29 novembro 2010

Gilberto, o querido


Sempre que acontece algo de muito importante com as Mães do Brasil, elas costumam pedir para falar com Gilberto. Com Socorro não foi diferente no dia em que conversou por telefone com a filha que buscava há 30 anos pela primeira vez.

Durante dois anos Gilberto Fernandes foi o psicólogo que coordenou um grupo de apoio psicológico formado por mães de crianças desaparecidas, um projeto inédito de nossa instituição, que foi desenvolvido com o apoio do Criança Esperança, projeto da TV Globo em parceria com a UNESCO. Conheci Gilberto no fim do ano de 2005 na DCAV (Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima) do Rio de Janeiro. Naquela época estudávamos a proposta de montar um núcleo da delegacia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que seria especializado em desaparecimento de pessoas. O então delegado titular da DCAV, Dr. Leonardo Tumiati, queria um aproximação maior entre seus policiais e a equipe do Portal Kids e insistiu para que eu conhecesse o Gilberto, que fazia atendimento psicológico a crianças vítimas de abuso sexual, casos que a delegacia cuidava.

Teimei que não precisava. Tão desconfiada quanto às mães, só gostava mesmo de lidar com o policial que cuidava dos nossos casos, o inspetor Marcus Guimarães.

“Não resista Wal Ferrão! Você tem que conhecer o Gilberto. Ele tem tudo a ver com seu trabalho”, insistiu o delegado.

Na reunião, Gilberto conversou mais com Valéria Magalhães, psicóloga e diretora do Portal Kids, mas no final me surpreendeu com a declaração:

“Essa delegacia não sai do papel, mas gostei de seu trabalho. Me ofereço para trabalhar na ONG.”

Lancei-lhe um olhar atravessado. Que atrevimento ele dizer que o projeto da delegacia especializada, sonho antigo das Mães do Brasil, não iria se concretizar. Limitei-me a informar que não tínhamos apoio financeiro e eu e Valéria trabalhávamos com as Mães do Brasil de forma voluntária.

“Me ofereço como voluntário!”, insistiu Gilberto e até escreveu de próprio punho seus contatos telefônicos na minha cadernetinha.

Fiquei tão desconfiada com a insistência que cheguei a perguntar ao inspetor Guimarães se o policial em questão queria nos investigar. Guimarães achou graça e garantiu que Gilberto tinha mesmo se impressionado positivamente com nosso trabalho.

Em janeiro, o Dr. Tumiati foi inesperadamente transferido da DCAV e o sonho da delegacia se desfez. Em junho, ganhamos o apoio do Criança Esperança e começamos eu e Valéria a procurar outro profissional de psicologia que dividisse com ela o atendimento das mães. Valéria lembrou de Gilberto. Resolvi chamá-lo para que participasse de umas reuniões de preparação do projeto, sem compromisso. Mas ele, não só se encaixou perfeitamente no que queríamos, como acrescentou sua vasta experiência e capacitação.

Antes de começar a realizar entrevistas individuais com as Mães do Brasil, surgiu a dúvida. Revelaríamos que além de psicólogo ele era policial? As mães não tinham lá uma boa imagem e muito menos um bom relacionamento com a polícia. Nunca menti para as mães. Gilberto também preferia dizer a verdade. A reação delas vocês ficam sabendo num próximo post.

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

28 novembro 2010

Parabéns Rio


Acaba de ser preso um dos assassinos do jornalista Tim Lopes na comunidade do Alemão. Tim foi um grande amigo do Portal Kids. Muita emoção! Como é boa a sensação de Justiça.

Adote um de nossos pequenos capoeiristas

27 novembro 2010

Capoeiristas mirins do Portal Kids realizam apresentação


Hoje, na Escola Municipal Carmem Regina Ferreira de Oliveira, em Saquarema, litoral do Rio de Janeiro, 30 crianças do Projeto de Capoeira do Portal Kids em parceria com a Ama Barra Nova (Associação de Moradores de Barra Nova), estão realizando uma apresentação sobre a direção de Mestre Fumaça, instrutor da turma.

A iniciativa visa fortalecer os laços com os moradores da cidade, que é um dos objetivos do projeto. E que tem alcançado muitos resultados. A prova é que, encantados com a performance de nossos pequenos capoeiristas e com o aumento do rendimento escolar que a turminha alcançou este ano, a direção da escola convidou Mestre Fumaça para realizar uma oficina em 2011.

O acompanhamento escolar é um item monitorado e avaliado pela direção de nosso projeto de Capoeira. Como também o comportamento, cooperação e participação da turma durante o curso.

No próximo dia 12 de dezembro nossa aplicada turminha irá realizar, na sede do Portal Kids na Ama Barra Nova, a cerimônia de graduação de cordas. Cada aluno receberá a corda que faz parte do uniforme. A cor da corda depende do nível de desempenho de cada esportista. Por enquanto, nossos alunos, todos oriundos de comunidades de baixa renda da região, estão participando do curso sem uniforme. Estamos realizando uma campanha de apadrinhamento na cidade para a aquisição dos uniformes. Se desejar também se tornar um padrinho ou madrinha basta doar R$ 30,00 (trinta reais), valor do uniforme individual. Apadrinhe um de nossos capoeiristas enviando um e-mail para atendimento@portakids.org.br para que possamos fornecer a conta para depósito e posteriormente o recibo da compra do uniforme.

Nas fotos Mestre Fumaça e os capoeiristas mirins do Portal Kids durante a apresentação.

