30 Outubro 2010

Orgulho e expectativa



Na quinta, 18, eu e Nicolas Raline, coordenador do Gente do Amanhã, que está sendo desenvolvido com o apoio da DKA-Áustria, almoçamos juntos para mais uma reunião do projeto que ajudará a realizar os sonhos de nossos jovens. Para as Mães do Brasil há uma só mãe, um só filho. Nico é o “filho mais velho” e vai comandar o projeto para os nossos outros filhos e filhas.

Gente do Amanhã está sendo elaborado com muito carinho há praticamente dois anos. A expectativa é grande.

Nicolas ajudou a idealizar e foi crescendo junto com o projeto. Hoje é um dia especial para ele que também foi escolhido para coordenar um projeto de jornalismo em sua faculdade e realizou nesta tarde seu primeiro trabalho como estagiário. Parabéns Nicolas! Nosso orgulho por você é grande!

Não resisti e pedi para a garçonete registrar a reunião com a câmera do meu celular. As fotos ficaram meio tremidas, mas nossa alegria é visível. Nico, para não fugir a tradição dos filhos, achou um “mico” ser fotografado em pleno restaurante.

Quer conhecer o projeto e saber como participar e apoiar, faça contato pelo e-mail: gentedoamanha@portalkids.org.br

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

O grito


A mãe que me passou o texto abaixo (com reflexões para os pais) contou que anda recebendo reclamações do comportamento do filho de 11 anos na escola. Excelente aluno, o menino tem - na opinião de sua professora - um incomodo defeito. Fala demais, inclusive durante as aulas.

“Ele gosta mesmo de falar”, confirmou-me, desolada, sua mãe. “Outro dia fomos fazer um passeio e só se ouvia a voz dele no ônibus. Ontem, depois de chegar da escola, chamei a atenção dele. Mandei que segurasse definitivamente a sua língua!”

“Já perguntou o motivo dele falar tanto?” – questionei.

O espanto da mãe disse tudo. Tal iniciativa não lhe tinha passado pela cabeça. Para aplacar seu constrangimento contei a história de um aluno que tive quando lecionei para uma turma de maternal, numa escola no Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro. O menino tinha três anos, eu 19. A pouca idade não o impedia de se esgoelar como um doido, todos os dias, pois adorava gritar. As demais crianças da turma se agitavam e me pediam:

“Tia, faz esse menino calar a boca!”

Tentei todo o tipo de argumento, mas ele explicou-me que gritava assim para imitar o carro de bombeiro, profissão que admirava. Um dia também me estressei e gritei:

“Chega! Pare de gritar que está me deixando louca!”

O menino emudeceu na hora e arregalou os olhos, assim como seus coleguinhas de turma. Acho que era a primeira vez que escutavam um grito meu. Aproveitei o silêncio para prometer:

“Se você não gritar mais o tempo todo, prometo que amanhã, no recreio, deixo você gritar até cansar.”

Ele concordou e no dia seguinte, assim que chegou para a aula, tratei de relembrar nosso trato. Na hora do recreio reuni as crianças numa roda e esperei que desse o primeiro grito. Mas quem disse que ele abria a boca. Convidei uma a uma as crianças a começar. Como nenhuma gritou, eu mesma iniciei a brincadeira, que terminou numa grande algazarra. As babás do berçário não acharam graça e vieram reclamar do barulho, mas revolucionária como sempre, garanti o direito de meus alunos gritarem. Ao menos na hora do recreio. A gritaria, para felicidade geral de todos na escola, não durou nem uma semana. Uma a uma as crianças foram se desinteressando da brincadeira. Até mesmo o menino que gostava de gritar. Um dia, ao ser chamado para “hora do grito”, como batizei “o movimento”, ele comunicou:

“Tia, não quero gritar mais não!”

“Ah... Por que?” – lamentei

“É chato!”

No aniversário dele o presenteei com um carro de bombeiros.

