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22 janeiro 2018

Qual o perfil da criança vítima de abuso?

As meninas brasileiras Aracelli e Ana Lídia foram mortas depois de abusadas.
A austríaca Natascha Kampusch e a americana Elizabeth Smart foram sequestradas
por pedófilos, conseguiram se libertar do cárcere e transformaram suas histórias em livros
Infelizmente, qualquer criança está passível de ser vítima de abuso. Ocorre em todos os grupos sociais, em casa, na escola, nas igrejas; enfim, em todo e qualquer local onde exista um adulto disposto a obter gratificação sexual de uma criança por meio de violência física ou emocional. Por essa razão pais ou responsáveis devem estar atentos. O agressor pode ser um vizinho, um amigo da família, um professor, um instrutor de esportes ou dança, um religioso, um desconhecido e ainda mais grave, um membro da família e até um dos pais ou companheiros de seus genitores. O abuso quase sempre é praticado por alguém que convive com a criança, alguém que ela confia ou possui relação afetiva. Tal fato, somado aos tabus que cercam a sexualidade, deixam a criança numa posição de muita vulnerabilidade. Sentimentos como decepção, vergonha, culpa, medo atuam como impedimentos para que ela busque ajuda. E, se cria coragem para relatar o que está acontecendo, por sua vez terá de lidar com sentimentos semelhantes e a incredulidade da pessoa a quem ela pede ajuda.
Em se tratando de crianças muito pequenas, elas sequer entendem o que está acontecendo, mas é possível perceber através de reações em seu comportamento.
Como reconhecer se uma criança está sendo vítima de abuso? O que fazer se for surpreendido com um relato desse por parte da criança? São assuntos de nossos próximos posts. 

31 outubro 2017

Não compartilhe boatos


Todos os dias recebemos em nossas redes sociais áudios com imagens de crianças supostamente desaparecidas ou sequestradas. A maioria não cita telefones de contato ou o registro de ocorrência, mas pedem o compartilhamento. Tais notificações nunca são compartilhadas por nós e orientamos nosso público atendido a fazer o mesmo.

A Constituição Federal em seu artigo 5° assegura ao indivíduo o direito do uso de imagem. Em se tratando de crianças e adolescentes esse direito também é assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Ao receber um áudio pedindo compartilhamento assegure-se da veracidade da fonte, se existe Registro de Ocorrência e, principalmente, se a família autorizou o compartilhamento de informações e imagem do menor. 

Você conhece a história infantil do menino que vivia mentindo que estava se afogando para se divertir com a preocupação alheia e chamar atenção para si? O dia em que se afogou de verdade acabou morrendo, pois ninguém acreditou nele.

Não compartilhe boatos. Isso enfraquece a luta de quem realmente está em busca de uma criança desaparecida.


Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br


02 agosto 2016

Homenagem a Carlinhos


Há um mês, trocamos a foto de nosso perfil no Facebook pela foto do sorridente Carlinhos. Ele está longe de casa há exatamente 43 anos. No dia 2 de agosto de 1973 Carlinhos teve sua casa no Bairro de Santa Tereza, RJ, invadida por homens armados e mascarados que o obrigaram a acompanhá-lo, por ser a criança mais nova da família. Contava então com 10 anos de idade. Assim como nós, Mães do Brasil, sua mãe, Conceição Ramires da Costa, nunca perdeu a esperança de reencontrar o filho sequestrado. Nossos respeitos a ela e que nossas orações alcancem Carlinhos onde quer que esteja. 

02 março 2015

Mensagem para Thais


Thais foi sequestrada em 22 de dezembro de 2012 no Rio de Janeiro
 
O próximo dia 10 de março será um dia muito difícil para mim. Acontece mais uma audiência do suspeito do sequestro de minha filha Thais, ocorrido na véspera de Natal de 2002. O suspeito já foi condenado pelo sequestro de outra menina, Larissa, ocorrido seis anos depois do de minha filha. Ansiedade, expectativa, desespero, medo, tudo passa por minha mente.

Então, resolvi falar para minha filha, na esperança de que as mensagens que vou enviar daqui cheguem a ela de alguma forma.

Thaís, você foi uma filha planejada, por mim e por seu pai. Nós te desejamos muito. Quando finalmente engravidei de você, fiquei tão feliz, assim como seu pai e toda a nossa família. Sempre me perguntavam, como, aliás, perguntam para toda mulher grávida, se eu queria menino ou menina. Eu respondia: Que venha com saúde. Mas no fundo eu sabia que era uma menininha. E quando tive a certeza fiquei tão feliz. Quando você começou a se mexer dentro de mim, quanta emoção senti, Thais.