Prévia do debate na TV Alerj


Quer uma prévia do debate entre a deputada federal Andreia Zito, relatora da CPI sobre o Desaparecimento de Crianças e Adolescentes e Wal Ferrão, presidente da OSCIP Portal Kids? Entre no link da Alerj Notícias. O debate entre a parlamentar e a jornalista vai ao ar neste sábado, 27/11, às 20h30 e na segunda, 29/11, às 16h no canal 12 da NET e pela parabólica Brasilsat 4. Pela internet o debate poderá ser visto no site da emissora http://www.tvalerj.tv

Na foto de Rafael Wallace as debatedoras num momento de descontração com a jornalista Graciela Vizzoto.

23 novembro 2010

Entrevista com Maria do Socorro

Assistam na TV Portal Kids. Basta entrar no nosso canal.

A Janela


Uma mãe, que acompanha nosso trabalho com crianças desaparecidas, contou-me o que anda acontecendo com uma menina de sua comunidade. A garotinha, de sete anos, adquiriu o preocupante hábito de acordar muito cedo, quando a família ainda está adormecida e sorrateiramente sair para brincar no quintal. A mãe da menina em questão, também ciente das nossas histórias de desaparecimento de crianças, procurou por diversas vezes alertar a filha sobre o perigo de seu comportamento, mas nada surtiu efeito.

“Acredita que a menina ainda mandou a mãe acordar mais cedo se quisesse impedi-la de sair? Só que todos os dias ela dorme às oito da noite e a mãe ainda vai preparar a comida para o marido levar na marmita no dia seguinte”, indignou-se a mãe que me contou essa história, perguntando o que eu faria para impedir a criança de fugir para o quintal.

Quando sugeri que a família poderia esconder a chave da porta, ela retrucou:

“E você acha que a mãe dela não fez isso? Mas a menina pulou a janela...”

Não pude deixar de rir. Minha interlocutora acabou rindo junto comigo, mas depois acrescentou:

“Agora ela não está mais fazendo isso, mas parecia até uma tentação!”

Expliquei que nessa idade as crianças tendem a querer infringir regras, numa busca pela independência. Curiosa eu quis saber como a mãe da menina resolveu o problema. A mãe que me fazia o relato contou-me que um mendigo apareceu no quintal pedindo comida, amedrontando a garota, que entrou em casa gritando pela mãe. E desde então não tem mais brincado sozinha no quintal. Reconhecemos ambas que provavelmente o morador de rua estava mesmo em busca de comida, mas se não estivesse, sem dúvida os alertas da mãe evitariam que essa menina fosse vítima de alguma violência. Por isso, campanhas de esclarecimento e prevenção são tão importantes.

“E se ela voltar a desobedecer depois de esquecer o susto?” – quis saber minha amiga, em dúvida se umas boas palmadas não resolveriam o problema.

Perguntei o que mais a menina gosta de fazer. Ela respondeu que é ver desenhos pela tevê. Sugeri que a mãe corte esse prazer da filha até ela compreender que precisa respeitar suas orientações, atitude muito mais eficaz que uma palmada.

A ilustração é do quadro A Imagem, de René Magritte (Bélgica, 1898, Bruxelas, 1967). O pintor, considerado um espírito travesso, presenciou o corpo da mãe, vítima de suicídio, ser retirado das águas do rio. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns como o castelo, a rocha e a janela entre outros. Dizia Magritte sobre sua própria obra: “As pessoas que procuram significados simbólicos não conseguem captar a poesia e o mistério da imagem.”

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

27/11 - Dia Nacional de Combate ao Câncer



A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) promove em 27 de novembro a 12ª. edição da Campanha Nacional de Prevenção do Câncer de Pele. Cerca de 4 mil profissionais voluntários, incluindo médicos dermatologistas e enfermeiros, vão prestar atendimento gratuito em 165 postos, em 24 estados nas cinco regiões do país. Serão oferecidos exames completos da pele, palestras e orientações sobre os cuidados com a exposição solar, prevenção, autoexame e descoberta precoce da doença. Os casos com suspeita de câncer de pele serão imediatamente encaminhados para tratamento gratuito, incluindo cirurgias.

Guinness Book

De acordo com o presidente da SBD, o médico dermatologista Omar Lupi, a estimativa para 2010 é atender 40 mil pessoas em todo Brasil. “A campanha entrou para o Guinness Book em junho deste ano, quando foi reconhecida pelo livro dos recordes como a maior ação mundial de prevenção do câncer de pele no mundo”, afirma.

A campanha tem o objetivo de contribuir na redução da doença no País. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) sobre a estimativa de casos para este ano mostram que o câncer de pele tipo não melanoma é o de maior incidência entre os brasileiros: 114 mil diagnósticos, o que corresponde a 23% de todos os tumores registrados.

Exposição sem proteção

O levantamento das edições anteriores da campanha, entre 1999 a 2009, revela que uma das causas para o índice elevado da doença está no comportamento da maioria dos brasileiros: 66,3% se expõem ao sol sem qualquer tipo de proteção. “O mais eficaz é adotar um conjunto de medidas no cuidado com a pele para a prevenção primária, incluindo não só o filtro solar como também o uso de chapéus, óculos e roupas adequadas para reduzir os efeitos da radiação solar, principalmente no horário de maior incidência dos raios UVB, das 10h às 15h”, afirma a coordenadora da campanha, a médica dermatologista Selma Cernea.

Ela chama atenção para os cuidados desde a infância. “O câncer de pele não melanoma é resultado de um processo evolutivo ao longo dos anos de vida. Não surge de uma hora para outra”, explica. A médica esclarece que a doença não deve ser associada somente à exposição ao sol na praia ou a atividades de lazer. “A proteção é indispensável em qualquer lugar e em qualquer situação de exposição ao sol como, por exemplo, o exercício de atividades profissionais ao ar livre”, alerta.