A mãe que me ouviu contar a história a considerou muito divertida. Sugeri que naquele mesmo dia sentasse com o filho e o deixasse falar. O que quisesse. Procurasse ouvi-lo, conversar com ele, mas evitasse ditar regras, como quando ordenou que ele segurasse a língua. Animada, ela prometeu experimentar e depois me contar o resultado.

A ilustração é do quadro O Grito, de Edvard Munch, de 1893. A fonte de inspiração do pintor norueguês (*1863/+1944) pode ser encontrada na sua própria história pessoal. Educado por um pai controlador, o artista assistiu em criança à morte da mãe e de uma irmã.

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

28 Outubro 2010

Reflexões aos pais

Uma mãe ganhou essa mensagem na escola do filho e sugeriu publicar no blog:

“Pai, mãe...
Não me dês tudo o que te peço.
Às vezes meus pedidos querem apenas ser um teste para ver o quanto posso pedir.

Não grites comigo.
Eu te respeito menos quando o fazes e me ensinas a gritar também.

Não me dês ordens a todo momento.
Se em vez de mandar, algumas vezes fizesse pedidos, eu o faria mais rapidamente e com mais gosto o que desejas.

Cumpre as promessas que fazes, boas ou más.
Se me prometes um prêmio, deve dá-lo; assim como um castigo.

Não me compares a ninguém, especialmente a meus irmãos.
Se me colocas acima deles, alguém vai sofrer.
Se me colocas abaixo, eu é que sofro.

Não mudes de opinião a cada momento sobre o que devo fazer.
Pensa antes, mantendo a decisão.

Deixa que eu faça, acertando ou errando.
Se fazes tudo por mim, serei um eterno dependente.

Nunca pregues uma mentira, nem me peças que eu o faça.
Isso criará em mim um mal-estar e me fará perder a confiança em tudo o que afirmas.

Quando te enganas em alguma coisa, admite-o francamente.
Isso não te diminuirá a meus olhos, pelo contrário, te fará crescer e eu aprenderei a assumir minhas faltas.

Quando perceberes um problema meu, não digas que é bobagem que o tempo corrige ou que não tens tempo.
Eu preciso ser compreendido e ajudado.

Trata-me com a mesma amizade e a mesma cordialidade com que tratas teus amigos.
O fato de pertencermos à mesma família não significa que não possamos ser amigos também.

Nunca me ordenes fazer uma coisa quando tu mesmo não a fazes.
Eu aprendi a fazer sempre e apenas aquilo que tu fazes e não aquilo que tu dizes.”

26 Outubro 2010

"Procuro a flor do meu jardim"

Raquel Gonçalves, tia de Larissa Gonçalves Santos, sequestrada de dentro de casa no Rio de Janeiro em 31 de janeiro de 2008, postou essa frase hoje em sua página no Orkut. Raquel é mãe em dobro. Sempre cuidou da sobrinha, principalmente depois do falecimento de sua irmã, a mãe de Larissa.
Raquel virou uma guerreira, enfrentou dores que só mesmo uma mãe aguentaria enfrentar.

Há um ano, o suspeito do sequestro de Larissa foi levado a julgamento. A sentença está para sair. Dolorosa espera. Principalmente porque sabemos que a Justiça, apesar de buscada e esperada, não irá trazer Larissa de volta.
Olhando o rostinho de Larissa, tão parecido com o de Raquel, a dor chega cortando o coração como uma navalha. Pouco antes de ser levada Larissa escreveu em sua agenda uma frase sobre Raquel: "Você é aquela que me guarda de todos os perigos!"

Onde está você Larissa, flor arrancada do nosso jardim?