A barriga crescia e também minha ansiedade de conhecer sua carinha. São 12 anos sem te ver Thais. Hoje, também imagino como estará seu rostinho.

Compartilhem minha mensagem para que ela chegue à filha que tanto amo. Seja em que circunstância essa mensagem te encontrar, Thais. Seja o que for que tenha te acontecido, meu amor por você só fez crescer.

Sua mãe, Elisabete de Lima Barros

Elisabete grávida de oito meses
 
 

23 fevereiro 2012

Mudança no Código Penal


A comissão de 16 juristas que estuda a revisão do Código Penal, instituída pelo Senado desde o final do ano passado, estará em São Paulo para coletar sugestões da população, especialmente das pessoas que foram vítimas de violência. Eles promovem audiência pública na próxima sexta, 24, às 14h, no Tribunal de Justiça de São Paulo.

“Trata-se de uma grande oportunidade para que os movimentos, ONGs e entidades ligadas às vítimas de violência possam externar suas opiniões, de modo a contarmos com uma legislação atualizada aos novos tempos. Afinal, o Código Penal em vigor é de 1940 e ele está defasado em relação à situação de violência que, infelizmente, ainda vivemos no nosso dia a dia. É a possibilidade que a sociedade tem de lutar por justiça, um passo importantíssimo para acabarmos com a impunidade no nosso país”, afirma a deputada federal Keiko Ota (PSB-SP), que acompanha periodicamente as reuniões da comissão.

Coordenadora do movimento União em Defesa das Vítimas de Violência (UDVV), ela é mãe de Ives Ota, sequestrado e assassinado aos oito anos. A entidade está responsável por mobilizar os movimentos, ONGs e instituições para a audiência pública. Em seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados, Keiko Ota preside a Frente Parlamentar em Defesa das Vítimas de Violência. Devido aos trabalhos desenvolvidos pela Frente, a deputada federal foi convidada a participar dos encontros com os juristas que analisam a reforma do Código Penal.

As contribuições trazidas pela sociedade servirão para auxiliar na elaboração das mudanças à legislação penal. A comissão tem até maio deste ano para apresentar anteprojeto relacionado ao tema. “Daí, insisto, a necessidade das pessoas, familiares e movimentos em defesa da paz comparecerem à audiência pública para apresentarem suas sugestões. É uma ocasião única de aperfeiçoarmos o Código Penal para que tenhamos, de fato, justiça para todos, principalmente para aqueles que foram vítimas de violência”, explica Keiko Ota.

Uma das propostas defendidas pela deputada federal, e que está em discussão pelos juristas, é o aumento da pena máxima de 30 para 40 anos. “Esta é uma das demandas da sociedade em meio a uma série de distorções que precisam ser corrigidas. A progressividade, hoje, prevê que ao cumprir 2/5 da pena, o preso automaticamente pode ser libertado. Ou seja, independentemente do tipo de violência cometida, o apenado fica preso por, no máximo, 12 anos”, diz.

Segundo a deputada, outra questão que merece atenção é a necessidade de estabelecer critérios mais rigorosos para a concessão de benefícios como o indulto de Natal, a saída temporária da prisão e até mesmo a liberdade condicional. Para tanto, a parlamentar propõe a volta do exame criminológico, o que seria uma forma de se dispor de um diagnóstico efetivo do preso que demonstre se ele reúne condições seguras para usufruir desses direitos. Dessa maneira, a sociedade estará protegida de eventuais criminosos que não tenham comportamento compatível à obtenção desses benefícios.

“Somente com a mobilização e o apoio maciço da sociedade é que conseguiremos garantir justiça a quem realmente precisa de justiça. É importante que se diga que nós, vítimas de violência, não queremos vingança pelo ocorrido conosco. O que queremos é, isso sim, direitos humanos que sirvam para todos. Essa é a nossa luta, esse é o nosso objetivo”, aponta a deputada federal Keiko Ota.