Perfil

A SBD também verificou que, entre 1999 a 2009, a incidência dos casos é maior em homens (61,6%) do que em mulheres (38,4%); em pessoas de pele clara (63%); e na faixa etária de 55 a 65 anos A concentração dos casos nas regiões é maior no Sul
(10,44%), seguida do Sudeste (9%), Centro-oeste (8,9%), Nordeste (8,62%) e Norte:
(8,14%). A campanha já atendeu 357.268 pessoas em 25 estados das cinco regiões do País, sendo verificados 32.742 casos de suspeita da doença, o que representa 9,12%. De acordo com o Inca, os estados com maior incidência de casos é Santa Catarina e Rio Grande do Norte.

As informações sobre a campanha, incluindo a localização dos postos de atendimento gratuito, podem ser obtidas no site www.sbd.org.br ou no 0800-701 3187 (disponível a partir de 6/11). No site da SBD também há uma calculadora de risco para câncer de pele através da qual a população pode saber qual é a probabilidade de desenvolver a doença.

22 novembro 2010

Debate na TV Alerj


Eu e a deputada federal Andreia Zito, relatora da CPI da Criança Desaparecida, participamos hoje à tarde de um debate na TV Alerj, no Rio de Janeiro.

O tema do programa foi o desaparecimento de crianças e jovens. O debate, conduzido pela jornalista Graciela Vizzoto, foi de alto nível e será exibido no próximo sábado, 27, às 20h30 e reprisado segunda, 29, às 14 h.

Aproveitei a ocasião para agradecer pessoalmente a deputada Andreia Zito a passagem de avião que ela doou para que a Mãe do Brasil Maria do Socorro viajasse para Brasília para re-encontrar a filha, que estava desaparecida há 30 anos. Andreia ficou até constrangida com os agradecimentos. E se emocionou quando eu disse que quem recebe é que sabe o valor do sorriso.

Na foto acima eu e Andreia com a jornalista Graciela em pleno debate. E abaixo, eu e Andreia posando no estúdio de gravação.



Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

Artigo da Deputada Andreia Zito no Jornal O Dia


Mães do Brasil recomendam a leitura do artigo da deputada federal Andreia Zito no Jornal O Dia de hoje. Andreia é relatora da CPI da Criança Desaparecida em Brasilia e tem realizado um trabalho muito consciente em prol da causa.
Na foto Tercília, Elisabete, Raquel e Graça com a deputada Andreia Zito num encontro em seu gabinete no Rio de Janeiro.

20 novembro 2010

Comemorando a localização da filha


Assim que voltou de Brasília, depois de re-encontrar a filha que não via há 30 anos, Maria do Socorro Sales Reis disse que precisava conversar comigo. Marcamos neste sábado, por causa dos nossos compromissos profissionais e aproveitamos a ocasião para almoçar juntas e comemorar. Encontrei uma nova mulher. Socorro está radiante e “falante”. Sempre muito reservada e quieta, acho que nunca vi Socorro falar tanto. Ela falou, falou, falou. De sua alegria ao rever a filha e a mãe que ficaram no Maranhão quando ela veio para o Rio em busca de uma vida melhor, da alegria de conhecer a neta. Socorro me contou coisas de sua vida que eu nem imaginava, apesar de conhecê-la há seis anos. Há muito tempo eu e Valéria Magalhães, diretora e psicóloga do Portal Kids conversamos sobre a possibilidade de transformar em livro o atendimento que realizamos com Socorro e o filho dela, que tem 14 anos. Achamos que este trabalho em especial poderia trazer luz a muita gente sobre a realidade da criança que vive nas ruas e a luta de uma mãe para trazê-lo de volta para casa. Hoje, conhecendo melhor a história de vida de Socorro, acho mesmo que temos que transformá-la em livro. Ela adorou a ideia. Socorro está puro poder. Agora ela sabe que pode tudo.

“Encontrar minha filha me devolveu a felicidade, eu tinha o peso da perda”, confessou-me hoje, de forma comovente.

“Você está mesmo à imagem da felicidade. Está até falando”, observei.

“É mesmo, voltei de Brasília falando. Antes eu só conseguia falar com o Gilberto (Fernandes, psicólogo das Mães do Brasil). Eu me sentia a vontade com ele, sentia que ele me entendia. As pessoas nos julgam muito, sem procurar entender. Minha vida estava travada. Quando senti esse entendimento em minha filha, agora eu quero mais é falar”, entusiasmou-se.

Na ida para o restaurante recebemos o telefonema de outra Maria, a Maria de Lurdes, que também teve a filha localizada pelo Portal Kids. As duas conversaram sobre a emoção do re-encontro, um sentimento que agora Socorro conhece bem. No restaurante, ao ver uma árvore de Natal, Socorro contou que este ano passará a data com a família, depois de tanto tempo. Ela recebeu convites para ir morar em Brasília com o filho, mas está avaliando, pois não quer interromper o tratamento que o menino faz aqui e se afastar do trabalho que realiza junto as Mães do Brasil. O que ela decidir, terá o nosso apoio.

Amanhã, às 20 horas, o programa Domingo Espetacular da TV Record deve exibir uma matéria sobre o re-encontro de Socorro e sua filha. A equipe do programa gravou imagens no aeroporto do Galeão e na casa da família de Socorro em Brasília.

A TV Portal Kids também gravou uma entrevista exclusiva com Socorro que em breve será exibida.

Nas fotos Socorro no celular com Maria de Lurdes, fazendo planos para o Natal e comigo no restaurante.

Por Wal Ferrão
wal.ferrão@portalkids.org.br

Seminário sobre bullying em Belo Horizonte


Com o tema “Bullying – Conscientizar é a melhor forma de combate”, será realizado no dia 24 de novembro, das 9h às 18h, na Câmara Municipal de Belo Horizonte um seminário por iniciativa do vereador Adriano Ventura.

