pela TV, e por várias vezes ameacei desligar o aparelho. Não consegui. Cheguei a passar mal com o desfecho do filme, acompanhando a dor pelo ponto de vista da criança vitimada.

Ontem, também tivemos reação semelhante ao constatar a impotência e o desespero da família do filme, a frustração do policial, os erros cometidos pelas autoridades e o passar implacável do tempo sem que as crianças apareçam.

“Você quer ir embora?” – perguntei a Raquel.

“Acho que sim” – respondeu, incomodada.

Nos questionamos, porém, se não ficaria indelicado com nossos parceiros tão gentis. Acabamos ficando, não só em respeito aos nossos novos parceiros, mas pela necessidade de entender o inexplicável: Por que diabos um ser humano tira uma criança do convívio de sua família causando tamanha devastação em tantas vidas?

Larissa, a filha de Raquel, sequestrada aos 11 anos, hoje está com 17. Seis anos, uma eternidade de dor e sofrimento. Depois de constatar isso, Raquel observou, comparando sua postura de vida com a do pai do filme:

“É Wal, perdi uma filha, mas conservei a dignidade e ganhei a mim mesma. Não foi uma troca justa, desejada, mas foi à única coisa que me restou.”

Na foto Raquel com o diretor do Meu Filho Sumiu, Bruno Neves e com Larissa, sempre no coração


Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br


18 setembro 2013

Vitória da Motorista

A Mãe do Brasil Raquel Cordeiro é uma guerreira. Já enfrentou muitas batalhas na vida, perdas de entes amados, sequestro da sobrinha que criava como filha. Para conseguir levar ao banco dos réus o autor do sequestro e condená-lo, Raquel enfrentou calúnias, difamações, ameaças, doenças, períodos de depressão. Até o dia em que ouviu do filho caçula que ela precisava se levantar da cama para cuidar dele. Aquelas palavras bateram fundo. Ela viu que não podia desistir. Primeiro se reinventou e depois foi reinventando a vida aos pouquinhos.
Restava um medo. Por incrível que pareça era o de tirar carteira de motorista. Olha a foto da guerreira motorizada. Parabéns, Raquel!

24 junho 2013

Giúlia, nossa militante americana

Ontem, 21, a comunidade brasileira de Boston, EUA, se reuniu em uma manifestação pacífica em apoio aos conterrâneos. A passeata foi anunciada pelas emissoras de TV e rádios e pelos jornais. A brasileira Eliane Nonni e sua filha americana Giúlia confeccionaram cartazes em apoio à causa das crianças desaparecidas brasileiras e as Mães do Brasil. Giúlia, que aprendeu nesse dia o significado da palavra protesto, sentiu-se muito importante e orgulhosa de poder ajudar as crianças do país de sua mãe. O empenho da pequena, que tem apenas seis anos chamou a atenção da imprensa americana, que fez questão de entrevistar Giúlia. Com seriedade, ela explicou que mesmo não falando português, entendia a importância de estar apoiando o povo de sua família brasileira e estava feliz de lutar pelos direitos das crianças. Giúlia, as Mães do Brasil agradecem a sua iniciativa em difundir em seu país a mensagem das crianças desaparecidas brasileiras. Parabéns!


Queremos o Programa de Regressão de Imagem!

27 maio 2013

Atenção Autoridades Brasileiras

Dor exige remédio. O programa de envelhecimento de imagem é o remédio para a nossa dor e a dor de nossos filhos que desapareceram há muito tempo. A saudade fica maior a medida que o tempo avança. E a dimensão da dor de nossos filhos? Em nome de seus filhos que estão em casa, autoridades brasileiras, permitam o exercício dos direitos de nossos filhos que sofrem longe de nós.