25 Outubro 2010

Clipping: Matéria do jornal Meia Hora, do Rio de Janeiro


Reprodução do texto de Janaína Carvalho:

Perseverança, luta, determinação e fé. São essas as palavras que fazem parte da rotina de inúmeras mães que enfrentam a dor do desaparecimento de um filho. E foi na tentativa de divulgar os casos de diversas crianças que somem de um dia para outro que as 'Mães do Brasil' resolveram apostar na internet como ferramenta de ajuda para localizar desaparecidos.
"Criamos o blog justamente com essa intenção. O que está na internet pode ser visto não só nas cidades onde as crianças sumiram, mas em qualquer parte do planeta", explica Elisabete Barros, que desapareceu há oito anos na Vila Kennedy, Zona Oeste do Rio.
Na época, Taís tinha apenas 9 anos e foi tomar um sorvete com o primo do outro lado da rua onde morava, quando desapareceu. Segundo testemunhas, a menina teria sido levada por um homem. "Minha filha é bonita, esperta e inteligente, com certeza ele a ameaçou para conseguir levá-la", afirma Elisabete, que tem outro filho de 16 anos.
Está na final de concurso
Como reconhecimento, esse ano o blog é finalista no concurso Top Blog. "A página é uma forma de aliviar a angústia de outras mães. Essa dor não passa nunca. Não há nada pior do que não saber o que está acontecendo com seu filho", afirma Elisabete. Segundo ela, uma das maiores lutas do grupo Mães do Brasil é mudar a forma com que as autoridades tratam os casos de pessoas desaparecidas. Elas querem a criação de uma delegacia especializada, com policiais preparados para lidar com casos de desaparecimento.

22 Outubro 2010

Saudosismo de "mãe"


Nicolas com Ariane, ela com Mariana e Renata, Dandara e Thais, nossa Gente do Amanhã

Quarta, 20, foi um dia especial. Eu e a psicóloga Valéria Magalhães realizamos a primeira reunião de diretoria que deu a largada no projeto Gente do Amanhã. Este projeto começou a nascer em 2006, durante as reuniões de atendimento psicológico do projeto Mães do Brasil, que teve o apoio do Criança Esperança, um projeto da TV Globo em parceria com a Unesco.

Mais animadas e fortalecidas pelo atendimento psicológico, as mães passaram a levar os filhos para a UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) onde era desenvolvido o projeto. A criançada, irmãos e irmãs de desaparecidos, se juntou com as crianças que iam sendo localizadas por nós e a convivência se deu nos moldes de uma grande família.

Para administrar o entusiasmo da garotada, começamos a fazer dinâmicas com as crianças – eu, que fui professora e atriz, inseri leituras, jogos, coral, teatrinho, entre outras atividades; e Valéria, atendimento psicológico. Fomos percebendo que, a exemplo de suas mães, as crianças sentiam necessidade de partilhar experiências e que o convívio com outras crianças que vivenciavam a mesma situação de perda que elas, tirava o sentimento de exclusão.

Ano passado, diante da insistência de Nicolas Raline, um dos jovens que frequentavam os encontros naquela época, de trabalhar como voluntário da instituição, perguntei o que achava de um projeto que atendesse as crianças. Nicolas gostou da ideia, mas achou que o projeto deveria começar atendendo aos jovens que estavam fazendo a transição para a vida adulta, começando uma vida social e profissional. Pedi que ele desenvolvesse a ideia e surgiu o projeto Gente do Amanhã, que vai promover, com o apoio da DKA-Áustria, acesso ao lazer, a cultura e ao mercado de trabalho. Vamos tentar ajudar nossos jovens a realizar seus sonhos e projetos pessoais.

Quando encontrei com Valéria comentei que naquele dia acordei com um sentimento de emoção e saudosismo. Até outro dia eles estavam correndo na UERJ e agora Nicolas, estudante de jornalismo, vai comandar um projeto para a gente que ele ajudou a idealizar. Dandara Magalhães, que era repórter "kids" do nosso portal, vai estudar jornalismo. Renata Oliveira, estudante de direito, até outro dia estava me pedindo: “Tia, me chama, para qualquer coisa que você fizer, quero participar dos projetos da ONG."

Acredito que educação é olhar para a criança, reforçar o que ela tem de bom, lapidar o que está errado e deixá-la experimentar. Esse projeto tem a alma de nossas crianças. Ou melhor, de nossos já quase adultos, de nossa Gente do Amanhã.