O objetivo é capacitar através de palestras, debates e ações pedagógicas, a comunidade escolar para atuar como agente de pacificação e prevenção ao bullying.

Informações sobre o evento:
(31) 3555-1194
(31) 3555-1195

19 novembro 2010

Roda de Capoeira em Homenagem a Valéria


Essa semana foi mesmo de festa para nossa instituição. Além da indicação do Prêmio Top Blog no último dia 15, que coincidiu com o aniversário de uma de nossas crianças, no dia 17 Valéria Magalhães, psicóloga e diretora executiva do Portal Kids completou mais um aninho. Ela achava que só ganharia felicitações e os presentes tradicionais, mas foi surpreendida com uma criativa homenagem dos alunos de capoeira de nossa sede em Saquarema, litoral do Rio de Janeiro. A turma do Mestre Fumaça realizou uma roda de capoeira em homenagem a Valéria com direito a música especialmente feita para ela. " Nós viemos jogar capoeira em homenagem a Valéria... Jogar todos os capoeiras para nossa amiga...", cantaram os meninos para a nossa emocionada diretora. Parabéns Valéria! Você merece!

17 novembro 2010

Somos Top 3


Hoje acordei sorrindo. Acordar sorrindo de forma involuntária só mesmo quando vivemos a sensação da felicidade. Essa sensação tão rara e que a gente vive a perseguir. Mas a danada é caprichosa, livre e independente. Só aparece quando quer.

Estou feliz assim por causa do Prêmio Top Blog. O Blog das Mães do Brasil é Top 3, ficou entre os três finalistas. Querer essa posição a gente queria, mas achávamos um sonho tão distante. Os melhores blogueiros do Brasil concorrendo e nossa causa, apesar de comovente, tem histórias bem tristes. Histórias de mulheres muito pobres, marginalizadas, taxadas injustamente como negligentes por muitos que são pagos para defendê-las. Foi justamente a dignidade delas que me levou a divulgá-las 12 anos atrás. A proximidade com essas mulheres me ensinou a força de se levantar a cada dia se sentindo derrotada, mas levantar apesar de tudo e chegar vitoriosa ao final do dia, em meio a devastação que o desaparecimento de um filho provoca.

Ontem depois de acompanhar a divulgação da premiação no Twitter do Prêmio Top Blog liguei para as Mães do Brasil para contar a boa nova. Comemoramos com gritos de alegria. Um de “nossos filhos” fazia aniversário. A festa foi completa!

Hoje já temos muitas lutas a vencer. Mas saímos para a vida com aquela sensação boa de se sentir aceito, compreendido, que é o que essa indicação representa para as Mães do Brasil e também para mim. Quando comecei a divulgar a causa das crianças desaparecidas houve quem previsse que eu me queimaria como jornalista. Fico feliz de estar conseguindo reportar a mensagem dessas mães tão corajosas e incríveis. Há muito tempo essa causa passou também a ser minha.

Obrigada a todos que votaram em nós. A indicação foi mesmo um presente, um bálsamo em meio a tanta luta. Eu e as Mães do Brasil dedicamos esse prêmio a vocês que nos deram essa vitória, ao Alessandro Lo-Bianco que realiza o design do nosso blog, aos filhos que estão próximos e os que ainda estão longe de nós e nossa pequena Amanda, hoje uma estrelinha no céu a nos iluminar.

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

16 novembro 2010

Resultado do Prêmio Top Blog


Acabou de ser anunciado no twitter. Entrem no link e descubram quem é finalista do Prêmio Top Blog.

premiotopblog Prêmio TopBlog
Comunicação - Profissional - 1o finalista: http://bit.ly/9SGAhO #topblog

13 novembro 2010

Primeiros momentos com filha localizada


“Ela é linda! Tem os olhos rasgadinhos igual ao meu outro filho”, derreteu-se Maria do Socorro Sales Reis depois das muitas lágrimas e abraços que compartilhou com a filha ontem, no momento em que a reencontrou no aeroporto de Brasília, depois de 30 anos de afastamento.

O comentário e o tom de voz eram os mesmos das mães que acabam de parir. Socorro teve o privilégio de parir pela segunda vez essa filha. Só que essa segunda gravidez durou 30 anos.

“É muito bom! Estou feliz demais. Ela é mesmo parecida comigo”, emocionou-se a filha de Socorro por telefone.

Socorro tentou mandar as fotos da filha pelo celular para nós, mas não conseguiu. Disse que muitas emissoras de tevê registraram o encontro das duas e pediu que assistíssemos a reportagem. Se conseguirmos os vídeos, postaremos aqui. Faz parte da política de nossa instituição não mostrar a imagem das pessoas localizadas como forma de preservar a privacidade. Como todas são crianças e adolescentes, muitas retiradas de cativeiro, é uma forma de preservar a segurança e garantir um recomeço de vida tranquilo, sem as marcas do trauma. Como a filha de Socorro é adulta, está bem e feliz, e ambas optaram pela divulgação da imagem, como forma de estimulo a outras mães de crianças desaparecidas, não vimos problema em partilhar nossa felicidade com vocês.

As Mães do Brasil agradecem as mensagens recebidas, as orações e o carinho. Que Deus possa abençoar a todos, como abençoa a nós nesse momento de esperança que é a do reencontro de um filho, o mais esperado pelas integrantes do nosso movimento e que se constitui na razão de nossa vida.

Seja bem vinda filha querida. Um pouco de nossos filhos desaparecidos volta agora com você.

