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18 setembro 2013

Vitória da Motorista

A Mãe do Brasil Raquel Cordeiro é uma guerreira. Já enfrentou muitas batalhas na vida, perdas de entes amados, sequestro da sobrinha que criava como filha. Para conseguir levar ao banco dos réus o autor do sequestro e condená-lo, Raquel enfrentou calúnias, difamações, ameaças, doenças, períodos de depressão. Até o dia em que ouviu do filho caçula que ela precisava se levantar da cama para cuidar dele. Aquelas palavras bateram fundo. Ela viu que não podia desistir. Primeiro se reinventou e depois foi reinventando a vida aos pouquinhos.
Restava um medo. Por incrível que pareça era o de tirar carteira de motorista. Olha a foto da guerreira motorizada. Parabéns, Raquel!

03 outubro 2011

Deputada Andreia Zito anuncia: Rio de Janeiro terá delegacia especializada em desaparecimento


Com muita alegria, tomo conhecimento de que o Estado do Rio de Janeiro terá uma delegacia dedicada especificamente aos casos de crianças e adolescentes desaparecidos. A nova unidade foi garantida, no dia 14 de setembro, com a promulgação, pelo presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Paulo Melo, da Lei 6.038/11. A satisfação é maior por se tratar do meu estado. O Rio de Janeiro estava defasado em relação a outras unidades da federação, como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Distrito Federal, que já dispõem de delegacias especializadas na investigação desse tipo de crime.

Fico muito feliz com essa notícia, porque, em novembro do ano passado, apresentei na Câmara dos Deputados o relatório final da CPI sobre o Desaparecimento de Crianças e Adolescentes, e a principal conclusão foi de que o Estado não tem tratado o problema com a devida seriedade. Esse descaso começa, principalmente, com a falta de investimentos em delegacias especializadas – uma das principais recomendações feitas no relatório da CPI.

A delegacia especial ficará encarregada de fazer o registro, a investigação, a abertura de inquérito e todos os demais procedimentos policiais necessários para a localização da criança e do adolescente desaparecidos. Ela deverá possuir em seus quadros assistentes sociais treinados para o atendimento às famílias e, ainda, disponibilizar todos os meios necessários para o recebimento de informações sobre o paradeiro das crianças e dos adolescentes desaparecidos, via internet ou através de atendimento telefônico gratuito.

Essa é mais uma conquista das mães, da CPI e de todos aqueles que se comovem com esse drama. Agora vamos torcer para que o Governo do Estado coloque logo em funcionamento essa unidade, para que as famílias que procuram suas crianças e adolescentes desaparecidos possam se sentir amparadas na sua busca. Sabemos que, atualmente, são os parentes que fazem grande parte desse trabalho de investigação. Eles merecem o amparo do Estado.

Por Andreia Zito

Andreia Zito é deputada federal (PSDB-RJ) e foi relatora da CPI sobre o Desaparecimento de Crianças e Adolescentes. Na foto com as Mães do Brasil e com a presidenta do Portal Kids, Wal Ferrão.

01 maio 2011

Com medo de sair da toca


Há muito tempo tomei conhecimento de uma experiência nos EUA realizada com psicopatas assassinos e abusadores de crianças. Foram exibidos para eles depoimentos de como ficaram a vida dos familiares de suas vítimas. A experiência ajudou no tratamento e recuperação desses criminosos.

Ah... se os responsáveis pelos sequestros e desaparecimentos de crianças tivessem acesso a dor, ao trauma e ao dia-a-dia das famílias de suas vítimas, será que eles não seriam tocados de alguma maneira?

Não falo da dor que mostramos aqui. Dor pequenina em comparação a que presenciamos e lidamos ao realizar esse trabalho. Falo da dor real, avassaladora, invisível e silenciosa que não podemos mostrar, só viver, para não chocar e afugentar as pessoas que conosco lidam. Afinal, os famílares de desaparecidos, como todo mundo, precisam ser aceitos, queridos. Além da dor da perda, vivem também a dor da exclusão, já que o sofrimento de quem tem um parente desaparecido e que não volta, continua eternamente pela vida afora.