SERVIÇO
Audiência pública sobre revisão do Código Penal
Dia 24 de fevereiro, às 14 horas
Concentração a partir das 12 horas
Tribunal de Justiça de São Paulo
Palácio da Justiça – Praça da Sé, s/n

04 janeiro 2011

Reportagem para a TV Brasil


Hoje participei de uma reportagem para a TV Brasil sobre desaparecimento de pessoas que será exibida no telejornal da noite. Cada gravação que participo é uma oportunidade de passar para as pessoas o que nós, mães de desaparecidos, vivenciamos. O que acontece conosco. Não nego que o momento mais difícil destas reportagens é quando nos perguntam como é nossa vida hoje. É horrível ter que lembrar e falar sobre como está minha vida sem minha Larissa. Mas o que tem que ser feito, tem que ser feito. Sempre agradeço quando me dão a oportunidade de mostrar a foto de minha sobrinha. Nunca desperdiço uma oportunidade como essa porque é a chance que Larissa tem de ser reconhecida e encontrada. Apesar de em janeiro completarem-se três anos de seu sequestro, eu acredito no impossível. Principalmente depois que minha amiga Maria do Socorro teve a filha encontrada depois de 30 anos. Meu objetivo ao participar dessas reportagens também é cobrar uma política de atendimento digna a famílias de desaparecidos. Digo às mães que por mais desgastante e dolorosa que seja a busca, não desistam. Na verdade, mãe não desiste do filho. O que acontece é que elas se deixam vencer pela dor. Eu devo minha sobrevivência a minha Larissa e as demais crianças que buscamos. Mesmo que eu não consiga encontrar nossas crianças, elas, de alguma forma, vão gostar de saber não nos deixamos vencer pela dor e nos mantivemos fortes e de pé para procurá-las.

Raquel Gonçalves, Mãe do Brasil
maesdobrasil@portalkids.org.br

26 outubro 2010

"Procuro a flor do meu jardim"

Raquel Gonçalves, tia de Larissa Gonçalves Santos, sequestrada de dentro de casa no Rio de Janeiro em 31 de janeiro de 2008, postou essa frase hoje em sua página no Orkut. Raquel é mãe em dobro. Sempre cuidou da sobrinha, principalmente depois do falecimento de sua irmã, a mãe de Larissa.
Raquel virou uma guerreira, enfrentou dores que só mesmo uma mãe aguentaria enfrentar.

Há um ano, o suspeito do sequestro de Larissa foi levado a julgamento. A sentença está para sair. Dolorosa espera. Principalmente porque sabemos que a Justiça, apesar de buscada e esperada, não irá trazer Larissa de volta.
Olhando o rostinho de Larissa, tão parecido com o de Raquel, a dor chega cortando o coração como uma navalha. Pouco antes de ser levada Larissa escreveu em sua agenda uma frase sobre Raquel: "Você é aquela que me guarda de todos os perigos!"

Onde está você Larissa, flor arrancada do nosso jardim?

25 outubro 2010

Clipping: Matéria do jornal Meia Hora, do Rio de Janeiro


Reprodução do texto de Janaína Carvalho:

Perseverança, luta, determinação e fé. São essas as palavras que fazem parte da rotina de inúmeras mães que enfrentam a dor do desaparecimento de um filho. E foi na tentativa de divulgar os casos de diversas crianças que somem de um dia para outro que as 'Mães do Brasil' resolveram apostar na internet como ferramenta de ajuda para localizar desaparecidos.
"Criamos o blog justamente com essa intenção. O que está na internet pode ser visto não só nas cidades onde as crianças sumiram, mas em qualquer parte do planeta", explica Elisabete Barros, que desapareceu há oito anos na Vila Kennedy, Zona Oeste do Rio.
Na época, Taís tinha apenas 9 anos e foi tomar um sorvete com o primo do outro lado da rua onde morava, quando desapareceu. Segundo testemunhas, a menina teria sido levada por um homem. "Minha filha é bonita, esperta e inteligente, com certeza ele a ameaçou para conseguir levá-la", afirma Elisabete, que tem outro filho de 16 anos.
Está na final de concurso
Como reconhecimento, esse ano o blog é finalista no concurso Top Blog. "A página é uma forma de aliviar a angústia de outras mães. Essa dor não passa nunca. Não há nada pior do que não saber o que está acontecendo com seu filho", afirma Elisabete. Segundo ela, uma das maiores lutas do grupo Mães do Brasil é mudar a forma com que as autoridades tratam os casos de pessoas desaparecidas. Elas querem a criação de uma delegacia especializada, com policiais preparados para lidar com casos de desaparecimento.

23 setembro 2010

Como agir ao reconhecer um desaparecido


DICA DE PREVENÇÃO: Graça Oliveira, uma das Mães do Brasil, foi procurada por uma vizinha que disse ter visto seu filho Luan de Oliveira dos Santos Nogueira, desaparecido há seis anos, na Rua Leite Ribeiro, em Fonseca, Niterói. Quando questionou a vizinha por que não falou com Luan, que estava sozinho e chegou a fitá-la insistentemente, a moça alegou que achou que o jovem já estava em companhia da família. Em situações assim, não deixe de se aproximar da pessoa desaparecida e tentar conversar com ela. Muitas vezes o desaparecido ronda a casa da família, sem coragem de voltar. E, se encontrar um desaparecido em situação de risco, chame a polícia.