A foto Socorro na "sala de parto", no saguão do aeroporto do Galeão a espera do avião que lhe levaria ao encontro da filha em Brasília.

12 novembro 2010

De volta para a filha


Eu e Maria do Socorro Sales Reis vimos o sol nascer juntas hoje, a caminho do aeroporto do Galeão, onde ela embarcou para Brasília para re-encontrar a filha desaparecida há 30 anos. O renascer de um novo tempo para ela e um momento especial para todas as Mães do Brasil. É preciso muita força, determinação e fé para buscar um filho desaparecido. Para Socorro a busca chega ao fim depois de 30 anos. Durante o trajeto para o aeroporto ela foi namorando a foto da filha que recebeu pelo celular.

“É para acreditar que tudo isso está mesmo acontecendo”, disse.

O engarrafamento, normal nesse trajeto, deixou nós duas aflitas. Mas o taxista, comovido com a história do re-encontro, caprichou e conseguimos chegar na hora. No balcão de embarque pedi uma acompanhante para Socorro, pois era a primeira vez que ela viajava de avião. Com o bilhete de embarque nas mãos, a realidade pareceu se materializar.

“Ai, Wal... Estou nervosa...” – vacilou ela.



“Força e fé!” – animei.

E como sempre faço nos muitos momentos de emoção vividos nesse processo de busca, brinquei para aliviar a tensão:

“Lembra que você prometeu que não ia morrer do coração? Onde fica a imagem de guerreira das Mães do Brasil?”

Rimos juntas. E ficamos relembrando a trajetória dela no movimento até a chegada da acompanhante.

“Obrigada Wal!” – emocionou-se Socorro ao se despedir. "Dê um beijo em todas as Mães do Brasil."

Trocamos um longo abraço. Ela se foi, a nossa "Mãe Fênix". Mãe que sempre soube se reconstruir a cada vez que a vida a deixou em cinzas. Lá se foi nossa Mãe Fênix para o voo mais esperado de sua vida.

Antes de embarcar Socorro deixou um recado para as Mães do Brasil.

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

11 novembro 2010

Socorro está em contagem regressiva para rever a filha



Uma menininha, pouco mais do que um bebê, olhando-a se afastar, sentada na soleira da porta da casa da avó. Essa foi à última imagem que Maria do Socorro Sales Reis guardou da filha que na época ela não sabia, mas se perderia dela e só viria re-encontrar 30 anos depois.

Essa semana Socorro recebeu por celular a foto da filha e da neta de 15 anos. A emoção foi tão grande que ela não conseguiu responder ao torpedo.

“Chorei demais. Tive que sentar na cama para não cair e por muito tempo não tive forças para levantar. Achei minha neta linda e minha filha, a minha cara”, orgulha-se a mamãe coruja.

Desde 1º de novembro, data em que a filha foi localizada, as duas se falam por telefone todos os dias e amanhã vão finalmente se rever em Brasília. Socorro conversou com Gilberto Fernandes, psicólogo das Mães do Brasil e tem falado com Wal Ferrão, presidente da instituição, todos os dias. Mas, confessa que, à medida que à hora de abraçar a filha se aproxima, a expectativa cresce.”

“As vezes me acho ansiosa, as vezes calma demais. Não sei definir o jeito que estou. Só sei de uma coisa. Vou aguentar firme. Não vou morrer do coração antes de abraçar minha filha”, brinca Socorro.

Ainda há pouco, falando com a equipe do Portal Kids ao telefone, a filha de Socorro achou graça da ansiedade das Mães do Brasil, que pediram para lembrar mais uma vez o horário de chegada da mãe ao aeroporto de Brasília.

“Pode deixar que não vou esquecer de minha mãe, não”, comentou divertida. “A imprensa ligou perguntando se pode acompanhar nosso re-encontro e eu disse que sim. Será um incentivo para outras mães que ainda estão buscando seu filhos”, emocionou-se.

Agora o coração das Mães do Brasil bate em contagem regressiva.

Matéria na Gazeta do Povo

Saiu hoje. Acesse o link para ler.

http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1066672&tit=Desaparecidas-e-invisiveis

10 novembro 2010

Último dia de votação do Prêmio Top Blog



Hoje é o último dia de votação do Prêmio Top Blog. Gostaríamos de agradecer a todos que fizeram do Blog das Mães do Brasil um dos 30 finalistas e dizer que ainda dá tempo de quem não votou, votar e, quem já votou, votar de novo na gente. Basta clicar na logo do concurso e votar. Não esqueça que é preciso validar o voto.

Gostaríamos de parabenizar a todos os blogs que participaram do concurso e a todos os finalistas. Boa sorte para todos nós! E agradecer também ao Top Blog pela oportunidade de divulgação que deu a nossa causa.

Se ganharmos, reverteremos o prêmio em ações para o nosso projeto. Mas se não ganharmos já nos sentimos vitoriosas em estar entre os 30 mais votados. Obrigada a todos vocês que tem acreditado nesse espaço e ajudado a divulgar a imagem de nossas crianças pelo mundo. Desde já agradecemos essa indicação a vocês. Acabamos de re-encontrar uma de nossas filhas através do Orkut, depois de 30 anos de afastamento. Isso prova o quanto a divulgação é importante para nós.

"Entre em nosso blog, no orkut das Mães do Brasil, acompanhe o nosso twitter. Além das fotos das crianças, é importante que vocês verifiquem as fotos das mães que estão em nosso álbum. Foi assim que pude re-encontrar minha filha", pede Maria do Socorro Sales Reis, que no próximo dia 12 viaja para Brasília para rever a filha.

Apresentação do Relatório da CPI da Criança Desaparecida


Ontem a deputada Andreia Zito apresentou na Câmara dos Deputados em Brasilia o relatório de 14 meses de trabalhos da CPI da Criança Desaparecida.