Estamos agora lidando com o caso de um adolescente enfrentando diversos problemas emocionais devido a perda que atingiu sua família: medo de sair, medo de conviver com outros jovens de sua idade, medo de crescer, medo de viver. Já tentamos de tudo, mas o medo persiste. Como convencê-lo de que precisa sair da zona de conforto provocada pelo medo e pela falsa sensação de segurança? Convencê-lo de que a vida, apesar de assustadora, precisa ser vivida? Que a vida vale a pena? Como convencê-los de que a felicidade é importante se para suas mães ser feliz implica em culpa? É possível ser feliz sem saber onde um ser amado está? Com essa eterna condenação temos que lidar em todos os momentos.

Será que sequestradores de crianças imaginam quantas pessoas afetam como ato de retirá-las de casa? Será que eles tem ideia de quantas pessoas roubam o direito de felicidade e vida plena?

Apesar dos pesares, o medo jamais pode vencer a fé em si mesmo.

14 fevereiro 2011

Tristeza


Sinto uma tristeza tão profunda pelas crianças que não conseguimos encontrar. Tristeza que sempre me acompanha, mas se esconde e se disfarça na vida que segue. Mas, as vezes, do nada, ela escapa, como agora em que eu, da janela, olhava à noite.

Veio de supetão, como uma faca fina rasgando o coração. Será que foi o recente aniversário da Dyanna? Onde estará Dyanna que eu nem quis fazer a conta de quantos anos fez? Dói demais pensar na idade em que as crianças estarão agora.

Penso no sorriso de Dyanna e me invade a mente o sorriso de Thais com sua beleza exótica. Ai me vem a mente Larissa que, quando foi sequestrada, bastava eu fechar os olhos para sentí-la tão perto, mas tão perto, que eu chegava a estender a mão como se ela fosse capaz de segurá-la e voltar para casa.

Recordo um sonho que tive com Michele. Foi há anos e tão real que o conservo até hoje. Michele caminhando segura ao meu lado por um descampado me contando algo que eu depois não consegui lembrar.

Me vem a mente, talvez uma defesa da própria mente para suavizar a dor, a imagem de uma das meninas que reencontramos após uma busca de seis anos. De como ela correu sorridente e se jogou nos meus braços e como nessa hora se esquece toda a dor. Sua presença é um bálsamo, assim como todas as crianças que reencontramos.

Lembro das denúncias que chegaram até nós e não se concretizaram. Tantas e que deixaram um vazio tão grande depois da esperança. Onde estarão as crianças tragadas pela noite?

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

25 outubro 2010

Clipping: Matéria do jornal Meia Hora, do Rio de Janeiro


Reprodução do texto de Janaína Carvalho:

Perseverança, luta, determinação e fé. São essas as palavras que fazem parte da rotina de inúmeras mães que enfrentam a dor do desaparecimento de um filho. E foi na tentativa de divulgar os casos de diversas crianças que somem de um dia para outro que as 'Mães do Brasil' resolveram apostar na internet como ferramenta de ajuda para localizar desaparecidos.
"Criamos o blog justamente com essa intenção. O que está na internet pode ser visto não só nas cidades onde as crianças sumiram, mas em qualquer parte do planeta", explica Elisabete Barros, que desapareceu há oito anos na Vila Kennedy, Zona Oeste do Rio.
Na época, Taís tinha apenas 9 anos e foi tomar um sorvete com o primo do outro lado da rua onde morava, quando desapareceu. Segundo testemunhas, a menina teria sido levada por um homem. "Minha filha é bonita, esperta e inteligente, com certeza ele a ameaçou para conseguir levá-la", afirma Elisabete, que tem outro filho de 16 anos.
Está na final de concurso
Como reconhecimento, esse ano o blog é finalista no concurso Top Blog. "A página é uma forma de aliviar a angústia de outras mães. Essa dor não passa nunca. Não há nada pior do que não saber o que está acontecendo com seu filho", afirma Elisabete. Segundo ela, uma das maiores lutas do grupo Mães do Brasil é mudar a forma com que as autoridades tratam os casos de pessoas desaparecidas. Elas querem a criação de uma delegacia especializada, com policiais preparados para lidar com casos de desaparecimento.