19 setembro 2010

Suely Porfírio sobre o desaparecimento de sua filha Vanessa: "No Brasil não se respeita crianças pobres!"


“Vanessa era uma menina inteligente, extrovertida e responsável. Aos 10 anos me ajudava nas tarefas domésticas e passou a ir ao mercado fazer pequenas compras. Morávamos no morro da Coroa no Rio de Janeiro e ela descia na kombi comunitária que fazia ponto em frente ao mercado. No dia em que desapareceu, ela voltou cedo da escola porque a professora estava doente. Foi ao mercado comprar uma lata de óleo e não voltou. Mandei meu filho mais velho procurá-la e quando ele voltou dizendo que ninguém tinha visto Vanessa, comecei uma busca desesperada. Fui ao supermercado, aos bares e lojas em volta, mas ninguém a viu. O motorista da kombi disse apenas que a viu atravessar a rua em direção ao supermercado. Subi o morro a pé, fui na casa de vizinhos, de amiguinhas de Vanessa, fui ao hospital da área, ao corpo de bombeiros. Rodei o dia todo, sempre voltando em casa, para ver se ela tinha aparecido. Por volta das 22 horas, fui à delegacia. O policial de plantão insinuou que minha filha havia fugido com o namorado. Em prantos, expliquei que ela tinha apenas 10 anos, não tinha nem corpo de moça, que dirá namorado. Ele me mandou ter calma, que daqui a pouco Vanessa apareceria. Amanheci aquela noite na rua, andando de um lado para outro. No dia seguinte, peguei uma foto de Vanessa e junto com alguns vizinhos, fizemos uma manifestação em frente ao supermercado. O jornal O Povo apareceu e fez a primeira matéria. Nem assim a delegacia aceitou registrar a ocorrência. O delegado só sabia dizer que Vanessa havia fugido com o namorado, mas eu sabia que algo muito grave havia acontecido. Fiquei sete dias sem colocar nada na minha boca. Andava, andava, andava, procurando Vanessa desesperadamente. Várias vezes desmaiei de fraqueza. Fiz outra manifestação, desta vez na entrada do túnel Santa Bárbara. Os policiais apareceram e começaram a atirar. Assustadas, as crianças que estavam na manifestação pacífica correram para dentro do túnel. Dois rapazes que chegavam do trabalho e nem estavam na manifestação correram para ajudar e acabaram presos. Desmaiada, fui levada para casa e depois à polícia apareceu para me buscar. Fui detida para o batalhão e lá expliquei que tentava há duas semanas registrar o desaparecimento de minha filha. Consegui registrar, mas nunca fizeram nada pelo caso de Vanessa. Dei uma entrevista no programa Sem Censura, da TVE. Um rapaz telefonou dizendo que minha filha estava na Bahia. Minha vizinha também passou a receber telefonemas de uma criança chorando. O delegado se recusou a rastrear as ligações. Quando a conta chegou, descobrimos que as ligações - a cobrar - estavam vindo de uma cidade do interior da Bahia. O rapaz voltou a telefonar dando a localização de onde estava Vanessa. O Jornal Nacional da Rede Globo foi até a cidade e filmou uma menina muito parecida com minha filha. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro localizou uma testemunha que confirmou que Vanessa estava vivendo numa casa que ficava próxima à casa em que essa testemunha trabalhava como empregada doméstica. Essa denunciante veio depor no Rio de Janeiro e me disse que, quando passava para o trabalho, via Vanessa na porta da casa chorando. Contou, também, que Vanessa fez amizade com uma menina da casa que ela trabalhava, que inclusive a deixava fazer as ligações. A moça contou que Vanessa só chorava e dizia estar com saudades da mãe. Nesse meio tempo, chegou ao meu conhecimento que uma caixa do mercado tinha deixado o emprego, porque viu uma mulher loira forçar uma criança a entrar num carro branco. Essa moça fugiu apavorada com medo de ter que denunciar. Procurei-a por todos os lugares mas não consegui encontrar. A policia prendeu os dois homens acusados de manterem Vanessa em cárcere, mas não encontraram a menina. Depois, essa denunciante voltou atrás no depoimento e eles foram soltos. Aquela velha história de que sem corpos não há crime. A liberdade desses homens me fez desacreditar totalmente na Justiça. Até hoje, guardo a conta com o número dos telefones dados por minha filha da casa desses homens. A Justiça tinha tudo para encontrar minha filha. Só faltava um pouquinho. No Brasil, não se respeita a vida humana, não se respeitam as crianças pobres."