Wal Ferrão, presidenta do Portal Kids depôs na CPI sobre o trabalho de 12 anos da instituição no combate ao desaparecimento de crianças e esteve ao lado do ator e apresentador Luigi Baricelli quando ele apresentou seu Projeto Desaparecidos à CPI em 01 de junho de 2010.

Convidamos vocês a ler as reportagens sobre a apresentação do relatório dos trabalhos da CPI nos links:

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/relatorio-final-da-cpi-dos-desaparecidos-tem-criticas-ao-governo

http://www.camara.gov.br/internet/tvcamara/?lnk=CPI-QUE-INVESTIGA-DESAPARECIMENTO-DE-CRIANCAS-APROVA-RELATORIO-FINAL&selecao=MAT&materia=113038&programa=2&velocidade=100K

Na foto Luigi e Wal ao lado das deputadas Andreia Zito e Bel Mesquita na CPI, durante apresentação do Projeto Desaparecidos, em junho.

09 novembro 2010

Bate papo com nossa filha localizada


Ainda há pouco, por telefone, confirmei com a filha da Maria do Socorro os horários que sua mãe chegará em Brasília na próxima sexta, dia 12. E a emoção tomou conta de nós duas quando eu disse que ela é bem vinda a família Mães do Brasil. Que quando ela abraçar a Socorro depois de tantos anos, todas as mães estarão juntas nesse abraço. Para elas será como abraçar o filho que ainda está ausente.

Socorro não cabe em si de tanta alegria. Ela acabou de me dizer que parece que está vivendo num estado de sonho. Que não acredita que tudo isso esteja mesmo acontecendo.
Sei muito bem o que ela sente. São tantas as expectativas e esperanças desfeitas no processo da busca. E quando um filho finalmente retorna é realmente um milagre.

Uma amiga jornalista me perguntou o que estou sentindo, como é essa emoção de localizar uma pessoa após 30 anos. E o que nos leva a não desistir de procurar quando todas as possibilidades se acabam. Como estou me sentindo é difícil definir. A emoção é tanta que deixa a gente num estado de topor. Mas o que nos leva a não desistir, é fácil de responder: Sempre acreditamos que iremos encontrar!

Na foto eu, Socorro e a vovó do Brasil Edyr em um dos muitos momentos de emoção vividos nesse trabalho.
Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

Saiu no Jornal Extra de hoje, Coluna Extra, Extra!
De Berenice Seara

Segura, Coração!
Trinta anos depois, a maranhense Maria do Socorro Reis Sampaio vai rever a filha desaparecida. A ONG Mães do Brasil localizou a moça em Brasília e vai promover o reencontro no dia 12.

Parceira da ONG e relatora da CPI das Crianças Desaparecidas, a deputada Andreia Zito (PSDB) doou a passagem de avião para Socorro, que mora no Rio.

Detalhe
Andreia vai apresentar o relatório da CPI, hoje, às 14h30min, na Câmara.

08 novembro 2010

30 anos depois: Mãe do Brasil reencontra sua filha


Wal, eu te amo! Amo a Valéria, amo o Gilberto! Eu amo as Mães do Brasil, amo a humanidade!”, gritou feliz Maria do Socorro Reis Sampaio depois de conversar com a filha e a mãe que ela não via há mais de 30 anos. Assim que entrou para o movimento Mães do Brasil, há seis anos, um dos primeiros desejos de Socorro foi o reencontrar a família, que ela deixou no Maranhão ao imigrar para o Rio de Janeiro, em busca de uma vida melhor. Aqui, encontrou muitas dificuldades e acabou perdendo o contato com a família.

Por anos, tentamos localizar a mãe e a filha de Socorro, sem êxito. Até que no último dia 1º de novembro a filha de Socorro fez contato com Valéria Magalhães, diretora executiva do Portal Kids e psicóloga das Mães do Brasil, através do Orkut. Nossa busca e a da família de Socorro chegavam ao fim. Na mesma noite a família, que está em Brasília, conversou com Socorro pelo telefone.

Estamos em festa, em estado de pura emoção. Cada vez que uma vitória assim acontece, para as Mães do Brasil, uma parte de seus filhos volta para casa.

Feliz com mais essa vitória, a deputada Andreia Zito, nossa amiga e parceira, resolveu viabilizar o re-encontro de Socorro com a família. Andreia, que é relatora da CPI da Criança Desaparecida e há dois anos acompanha os trabalhos do Portal Kids, doou a passagem de avião. Socorro viaja para Brasília na próxima sexta, 12. Sua filha a estará esperando no aeroporto.

Parabéns Socorro! Você merece! Nós também te amamos muito!

Muito obrigada deputada Andreia Zito.

Mães do Brasil e equipe do Portal Kids

07 novembro 2010

A fé


Se existe uma religião predominante no movimento Mães do Brasil, essa é a do amor. A maioria das mães são evangélicas, algumas poucas são católicas e outras, também poucas, espíritas como eu.

Todas no grupo respeitam o caminho de cada uma chegar a Deus e oram umas pelas outras e também oram unidas.

Hoje, no Centro Espírita que atuo, o tema foi a fé, um tema que mexe comigo. Apesar dos milagres presenciados e vivenciados eu as vezes brigo com minha fé, pelas dúvidas que por vezes me assaltam. Mas uma pessoa que me é muito cara e me conhece como ninguém, me disse hoje: "Você tem muita fé, só não tem consciência dela."

Falei hoje sobre Raquel, a tia da Larissa, a mãe que escreveu sobre o livro A Cabana, no post abaixo, deixando todos os meus amigos emocionados. Falei o quanto aprendi com Raquel essa semana, o quanto ela me confortou, me embalou com seu abraço.

