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04 janeiro 2011

Reportagem para a TV Brasil


Hoje participei de uma reportagem para a TV Brasil sobre desaparecimento de pessoas que será exibida no telejornal da noite. Cada gravação que participo é uma oportunidade de passar para as pessoas o que nós, mães de desaparecidos, vivenciamos. O que acontece conosco. Não nego que o momento mais difícil destas reportagens é quando nos perguntam como é nossa vida hoje. É horrível ter que lembrar e falar sobre como está minha vida sem minha Larissa. Mas o que tem que ser feito, tem que ser feito. Sempre agradeço quando me dão a oportunidade de mostrar a foto de minha sobrinha. Nunca desperdiço uma oportunidade como essa porque é a chance que Larissa tem de ser reconhecida e encontrada. Apesar de em janeiro completarem-se três anos de seu sequestro, eu acredito no impossível. Principalmente depois que minha amiga Maria do Socorro teve a filha encontrada depois de 30 anos. Meu objetivo ao participar dessas reportagens também é cobrar uma política de atendimento digna a famílias de desaparecidos. Digo às mães que por mais desgastante e dolorosa que seja a busca, não desistam. Na verdade, mãe não desiste do filho. O que acontece é que elas se deixam vencer pela dor. Eu devo minha sobrevivência a minha Larissa e as demais crianças que buscamos. Mesmo que eu não consiga encontrar nossas crianças, elas, de alguma forma, vão gostar de saber não nos deixamos vencer pela dor e nos mantivemos fortes e de pé para procurá-las.

Raquel Gonçalves, Mãe do Brasil
maesdobrasil@portalkids.org.br

25 outubro 2010

Clipping: Matéria do jornal Meia Hora, do Rio de Janeiro


Reprodução do texto de Janaína Carvalho:

Perseverança, luta, determinação e fé. São essas as palavras que fazem parte da rotina de inúmeras mães que enfrentam a dor do desaparecimento de um filho. E foi na tentativa de divulgar os casos de diversas crianças que somem de um dia para outro que as 'Mães do Brasil' resolveram apostar na internet como ferramenta de ajuda para localizar desaparecidos.
"Criamos o blog justamente com essa intenção. O que está na internet pode ser visto não só nas cidades onde as crianças sumiram, mas em qualquer parte do planeta", explica Elisabete Barros, que desapareceu há oito anos na Vila Kennedy, Zona Oeste do Rio.
Na época, Taís tinha apenas 9 anos e foi tomar um sorvete com o primo do outro lado da rua onde morava, quando desapareceu. Segundo testemunhas, a menina teria sido levada por um homem. "Minha filha é bonita, esperta e inteligente, com certeza ele a ameaçou para conseguir levá-la", afirma Elisabete, que tem outro filho de 16 anos.
Está na final de concurso
Como reconhecimento, esse ano o blog é finalista no concurso Top Blog. "A página é uma forma de aliviar a angústia de outras mães. Essa dor não passa nunca. Não há nada pior do que não saber o que está acontecendo com seu filho", afirma Elisabete. Segundo ela, uma das maiores lutas do grupo Mães do Brasil é mudar a forma com que as autoridades tratam os casos de pessoas desaparecidas. Elas querem a criação de uma delegacia especializada, com policiais preparados para lidar com casos de desaparecimento.