Se você tem de 16 a 20 anos, teve um familiar vítima de desaparecimento e deseja conhecer esse projeto, entre em contato. Empresas e instituições interessadas em conhecer o projeto e as propostas de ações que temos a oferecer aos jovens nos envie um e-mail para: gentedoamanha@portalkids.org.br

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

21 Outubro 2010

Dia Internacional de atenção à Gagueira


A gagueira é um distúrbio neurológico que pode causar forte impacto negativo na vida da pessoa que gagueja. Dada a importância da comunicação na vida diária, a gagueira tende a prejudicar consideravelmente a funcionalidade do indivíduo em vários aspectos da vida, sobretudo nos âmbitos acadêmico, social e ocupacional. Apesar de ser um distúrbio que incide em 5% da população - e se torna crônico em 1% dela - a gagueira infelizmente ainda não recebe a atenção e o cuidado que necessita.

Para minimizar isto, desde 1998, em diversas partes do mundo, acontece no dia 22 de outubro o DIA INTERNACIONAL DE ATENÇÃO À GAGUEIRA. Em vários países, pessoas famosas que gaguejam dão depoimentos e ajudam a melhorar o nível de informação sobre a gagueira e os tratamentos disponíveis. Julia Roberts e Bruce Willis já participaram da campanha, contando suas experiências pessoais. Eles se juntam a outras pessoas brilhantes que, ao longo da história, também conviveram com o distúrbio: Demóstenes, Charles Darwin, Winston Churchill, Lewis Carroll, Machado de Assis, John Updike, José Saramago, entre outros.

O tema da campanha do DIA INTERNACIONAL DE ATENÇÃO À GAGUEIRA de 2010 é “Seu Filho Gagueja?”. Este tema foi escolhido para esclarecer aos pais e familiares sobre este sério distúrbio de fluência da fala e alertá-los sobre a enorme importância do atendimento precoce.O objetivo dessa campanha é oferecer informações científicas atualizadas para aumentar a compreensão de todos sobre esse distúrbio, que geralmente é visto como engraçado, mas que pode ter consequências bastante graves – levando a pessoa a grande sofrimento e até mesmo ao isolamento. Os organizadores esperam contribuir para que as piadas em torno do distúrbio diminuam na proporção inversa do nível de esclarecimento sobre ele, de modo a acabar com o preconceito e a ridicularização que ainda humilham e maltratam as pessoas que gaguejam e seus familiares.

Na intenção de disseminar informação e esclarecimento sobre esse distúrbio que atinge cerca de dois milhões de brasileiros, dezenas de cidades promoverão atividades gratuitas para a população na semana do dia 22 de outubro. A programação oficial poderá ser acompanhada no site do IBF, do Cefac e do CFFa.

A gagueira

A gagueira atualmente é entendida pela comunidade científica nacional e internacional como um distúrbio neurológico que afeta a fluência natural da fala. A gagueira se caracteriza por inter-rupções atípicas e involuntárias no fluxo da fala: repetições, hesitações, bloqueios, prolongamentos, tensões corporais e/ou orofaciais. Trata-se de um distúrbio universal, percebido em todas as partes do planeta independentemente da raça, cultura, credo ou situação socioeconômica. A gagueira incide temporariamente em 4% da população e prevalece em 1% da população mundial, numa proporção de quatro pessoas do sexo masculino para uma do sexo feminino.

Na maioria dos casos, ela surge entre os dois e quatro anos de idade, e seu desenvolvimento é gradual, mas, em um terço das crianças atingidas, ela começa abruptamente. Tende a ocorrer em famílias onde há membros que gaguejam, ou que gaguejaram, em uma proporção três vezes maior do que em crianças sem histórico familial.

Estudos específicos apontam para a transmissão genética na maioria dos casos. Porém, o fator genético não pode ser considerado como causa única, mas sim como predisposição para esse distúrbio. A gagueira é entendida com um distúrbio multifatorial de base neurológica. Sabe-se também que lesões cerebrais podem causar alterações nas estruturas responsáveis pelo sequenciamento motor da fala, causando a gagueira.