Lembro que antes de nos encontrarmos no Fórum perguntei se estava com medo. E ela respondeu: "Creio em Deus acima de tudo!" E crê mesmo! A resposta não é uma frase de efeito. Curioso que essa vivência venha de uma pessoa que perdeu seu bem mais precioso.

Pensando nisso, no entardecer desse domingo, me dei conta que talvez a resposta a pergunta que todos vivem a me fazer, que é o porquê de eu estar envolvida nessa causa, talvez seja pelo convívio com as mães, mulheres de tanta fé. Talvez tenham elas chegado nesse nível de relação com Deus justamente porque, com o enfrentamento da dor maior que é a perda de um filho, encontraram a si mesmas.

Na foto acima, um momento alegre de nosso grupo na sede do Portal Kids em Saquarema, eu, de blusa lilás, abraçada a Raquel, de camiseta listrada.

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

04 novembro 2010

A Cabana


Estou terminando de ler o livro A Cabana, de William P. Young. Busquei esse livro pela semelhança com minha vida. É a história de um pai que tem a filha de seis anos sequestrada e assassinada e que questiona o motivo de Deus ter permitido que tanta brutalidade acontecesse. Para quem não conhece minha história, também tive minha sobrinha Larissa, de 11 anos, que eu criava e considerava como minha filha, sequestrada em 2008.

Esse livro me ajudou a entender o que aconteceu e amenizar um pouco meu sofrimento. Esse pai está num passeio com os quatro filhos e ao ver um se afogando no rio, entra para salvá-lo. Quando volta sua filha desapareceu. No dia em que minha sobrinha foi sequestrada também sai para levar a irmã dela que passava mal no pronto socorro e nesse momento Larissa foi levada.

Como esse pai, que se culpa por não poder ter estado com a filha e ajudá-la, eu também me culpei por não estar com Larissa no momento do sequestro. Não poder ajudar, não poder impedir. Naquele dia olhei para minha sobrinha e senti como se a alma dela estivesse gritando. Foi uma sensação tão estranha que cheguei a perguntar se não queria ir ao médico comigo e com a irmã, mas ela preferiu ficar em casa com meu filho. Larissa estava normal, era o meu coração que pressentia a perda dela, mas na hora não eu não soube identificar.

Com a morte da filha esse pai parou de viver. O tempo todo pensando no sofrimento que a filha enfrentou ao ser assassinada. Não sei o que aconteceu com Larissa. Então, para mim, o tempo todo ela está sofrendo. Apesar disso tenho que esconder de meu filho, de meu marido, a dor que eu sinto. A raiva que eu sinto. Não posso e nem quero que o meu filho se alimente dessa minha raiva.

Sofro uma dor que nunca termina, é uma dor que ninguém sabe, que ninguém consegue imaginar, só quem vive é que entende que essa dor está o tempo todo presente. Esse livro me deu um alívio. Principalmente em minha relação com Deus. Como esse pai eu também tive e tenho meus momentos de briga com Deus. Pergunto para Deus onde Ele estava e por que deixou que isso acontecesse com minha sobrinha. São questionamentos que surgem mesmo na vida de quem fica perdido no mundo depois que um filho sofre uma violência como essa.

Hoje faço tudo em minha vida. Mas sou triste. Se estou no shopping e me pego sorrindo, eu me culpo por sorrir. Me culpo quando sinto que estou gostando de comer algo. Não posso entrar numa loja e passar próximo a roupas de meninas. Entrar num supermercado é um sofrimento, pois lembro o quanto minha sobrinha se divertia ao fazer compras comigo. O quanto ela gostava de shampus e meu marido dizia: “Pode escolher o que quiser que o tio compra!” Eu durmo, mas é difícil, meu sono é sem paz. Não há um dia, um momento em que eu não pense se Larissa está sofrendo, se está sendo espancada, estuprada.

Em determinada parte do livro Deus pede ao homem que seja o Juiz do sequestrador de sua filha. Pede que diga tudo o que ele tem vontade que aconteça com o sequestrador. Então pergunta ao homem se ele teria coragem de jogar no inferno um filho que não aprendeu direito suas lições. Não vou dizer que não tenho raiva, que não deseje Justiça, mas depois disso entendi o motivo de Deus, como pai, querer resgatar a alma dos sequestradores e assassinos de crianças.

Outro momento importante é quando Deus explica ao homem que embora sua filha tenha tido muito medo no momento em que foi levada à força, no momento em que foi assassinada ela não sofreu, porque Deus entrou no corpo dela. Isso ajudou a amenizar meu sofrimento. Agora, quando penso que Larissa está sofrendo, de alguma forma, sei que Deus está dentro dela, amenizando a sua dor.

Raquel Gonçalves, tia e mãe do coração de Larissa.

Celebrando a amizade


Nesta tarde eu, Elisabete Barros e Raquel Gonçalves estivemos juntas no Fórum do Rio de Janeiro. Sempre juntas, cada vez mais unidas. Antes de realizar nossas atividades na luta por nossas crianças, oramos juntas, como fazemos sempre. Por isso os vestígios das lágrimas.

Estamos sempre juntas, mas em cada encontro celebramos a força da união dessa grande amizade que une as Mães do Brasil. Amizade que é um bálsamo. Força que revigora.

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

02 novembro 2010

Amanda, amor eterno


Neste dia nossas orações e nossos corações se voltam para a amada Amanda, que a maldade do homem levou para sempre para longe de nós. Mas não matou o amor imortal que sentimos por nosso anjinho, que sonhava em ser médica.

Que as bênçãos de Deus e as bênçãos do nosso amor possam iluminar sua trajetória em busca da perfeição Amanda, sempre viva em nossos corações.