05 março 2013

Campanha de Mobilização Popular

E se fosse uma filha minha? Se você acha que a sentença tem que ser reformulada e o caso enviado para a Polícia Federal como desejam as Mães do Brasil, compartilhe em suas redes sociais nossa Campanha de Mobilização Popular pelas Redes Sociais:

http://odia.ig.com.br/portal/rio/dossi%C3%AA-denuncia-sequestros-de-crian%C3%A7as-no-rio-1.556532

24 maio 2012

Coragem "Xuxas"

Desde que Xuxa Meneghel revelou numa entrevista de TV que sofreu abusos na infância, venho assistindo ela ser enxovalhada através das redes sociais. A apresentadora foi taxada de “louca, hipócrita e de querer se promover através da história”. Xuxa recebeu o mesmo tratamento que a vida inteira presenciei ser dado as mães de crianças desaparecidas. Das pessoas anônimas que gritavam impropérios ao passar nas escadarias da Câmara dos Vereadores na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro, onde antigamente elas se reuniam para exibir o retrato dos filhos; a alguns policiais nas delegacias em que buscavam solução para as investigações. Quantas vezes ouvi a frase: “Essas mulheres não cuidam dos filhos e depois vão para a televisão querer aparecer!” Inicialmente, isso chegava a me deixar tremula de indignação. Nesses momentos uma das mães sempre segurava minhas mãos e me consolava, dizendo frase semelhante a dita por Jesus no momento de sua crucificação: “Deixa minha filha. Eles não sabem o que dizem.” Um dia ouvi de Tercília Frederico, a criadora do movimento Mães do Brasil, um ensinamento que ainda não consigo praticar integralmente, mas que reconheço ser verdade. Por toda vida ela ouviu de pessoa muito próxima que a culpa de seu filho ter desaparecido era dela, que atrasou o almoço e permitiu que o menino ficasse a brincar mais um pouco na pracinha diante de sua casa. “E a senhora aceita isso?”, protestei. Ao que ela respondeu: “Minha filha, a gente tem que aprender a amar os ignorantes”.

Ao expor o abuso sofrido na infância Xuxa desnudou uma ferida que ninguém quer olhar, quanto mais revolver. Para tratar essa ferida o ser humano tem que reconhecer um lado de sua natureza que a maioria prefere fingir que não existe. Que alguns seres humanos são sim, capazes de se aproveitar da inocência da criança para abusar dela. Que alguns são capazes de retirar crianças do convívio de suas famílias, violentá-las, matá-las com requintes de extrema crueldade e abandonar seus corpos em matagais. Onde muitas vezes ficam insepultos enquanto suas mães continuam a esperar um filho que jamais irá voltar.

Muita gente questionou o fato de só agora, depois de tantos anos, Xuxa vir a público assumir o abuso. Se você conversar com uma mãe de desaparecido ela vai se portar como se o filho tivesse lhe sido tirado naquele momento. A dor faz o tempo parar, embora a vida continue. Assim também age a vítima de abuso. Ela segue em frente à medida que os anos vão passando, mas a dor e a culpa ficam estagnadas no tempo. Tal constatação eu fiz após cuidar de mais de 10 mil casos de crianças e famílias vítimas de pedofilia.

Fico pensando o que não deve estar passando pela cabeça de uma criança que neste momento está sendo vítima de um abuso. Terá ela coragem de romper o silêncio quando a apresentadora, uma referência para crianças no mundo todo, está despertando tais reações com seu desabafo? Xuxa teve muita coragem em expor o lado podre do ser humano. Será que não está na hora de parar de julgar a vítima e tratar de identificar e deter o agressor? Para Xuxa não dá mais tempo, mas ainda dá para as crianças que estão sendo abusadas nesse momento.

Ontem, ao ler um artigo do Artur Xexéu sobre a atitude de Xuxa e as reações provocadas na Internet, achei tão interessante que o compartilhei com os jovens do Projeto Gente do Amanhã. Hoje, pela manhã, ao entrar na Internet para ver a resposta dos nossos jovens, o retorno deles me encheu de esperança. Disse uma das jovens, que por sinal teve uma irmã desaparecida e que até hoje não foi localizada, que amou o artigo e observou: “Infelizmente é a nossa realidade! Já está na hora de reverter essa situação!”

A imagem que ilustra esse post é da escultura do podereso guerreiro David, que venceu o gigante Golias e foi retratado por Michelangelo desnudo. Por que será que o artista italiano, considerado o maior de todos os tempos, retratou o guerreiro nú?

Por Wal Ribeiro
wal.ribeiro@abril.com.br