Muitas das crianças que gaguejam poderão obter remissão total desse quadro, mas ainda não há como o leigo prever quais são as crianças que se encontram nesse grupo. E é exatamente por isso que é fundamental que se faça uma avaliação especializada e, se necessário, se inicie o tratamento o mais cedo possível. Quanto mais rápida e adequada for a intervenção terapêutica, melhores serão os resultados. O profissional a ser consultado para a avaliação e diagnóstico diferencial da gagueira é o fonoaudiólogo especializado no atendimento dos distúrbios da fluência, que tenha conhecimentos científicos e práticos sobre o tema.

Mesmo pessoas adultas que já apresentam a gagueira instalada de longa data, quando em tratamento fonoaudiológico adequado, apresentam melhoras significativas, otimizando suas relações de comunicação como um todo, minimizando significativamente o distúrbio e o sofrimento interno que ele ocasiona.

A gagueira mais frequente é a Gagueira do Desenvolvimento, que se inicia na infância e pode ir agravando. A Fonoaudiologia reconhece também outros quadros considerados como Distúrbios da Fluência: a taquilalia, a taquifemia e a gagueira adquirida. Apenas um fonoaudiólogo especializado no tema tem competência para avaliar, fazer o diagnóstico diferencial, traçar um planejamento adequado e ajudar o paciente a eliminar a gagueira em crianças, ou a falar de maneira mais suave e natural, sem tanta dificuldade, minimizando assim os impactos negativos do distúrbio na vida da pessoa.

Realização Nacional:
CEFAC – Saúde e Educação (www.cefac.br)
HSPE – Hospital do Servidor Público Estadual ( www.iamspesaude.com.br)
IBF – Instituto Brasileiro de Fluência (www.gagueira.org.br )
FM-UFRJ – Curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (www.medicina.ufrj.br )
CFFa. - Conselho Federal de Fonoaudiologia – (www.fonoaudiologia.org.br )

Lições no trânsito do Rio


Um sono profundo se abate sobre a maioria dos homens, mulheres e jovens com seus fones de ouvido a cada manhã nos ônibus. Uma maneira de não “enxergar” os idosos e ter que ceder os assentos. Ha dois dias, no trajeto para o trabalho, não foi diferente. Até que entrou um deficiente visual obrigando o jovem sentado diante de mim a ceder sua poltrona. Quando o deficiente soltou, permiti que uma idosa a ocupasse, o que fez o garoto me olhar meio atravessado, afinal, o lugar era dele. Cheia de simpatia a senhora comentou comigo:

“Tenho sorte! Sempre encontro alguém que me cede o lugar...”

“É mesmo!” – comentei.

Ao que ela me confidenciou sorrindo:

“É que quando jovem ajudei muitos idosos!”

Em dado momento a senhora, movida por aquela necessidade que a gente tem de compensar os que nos são generosos, lamentou eu estar o tempo todo de pé. Expliquei que estava acostumada, sempre cedia o lugar. E contei que trabalhava com direitos humanos. Que direitos humanos começa em casa, ou melhor, dentro da gente. Foi aí que a senhora, que acabei nem conhecendo o nome, me presenteou com sua sabedoria de vida:

“Seu trabalho deve ser bem difícil, mas não desista. É melhor fazer o bem com desvantagem do que o mal com vantagem. Já reparou que fazer o bem requer um sacrifício no momento? Ao contrário do mal, que de saída gera uma vantagem para quem o pratica. Mas o preço a pagar depois é caro. Ao contrário do bem. Quando a recompensa do bem chega é para sempre!”

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

19 Outubro 2010

Mães do Brasil são Top 30!


Deu zebra no Prêmio Top Blog! E essa zebra é mãe, Mãe do Brasil. Hoje Alessandro Lo-Bianco, jornalista responsável pelas mudanças visuais e tecnológicas do Blog das Mães do Brasil me contou a novidade todo feliz. Estamos entre os 30 finalistas. Quase não acreditei! Estar entre os 100 já foi um prêmio. Sinal de que a causa das mães das crianças desaparecidas está sendo vista, aceita, respeitada. E pensar que quando comecei a trabalhar com as mães, elas eram consideradas injustamente como negligentes. Convivendo com as mães percebi o quanto são dignas. Não é fácil continuar sendo digno quando se tem um filho desaparecido e se vive num país sem políticas de busca a esse filho. Usei minha capacitação como jornalista para dar voz às mães. Por isso esse prêmio é tão importante.