Quem nos tirou Amanda está solto nas ruas. Tão desumano que crimes como esse continuem a ocorrer. Nossa solidariedade à família da menina da comunidade da Providência, no Centro do Rio.

"Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. Ele pensa: "Minha flor está lá, nalgum lugar..." Mas se o carneiro come a flor, é para ele, bruscamente, como se todas as estrelas se apagassem!" Trecho do livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry"

Joana Sena relembra o desaparecimento da filha Suzana


Suzana saiu para comprar um material escolar para a irmã mais velha num bazar que ficava perto de nossa casa em Bonsucesso. Seriam por volta de 10 horas da manhã. Dez minutos depois que ela saiu, cheguei de uma reunião na escola das crianças. Como havia passado diante do bazar e não tinha visto a Suzana, mandei a irmã ir procurá-la. O dono do bazar disse que Suzana não esteve lá. Entrei em pânico! Minha filha não andava desacompanhada e nas raras vezes que ia comprar alguma coisa na nossa rua mesmo, não costumava desviar o caminho. Corri ao Hospital Geral de Bonsucesso, que também fica próximo, para ver se alguma criança havia dado entrada acidentada. De lá, telefonei para o trabalho de meu marido Genival Gomes de Sena, que é funcionário de uma empresa de transportes. Ele foi à delegacia de Bonsucesso e só conseguiu registrar queixa antes das 24 horas que naquela época era praxe porque tínhamos um conhecido que era policial. A polícia chegou a investigar, mas nada foi descoberto. Eu e meus vizinhos fechamos a Avenida Brasil para conseguir denunciar o caso através dos jornais. Fiz diversas reportagens, muitas denúncias chegaram. Averiguamos todas, muitas vezes com a ajuda da polícia. Cada denúncia que chegava me deixava na maior ansiedade. Não sei se as pessoas passavam trotes ou se confundiam. Nunca houve uma pista concreta. Suzana sumiu como se nunca tivesse existido. A última pessoa a vê-la foi uma vizinha. Esta adolescente disse que viu Suzana caminhando tranquilamente em direção ao bazar. O pior é que eu não faço idéia do que aconteceu. Não consigo nem imaginar. Tudo é tão inexplicável! Minha vida mudou inteira. Minha família nunca mais foi à mesma. Ficou um vazio. É a falta dela. Nós éramos felizes. Com a ausência da Suzana ficou faltando um pedaço da felicidade. Só Deus mesmo para me dar forças. Tenho esperanças... Tenho certeza que minha filha está viva. E fé absoluta que em breve, terei a grande vitória de encontrá-la. É muita violência esse ato de arrancar um filho da gente.

Joana D’Ark Souza de Sena, mãe de Suzana.

SUZANA SOUZA DE SENA (9 anos), a menina da foto, desapareceu em 23/05/93, em Bonsucesso (RJ).
Se você tem qualquer informação sobre o que aconteceu com ela, entre em contato com as Mães do Brasil: maesdobrasil@portalkids.org.br ou (22) 2651 7462

01 novembro 2010

Joana D´Ark, a mãe doce


Ela tem o nome inspirado na guerreira francesa, canonizada em 1920, quase 500 anos depois de ser queimada viva. Pode-se dizer que a nossa Mãe do Brasil é também uma heroína, uma doce heroína.

Joana D´Ark Sena é uma das quatro mães que me inspiraram a criar o movimento. O que de cara me chamou atenção ao conhecê-la foi sua docilidade. Acabamos muito amigas, mas sempre a tratei por D. Joana. Talvez porque emane dela um respeito, uma dignidade.

Dona de casa, bem casada, mãe de quatro filhos, a vida harmoniosa de D. Joana virou do avesso quando sua filha Suzana Sena, então com nove anos, saiu para comprar uma folha de papel almaço para a irmã mais velha terminar de fazer um trabalho escolar, na papelaria que ficava há 20m de sua casa, no bairro de Bonsucesso, Zona Norte do Rio de Janeiro. No trajeto de ida, a menina foi vista por uma amiguinha, vizinha de sua rua, mas o proprietário da papelaria garante que lá ela não entrou.

D. Joana estava na escola das filhas, numa reunião de pais, e por isso não se encontrava em casa naquela manhã de 23 de maio de 1993. Quando retornou, pouco depois de Suzana desaparecer, se desesperou por não encontrar a filha. Chamou o marido e junto com parentes e vizinhos foram ao hospital de Bonsucesso, ao IML e finalmente à polícia.

“Olhe a minha filha!” – pediu-me ela no dia em que nos conhecemos, me mostrando a foto de uma menina lindíssima, de pele clara, cabelos negros, parecendo uma modelo infantil, com chapeuzinho de palha na cabeça e batom vermelho na boca sorridente.

“Que linda!” – comentei, devolvendo a foto.

Ela observou atentamente minha reação e parece que gostou do que viu em minha expressão. De forma terna, resignada, comentou:

“Sabe o que o delegado disse quando viu a foto da Suzana? ‘Ah bonita desse jeito, de batom, essa menina fugiu com o namorado.’ Expliquei que aquela era a última foto que eu tinha da Suzana, tirada durante um teatrinho na escola, mas ele continuou desconfiado. Para os policiais, todas as meninas que desaparecem de casa fogem com o namorado.”

“O que a senhora acha que aconteceu?” – perguntei.

O que ela me respondeu, guardei para sempre, e repeti em muitas entrevistas em que participei representando a causa das crianças desaparecidas:

“Não faço ideia... Foi como se o chão a tivesse tragado... como se Suzana nunca tivesse existido... Como pode uma criança sumir assim?”

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br