Nosso amigo Alessandro vem lapidando essa voz, embelezando-a, modernizando-a e tornando essa voz acessível há muitos. Obrigada Alessandro! E parabéns Mães do Brasil!

Dedicamos essa vitória a vocês que estão votando em nós e aquelas que motivam nossas buscas, dão sentido a nossa vida: as crianças!

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

15 Outubro 2010

Ser dedicado

Eu, Bete e as crianças que inspiram nossa dedicação


Ontem fui comemorar o aniversário de um grande amigo e dois rapazes que estavam na festa, que não conheciam o meu trabalho com as mães, se mostraram encantados por nossas ações. Incentivada pela curiosidade deles, falei apaixonadamente sobre nossa busca pelas crianças desaparecidas e a felicidade de passar a conviver com as que re-encontramos. Eles se enterneceram, se encantaram. E ficaram surpresos ao descobrir que exerço esse trabalho de forma voluntária. E mais pasmos ainda em perceber que tanta atividade já se incorporou a minha rotina, que não acho nenhum sacrifício. Conversando com eles me dei conta que o difícil mesmo tem sido encarar essa transição do exercício do trabalho de dedicação as crianças com a de presidir uma instituição. Que precisa de verba, projetos, administração, que precisa de uma chefe, enfim. Por que inicialmente eu liderava um trabalho. Depois precisei ser chefe de uma instituição. Existe uma diferença muito grande entre ser chefe e ser líder. Mas preciso ser as duas coisas.

Hoje, no trajeto para a redação onde trabalho, vim lendo o livro Pense Nisso, de J. Krishnamurti. O autor está entre os meus preferidos e teve um grande significado em minha formação. Estou usando este livro como fonte de inspiração para a realização do projeto Gente do Amanhã, que tem o apoio da DKA-Áustria e que foi desenvolvido a partir de nosso convívio com irmãos das crianças desaparecidas e crianças localizadas que atendemos. Eu e Nicolas Raline, o coordenador do projeto, estamos lendo o livro e debatendo sobre os temas.

O capítulo de hoje falava sobre a dedicação e caiu como uma luva para ajudar a entender meus sentimentos em relação ao novo projeto que começa. Palestrou o autor sobre a dedicação:

“Compreendem o significado da palavra ´dedicação`? Ser dedicado é se entregar totalmente a algo, sem pedir nada em troca... Refiro-me àqueles que se dedicaram a ensinar, não por dinheiro, mas porque se trata de sua vocação, de seu amor. O amor é o que há de mais prático no mundo. Amar, ser gentil, não ser ganancioso nem ambicioso, não ser influenciado pelas pessoas, mas pensar por si mesmo; são coisas bem práticas, e formarão uma sociedade prática, feliz.”

Como essa descrição se encaixa no nosso trabalho, em minha trajetória com as mães. Mas as necessidades toda hora se fazem presentes nessa nossa realidade. Ontem mesmo eu estava falando com a Elisabete Barros, a coordenadora das Mães do Brasil, que precisará voltar a trabalhar e teme não poder faltar ao emprego para poder cuidar da investigação de sua filha e de outras mães que ela auxilia, de como a necessidade de verba para pagar nossas contas de telefone, confeccionar cartazes, camisetas que estão todas velhas, pagar as passagens para as mães se deslocarem em sua busca pelos filhos, ter psicólogo, advogado, assistente social, um profissional de comunicação que faça a arte dos cartazes, a manutenção do blog, é essencial neste trabalho, que é motivado pela dedicação, mas não se sustenta apenas com dedicação. Graças a Deus o lado prático e administrativo do trabalho não diminuiu, muito pelo contrário, aumentou a dedicação e o amor. Antes pensávamos que trabalhávamos por um único retorno: re-encontrar as crianças. Aos poucos fomos nos dando conta que o ato de busca é a única maneira de amor possível as crianças. E que de alguma forma, em algum momento, elas saberão disso.


Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

13 Outubro 2010

Mães do Brasil no Segundo Turno


Nosso Blog também entrou no SEGUNDO TURNO da eleição Top Blog

Estamos muito emocionadas de estar entre os 100 finalistas e gostaríamos de agradecer a todos que votaram em nós e que tem visitado nosso blog, acompanhado nossas histórias de luta pela busca de nossos filhos desaparecidos. Sabemos o quanto é difícil partilhar histórias reais e que em sua maioria não tiveram - ainda - um final feliz. São histórias tristes, mas histórias de força e de esperança. De saudade e amor por nossos filhos. Quando partilham conosco nossas histórias vocês nos libertam da exclusão da dor e isso é muito importante para quem sofre uma perda como a nossa.

Gostaríamos de dedicar nossa indicação a Deus, a nossos filhos onde quer que estejam, a vocês que votaram em nós, ao Portal Kids e ao jornalista Alessandro Lo-Bianco que voluntariamente tem nos ajudado na arte do blog. Obrigada amigos por divulgar a causa de nossos filhos.

Sinceramente, já estamos satisfeitos de estar entre os 100 melhores blogs, mas se quiserem votar em nós nessa nova etapa, claro que ficaremos felizes. O importante é que vocês não deixem de nos acompanhar e divulgar a causa de nossas crianças.

Se ganharmos o prêmio vamos vender ou leiloar a moto e usar a verba para o Projeto Mães do Brasil que atualmente encontra-se sem apoio.

Atenção! A lista dos blogs será exibida em ordem alfabética.

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12 Outubro 2010

Dia das Crianças


Hoje é dia em que acordamos com a costumeira dor no peito ainda mais forte.
Com os olhos cheios de lágrimas.
A saudade ainda mais dilacerante.
E o vazio... Como pode o vazio de nossa vida estar ainda maior?

Mas foi preciso levantar, fazer café.
E fingir que hoje é um dia normal, que os olhos de nossos outros filhos não estão tristes.
Não notar a piedade e o desconforto dos que já cruzaram ou cruzarão por nós neste dia tão feliz.

Foi preciso dar o brinquedo que os filhos que ficaram merecem.
Mas que foi tão doloroso entrar na loja e comprar.
Pois o filho que nos foi tirado não está para receber.

Hoje é dia de fingir sorrisos e chorar escondido o nosso amor amputado.

Mães do Brasil

06 Outubro 2010

Feliz aniversário Thaís



Como era fascinante ver como o tempo passava rápido e principalmente ver como ele se torna indefeso diante de uma personalidade forte e carinhosa.
Estou certa que nem o tempo e nem as dificuldades serão fortes o bastante para modificar o seu jeitinho doce e talvez por isto você continuará sendo sempre a minha princesinha.

Não estar ao seu lado nesse dia é tão doloroso mais independente de qualquer coisa continuaremos sempre ligadas pelos laços do amor.

Gostaria desejar mil coisas e dar meus conselhos e minhas dicas de mãe.
Mas hoje tenho apenas a saudade e esperança de lhe encontrar e te dar aquele carinhoso beijo e abraço.

Você é a grande responsável por todos os momentos bons que vivemos e jamais cairá no esquecimento.
Thaís meu amor por você é incondicional. Queria apenas poder dizer feliz aniversário!
Te Amo!
Sua mãe Elisabete Barros

01 Outubro 2010

Ideia ecológica: usar tampas de garrafas para fechar sacos

Para selar um saco e torná-lo hermético:

Corte a garrafa de água descartável mantendo o gargalo e a parte superior. Insira o saco de plástico no gargalo e gire a tampa para fechar.

Esta é uma ótima idéia para compartilhar. Bom para nós e também para o meio ambiente.
Uma ideia ecológica, para quem pensa nas pequenas ações que fazem a diferença na cultura da preservação do planeta!

Apoio: Loja da Vitalogy